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Viajar
/ Primeira Classe
Por
Ciça Roxo
| Arquivo
pessoal |
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| Castelo
Alfieri |
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A
professora de culinária Ciça Roxo conta
sua viagem pela região da Itália, com
visita a vinícolas em castelos medievais, restaurantes estrelados
e lojas gourmets |
A
primeira vez que fui à Itália, em novembro de 2001, fiz
um pequeno curso de cozinha tradicional italiana no ICIF (Instituto de
Culinária Italiana para Estrangeiros). A escola fica em
um lindo castelo em Costigliole D’Asti, cidade com ares medievais
e 6 mil habitantes, no centro do Piemonte. A localização
é fantástica: no coração da zona vinicultora
e gastronômica do Piemonte, a 15 km de Alba. Além dos atrativos
relacionados à mesa e da linda paisagem bucólica, há
só paz e silêncio.
Arquivo
pessoal |
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| Vitelo
Tonatto do Guido |
Fui convidada a voltar
ao Piemonte na primavera italiana para conhecer restaurantes, produtores
de vinho e outra escola de culinária (o Istituto Professionale di
Stato per i Servizi Alberghieri e della Ristorazione “G. Giolitti”)
na cidade de Mondovì. Mesmo sem conhecer outras cidades da
Itália, estou convencida da beleza e das qualidades gastronômicas
da região. Por onde quer que se vá, em todos os paesi
(assim chamadas as pequenas cidades), pode-se apreciar centros históricos,
castelos e igrejas. Cada local se orgulha de pelo menos um produto enogastronômico.
Costigliole
D’Asti
De volta a Costigliole
D’Asti, jantei no Guido, um restaurante familiar com 1 estrela
no Michelin, e um marco gastronômico do Piemonte. Eu já
conhecia Ugo Alciati, chef e um dos proprietários. Adepto do Slow
Food (movimento nascido no Piemonte contra a cultura do fast food e que
valoriza os bons produtos), Ugo trabalha na cozinha com a mãe,
Lídia, enquanto os sempre elegantes e também sócios,
Piero e Andrea Alciati, cuidam do salão. Ainda não havia
jantado lá. Tive, então, o privilégio de saborear
o melhor da tradição gastronômica piemontesa:
grissini e pão de nozes divinos, os melhores que já
comi (até hoje o perfume e a textura crocante e macia do pão
de nozes, e os finos e compridos grissini estão em minha
memória...)
| Menu |
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Antepasto
(servidos um a cada vez, nada de um monte de pratinhos entulhando
a mesa): tortinha de arroz com legumes, vitello tonnato,
flor de abobrinha recheada com molho à base de água
de cenoura e ervilha
Primeiro
prato: tortelli de batata e alho-poró com
molho de abóbora
Segundo
prato: coelho desossado com alcachofra e cabrito de Roccaverano
assado com alecrim
Degustação
de queijos: Robiola di Roccaverano, Caprini, Maccagno Erbe,
Betthelmat, Castelmagno, Rotonda di Macra, Gorgonzola natural e,
no centro, uma compota de ruibarbo (que foi substituída na
casa do Ugo pela maravilhosa goiabada petropolitana da Thereza Quintella,
que levei do Brasil especialmente para os chefs)
Sobremesa:
granita de frutas vermelhas do bosque
Pequena
pâtisserie: merengue, chocolatinho branco com damasco,
uva com crocante de açúcar, tortinha de pistache,
Brut e Bön, e tartelette de melão
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Lá,
soube também da novidade: Ugo tem projetos de restauração
em San Maurizio — um local que vai virar pólo gastronômico
próximo a Costigliole — e vai mudar-se para lá. Ele
e os sócios vão construir um restaurante em um hotel-fazenda,
onde há um spa especializado em tratamentos com vinho.
Partindo de Castelo, fiz outras preciosas visitas:
Em San
Martino Alfieri, conheci o Castello Alfieri, onde se localiza
desde 1696 a belíssima cantina de vinificação Marchesi
Alfieri. Fui guiada pessoalmente pela própria marquesa Antonella
San Martino di San Germano. O castelo em estilo barroco piemontês
foi bem preservado. Além de produzir um dos bons vinhos da região,
tem um acervo que conta a história do Piemonte. Entre outros
donos, o castelo pertenceu ao Conde de Cavour. Amante do vinho, ele fez
vir da França um enólogo para aprimorar o vinho
piemontês. Este enólogo trouxe a uva Pinot Noir, que a fazenda
produz até hoje. Próximo à antiga cozinha está
a parreira mais antiga da Itália, que ainda frutifica!
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pessoal |
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| Castelo
em Costigliole D'Asti |
Asti
É, desde a
Idade Média, uma das cidades mais importantes do Piemonte e tem
como símbolo a catedral medieval com pinturas do renascentista
Gandolfino da Roreto. É a cidade dos amaretti (macarrons)
e da fábrica mais antiga de Torrone, Dolciaria Barbero
Davide, onde pode-se escolher entre a versão dura ou macia e compor
o recheio de uma linda caixa de metal.
De lá, trouxe ótimos queijos, como Parmegiano
Reggianno amadurecido por 3 anos, e outros artesanais de cabra, cobertos
com uva Nebiolo, Moscato e cinza de zimbro (especiaria usada na confecção
do gim).
