Viajar / Primeira Classe

Por Beatriz Marques

Arquivo pessoal
Praia do hotel Amanpuri
Os advogados Aldo de Cresci e Paula Chaccur de Cresci aproveitam as delícias gastronômicas de Phuket e Bangkoc durante lua-de-mel

Um lugar a que dificilmente voltaremos. Esse foi o primeiro critério do casal de advogados Aldo de Cresci e Paula Chaccur de Cresci para escolher a cidade em que passariam a lua-de-mel, em maio de 2002. “Pensamos em algo diferente, que não visitaríamos muitas vezes”, comenta Aldo. Mas a gastronomia também foi um ponto decisivo na escolha. “Sempre olho nos guias se a cidade conta com restaurantes de qualidade”, afirma. E depois de escutarem comentários maravilhados de amigos, concluíram que a Tailândia merecia uma visita.

Bangkoc e Phuket, capital e ilha no sul do país, fizeram parte do roteiro do casal que, como uma lua-de-mel deve ser, teve muito requinte e bom gosto. Aldo justifica: “A viagem foi um investimento, não um gasto e o luxo pode ser caro, mas garante segurança”.

Não foram somente praias, museus e palácios que encantaram os olhos de Aldo e de Paula: “A comida tailandesa tem um visual único. Sempre há um grande cuidado na apresentação”, afirma. E o paladar também foi surpreendido por ingredientes dificilmente disponíveis aos brasileiros, como o ninho de passarinho. Confira as peculiaridades das cidades contadas por Aldo e os hotéis e restaurantes que fizeram parte do roteiro.

Phuket

A chegada no aeroporto não é das mais agradáveis. Aldo avisa que a cidade é feia e o turismo sexual é visível. “As boas coisas estão nas costas e resorts”, comenta.
Os passeios que valem a pena:

Phang Nga (ilha de Phuket) (passeio de 1 dia): “Alugamos um barco e pedimos para acompanharmos a caça de ninho de passarinho, que é bem perigosa. As rochas altas, onde ficam os passarinhos, propiciam o aparecimento dos ninhos em Phuket. A saliva do animal é que é valiosa no ninho – dá um gosto diferente”. No centro da cidade é possível comprá-lo, custam cerca de US$ 80. “Dizem que faz bem para a pele, saúde, mas é muito caro! É para a elite tailandesa”, comenta.

Beatriz Marques
Ninho de passarinho

Koh Phi Phi (passeio de 1 dia): “São 2 ilhas pequenas, com pequenas passagens no meio das rochas com lagos artificiais. É um lugar extremamente turístico – os lugares para comer são uma enganação. O bom é que dá para mergulhar”.

Aldo recomenda passar quatro noites na ilha.


Hotel

Amanpuri
Aldo e Paula se hospedaram num dos três resorts que ficam em praias particulares na ilha. O escolhido foi o Amanpuri. Aldo não poupa elogios ao serviço do hotel: “A receptividade no aeroporto foi incrível. Oferecerem-nos água e Champagne no carro em que nos levou até o hotel”.

Discrição é uma das características fortes do Amanpuri. Os bangalôs são bem afastados, o que garante a privacidade dos hóspedes. Além do serviço, Aldo enaltece a praia, piscina, spa e restaurante. “O chef se apresenta na praia e conversa com o hóspede sobre o jantar”, descreve. A cozinha do hotel tem o camarão como carro-chefe, presente em pratos bem condimentados, como segue a tradição tailandesa. Apesar de enriquecer a refeição, os temperos podem ser um inimigo na harmonização com bebidas. “Uma pena que a comida, muito condimentada, não se dá muito bem com o vinho. Um hábito local é tomar uísque junto com as refeições. Eles fazem também drinques para acompanhar a comida”, relata. Uma das criações degustadas por Aldo foi lagosta grelhada com gengibre e limão.

As atividades gastronômicas do hotel não se restringem ao serviço do restaurante. O chef também dá aulas de cozinha aos hóspedes. “Ele ensina o jantar do dia para 2 hóspedes de cada vez”, explica. Outro destaque é o chá da tarde. O casal se deparou com vários tipos de bolinhos, alguns à base de arroz, com banana, cogumelos, entre outros.
Endereço: Pansea Beach, Phuket 83000, tel. 00xx66 76/324333
Internet:
http://www.amanresort.com/
Diárias: de US$ 650 (com vista para o jardim) a US$ 7.300 (com 6 quartos e vista para o mar)

Restaurantes

Divulgação
Salão do Baan Rim Pa

Baan Rim Pa
Aldo avisa que é um restaurante turístico, mas fica num lugar privilegiado: possui um deck de frente pro mar. Ele explica um pouco a história do local: “Um inglês que acabara de chegar na Tailândia abriu o restaurante e contratou o melhor chef da região para oferecer a culinária típica local”. O andar inferior ao deck é reservado aos amantes do charuto que, além de fumar, degustam bons vinhos. “Há muitos rótulos da Austrália”, comenta. O prato que Aldo provou foi um frango enrolado na folha de bananeira com molho de tamarindo. Veja uma receita do restaurante.
Endereço: 223 Prabaramee Road, Kathu Dist., Patong, Phuket, tel.: 00xx66 76/340789

