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Viajar/Mochileiro
Gourmand
Sofisticação
foi uma palavra esquecida no caminho, já que "o caráter
espiritual da viagem
deixa de lado os bens materiais". Essa simplicidade nos hábitos
refletiu-se nas refeições, e ele aproveitou para conhecer
as peculiaridades das cozinhas de cada cidade pela qual passou.
O menu do peregrino, por exemplo, que era servido em pequenos estabelecimentos,
era composto de comida típica a um preço acessível:
entrada (sopa ou salada), prato principal (frango ou carne de porco),
sobremesa e uma jarra de vinho da região. O preço variava
de 800 a 1200 pesetas (aproximadamente R$ 12 a R$ 18), pois os frutos
do mar, que entram no cardápio dos locais próximos à
Galícia, aumenta o valor do menu. Alguns pratos ficaram na memória de Martinho: caldo galego, polvo em sua tinta e arroz con leche - este, um doce típico espanhol semelhante ao nosso arroz-doce. E ele recomenda: em Santiago, vá a Casa Manolo (r. Travessa, 27), excelente para frutos do mar, com o menu do peregrino em torno de 1000 pesetas (R$ 15)". Mas seu apetite não ficava voltado apenas ao menu. A rase "com pão e vinho se faz o caminho", uma espécie de "lema" do caminho de Santiago, também faz parte do cotidiano dos que o percorrem. "Muitas vezes levava meu próprio lanche: pão, queijo manchego (espécie de queijo) fresco e presunto serrano. Com o tempo, fui aprimorando: colocava tomates e alecrim, que colhia durante o percurso. Sentava embaixo de uma árvore,de uma ponte medieval e almoçava com tranqüilidade".
Bebida também não faltou: "Eu me servia de vinho nas bodegas (sinônimo de taverna),comprava uma garrafa d'água, bebia e enchia com o vinho para levar". Episódios atípicos para Martinho ocorreram na caminhada. Quando estava no vilarejo Olmos de Atapuerca, presenciou a Festa de San Juan. Havia cerca de 30 pessoas que comiam vorazmente as sardinhas feitas na brasa e despejadas numa mesa forrada com jornal. Cada vez que o peixe acabava, mais uma leva era oferecida aos comensais. "Nunca vi tanta sardinha em minha vida", afirma.
Ainda hoje Martinho
fala com água na boca de suas experiências gastronômicas
na Espanha, e até assume: "Comprei um vinho da Rioja, que
é considerada umas das melhores regiões produtoras de vinho
no país, mas ele não tinha o mesmo sabor especial dos
que eu bebi em minha viagem."
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