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pessoal |
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| Ciça
na loja de queijos |
Alba
Cidade das 100 torres,
é a capital das preciosas trufas brancas. Novembro é a estação,
quando se pode degustá-las ao módico preço de U$ 7
a grama.
Turim
Capital do Piemonte,
é a maior cidade da região, e
com mais opções culturais. Seu museu egípcio é
o segundo maior do mundo. Atual e imperdível é o
museu do cinema (Museo Nazionale del Cinema) situado no interior do Mole
Antonelliana, símbolo da cidade e que dá nome também
à cadeia de restaurantes cariocas La Mole. É o mais alto
museu do mundo (167 metros), com exposições em vários
andares, vistas de um elevador panorâmico. A maior exposição
é interativa. Uma das salas tem como entrada uma gigantesca porta
de geladeira.
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pessoal |
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| Luigi
Caputo e Ciça |
No Caffe Kenzia, simples e bem cuidado, fui provar as especialidades
de bar de Antonello Dipinto: panini (sanduíche
em baguete ou foccacia, recheado com pimentão assado e
anchovas, queijo fontina e legumes grelhados, salame, ou queijo com speck,
um presunto defumado) e tramezzino (sanduíche feito com
pão de fôrma, recheado com presunto, mussarela e salada,
atum, ovo cozido e salada, ou presunto, tomate e salada). E experimentei
outra especialidade, o marochino (café, chocolate em calda,
creme de leite, espuma de leite e cacau). O charme fica por conta da típica
xícara transparente com aste.
O ponto alto foi o almoço no Balbo, o melhor restaurante de Turim.
O chef Luigi Caputo nos convidou para uma degustação especial
de frutos do mar. Tudo muito bom! Cozimento perfeito, molhos
harmonizados com cada ingrediente, textura inusitada...
| Menu |
| Terrine
de polvo com azeite extravirgem
Fettuccine verde de manjericão com pequeno lagostim,
tomatinhos e mussarela de búfala
Filé de Saint-Pierre com legumes da primavera e cebola de
Tropea
Tortinha gelatinosa de morangos com fruta fresca e leite de coco
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Também
fomos ao último dia do festival de cozinha fusion do Meridien,
o maior hotel de Turim. Seu restaurante situa-se onde antigamente
existia um refeitório de fábrica. O menu, comandado pelo
chef Daniele Giolitto, tinha um pouco de “confusion”, mas
o antepasto estava de tirar o chapéu: mil-folhas de polvo com tartar
de robalo e salmão sobre pesto de mache e wasabi,
delicado, com contrastes de textura.
Arquivo
pessoal |
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| Ciça
em Turim |
Mas o que adoro
na Itália é justamente a tradição.
Que saudades dos grissini e pães
em cima
da toalha de mesa! Mesmo nos restaurantes mais requintados lá estão
eles, expostos diretamente sobre
a mesa.
Bem descreve a cozinha
italiana o diretor didático do ICIF, Giancarlo Pochettino: uma
cozinha de ingredientes. Inventores do movimento Slow Food, valorizam
as centenas de anos de tradição dos produtores de queijos,
vinhos, salumi (frios), aspargos, cerejas, pêssegos,
cogumelos, trufas, arroz, farinha, hortelã... É a cultura
da qualidade!
Me esbaldei de tanto
comer todos os dias, de antepastos variados, seguidos por diversas massas,
até os típicos churrasco e pizza. Experimentei todos
os presuntos servidos de várias formas, legumes grelhados, legumes
conservados como picles, pimentões com bagna caôda (molho
típico feito à base de anchova, alho e azeite, que se deve
comer em grupo, por ter bastante alho), frutos do mar, enfim tudo o que
se pode agüentar durante 7 dias, regado a bons vinhos: Grechetto
2000, Tordimaro (Umbria); Barbera D’Asti Vigna Dacapo 1998, Dacapo
(Piemonte); Traminer Plissé 1999, Bertelli (Piemonte)...
| Endereços |
| Em
Costigliole D’Asti
ICIF – Instituto de Culinária Italiana
para Estrangeiros
Castello di Costigliole D’Asti (Piazza Vittorio
Emanuele 10,
tel. 00xx39/141 96 2171)
http://www.icif.com
Ristorante Guido
Piazza Umberto I 27, tel. 00xx39/141 96 6012)
Em
San Martino Alfieri
Marchesi Alfieri (Castello Alfieri, tel. 00xx39/141
97 6288)
http://www.wines.com/alfieri/alfieri.html
Em
Mondovì
G. Giolitti - escola de estadual de hotelaria e
restauração (Piazza IV Novembre, tel. 00xx39/174 55
2249)
Em
Asti
Dolciaria Barbero Davide (Via Brofferio 84, tel.
00xx39/141 59 4004)
Fucci Formaggi (Piazza Statuto 9, tel. 00xx39/
141 55 6343)
http://www.fucci-formaggi.it
Em
Turim
Museo Nazionale del Cinema (Mole Antonelliana –
Via Montebello 20, tel. 0xx39/11 812 5658)
Caffe Kenzia (Via Cavour 14, tel. 00xx39/11 812
8088)
Ristorante Balbo (Via Doria 11, tel. 0xx39/11 839
5775)
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Publicado em:
12/09/2002
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O Passaporte do Gourmet |
Guia Gourmet de
Nova York |
Guia Restaurantes do
Rio 2001 |
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