Ka Jok Si
Restaurante no centro de Phuket. “É bem conhecido. Pequeno (20 mesas), com ambiente charmoso e música estilo lounge”, explica. Aldo dá uma dica: antes de jantar, visite as duas galerias de arte que ficam ao lado do restaurante. A comida também é tailandesa, mas com algumas “misturas”. Massa enrolada cozida em banho-maria com legumes e frango picado com arroz temperado foram os pratos de Aldo nesta noite.
Endereço: 26 Takuapa Road, Phuket, tel. 00xx66 76/217903


Bangkoc

A chegada na cidade também é incômoda. “Há uma certa ‘burocracia’ referente ao controle de saúde no aeroporto, pois é necessária a vacina contra febre amarela. É um pequeno estresse que acaba tendo suas recompensas”, avisa. Outra dica de Aldo é não viajar no período de maio a outubro – “chove muito!”.

Não deixe de ir:

Arquivo pessoal
"Mercado flutuante"

O famoso “mercado flutuante”, onde barqueiros supostamente vendem suas mercadorias enquanto estão navegando nos canais da cidade. Mas Aldo afirma que o mercado não existe: “Os barcos somente levam a comida para os moradores das casas nas palafitas”. É um lugar extremamente turístico: “Você entra no barco, vai para os canais e encontra em alguns congestionamentos de barcos que são de turistas e outros de comerciantes”, comenta.

Shopping Center Emporium. “Conta com uma praça de alimentação imperdível, com vários quiosques que servem um tipo de comida típica: um oferece frango, outro bolinho, camarão, entre outros... Sem semelhança alguma com as praças de alimentação que conhecemos”, descreve.

Hotel

Oriental
O escolhido pela dupla foi o tradicional Oriental, inaugurado em 1896. Fica ao lado do rio Chao Phya e é considerado um dos hotéis mais refinados do mundo. São três construções: o spa, o hotel e o anexo - este era o antigo local de hospedagem e hoje abriga um chá bar. Aldo se encanta: “É o melhor serviço do mundo, tem uma rede de Mercedes só com a cor exclusiva para o hotel, há um gerente para cada andar, os motoristas falam inglês e os guias são desnecessários com toda essa infraestrutura”. Mas, claro, todo esse luxo custa caro. A diária pode chegar a US$ 3750.

A gastronomia também marca presença com uma escola de culinária, a Thai Cooking School. Quem está hospedado pode participar de uma aula de 1 a 2 horas. “É só conversar com o gerente do hotel”, avisa.

O casal se impressionou com o bufê do almoço, servido na beira do rio. “A disposição dos pratos nos mostra a grande variedade da culinária tailandesa e seu apelo na escultura”, afirma. Já o jantar conta com dança típica ao lado do spa.
Endereço: 48 Oriental Avenue, Bangkoc 10500, tels. 00xx66 2/236 0400 ou 236 0420

Restaurantes

Scala Shark-Sins
“Imperdível”. Aldo fala da simplicidade do local, que precisa de reservas. Somente são servidos três pratos: um feito com ninho de passarinho, outro de barbatana de tubarão e outro de lagosta. Os dois primeiros foram os escolhidos pelo casal, que estava ansioso para experimentar as iguarias. Mas a expectativa não foi correspondida como queriam: “Nem o ninho nem a barbatana são tão espetaculares assim. O primeiro parece um macarrão mais duro e o segundo mais fibroso”, comenta. Aldo também explica as duas formas de servi-las: num caldo salgado ou doce (num coco ou calda doce). Normalmente servem a barbatana salgada e o ninho doce. O preço é bem alto: US$ 100. “É mais um mito que envolve os pratos, nem é tão gostoso assim”, conclui.
Endereço: 218-218/1 Siam Square 1 Opp Scala Theatre Bangkoc, tel. 00xx66 2/252 0322/251 8899

Restaurante do hotel Sukhothai
“O restaurante é maravilhoso”. Aldo comenta com detalhes a refeição: folha de papoula com pimentão, frango, camarão, legumes enrolados com molho de amendoim – “você faz seu próprio rolinho”; siri-mole – “desmancha na boca!” - servido com molho de ostras ou molho de curry e arroz; frutas cristalizadas com calda e esculpidas para sobremesa. Ele dá a dica: aproveite para entrar no lobby e conhecer os quartos.
Endereço: 13/3 South Sathorn Road, Bangkoc 10120, tel. 00xx66 2/287 0222


Publicado em: 01/08/2003


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