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Viajar / Roteiro de Viagem
Por Ronnie Mason (texto) e Débora Menezes (fotos)*
Cotiporã, Serra Gaúcha, meio-dia. Mesa farta, com macarronada de massa feita em casa, polenta, verduras refogadas, carne assada, salada com tomates plantados no fundo do quintal e muito, muito vinho. Como descendente de italianos que sou, não recusei o convite para um almoço com a família Marson, em um ambiente barulhento, cheio de gente, e com vinhos produzidos pelos próprios anfitriões.
eram ideais para o cultivo das uvas, uma atividade que italianos como Antônio Marson entendiam bem. Em 1938, Antônio produziu a primeira garrafa de vinho, para consumo próprio. Desde então, não havia refeição sem ao menos uma taça da bebida. Podia até faltar água, mas vinho, nem pensar! A venda se restringia à vizinhança — aos colonos que traziam suas próprias garrafas para acomodar o vinho. Mais tarde, pensando no vinho como negócio, os Marson começaram a cultivar uvas viníferas e investir em tecnologia. Na década de 1970, Heitor foi para Bento Gonçalves estudar enologia (atualmente, a marca destaca-se no mercado nacional, especialmente na produção de espumantes e de moscatéis). Acompanhei o almoço desde a produção. A matriarca, Maria Presotto Marson, acordou cedo para preparar a massa, um talharim bem fino, extremamente leve. Receita para ocasiões especiais, a carne assada, feita como coxão duro marinado em condimentos, cozinhou lentamente no fogão a lenha. Carregado de aroma e sabor, o molho da carne acompanhou o macarrão, as batatas cozidas e a polenta cremosa, para comer de colher. A cozinheira escolheu os melhores maços de almeirão, couve e chicória, refogando-os com bacon, e serviu pedaços de queijo à milanesa. A sobremesa preferida dos italianos da região é o sagu de mandioca, feito com vinho tinto seco, açúcar, cravo e canela, coberto com fartas colheradas de creme. Pratos simples, feitos com ingredientes frescos e com o carinho da mamma. Senti-me em casa!
O almoço foi de família, mas a Vinícola Marson oferece a mesma refeição para grupos de visitantes – é só agendar com antecedência. A visita passa pelos parreirais e por todas as etapas de produção. Entre fevereiro e março, época da vindima, pode-se ver as uvas chegando à cantina. Heitor acompanha as visitas, e explica cada etapa do processo de fabricação do vinho. Comeu demais e ficou com a consciência pesada? Não se preocupe, há muito o que fazer para gastar suas calorias em Cotiporã. A pequena cidade (apenas 4 mil habitantes) está em uma das regiões mais preservadas da Serra Gaúcha. O Rio das Antas, por exemplo, é local para a prática de rafting. Há várias cachoeiras espalhadas pelo município — a mais bonita, Cascata dos Marins, tem 2 grandes quedas que descem de um paredão de rocha. Ao andar pelo centro, aproveite para conhecer a fabricação de jóias em ouro e prata, atividade importante na cidade (Cotiporã é um pólo de produção de jóias, e as fábricas não têm placas na entrada). Cantina
Marson Esporte
e Aventura Vêneto
Jóias
*Ronnie Mason
é chef de cozinha e proprietário da Escola de Gastronomia
Raízes do Brasil, em São Paulo. Débora Menezes é
jornalista e fotografou este relato de viagem Publicado em:
19/06/2006
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