Viajar/Mochileiro Gourmand

 
A estudante Rita Freund

Texto e fotos por Luiza Fecarotta


Na ilha semideserta no sul da Bahia, a estudante Rita Freund experimenta as delícias da culinária local, de acarajé a ravióli de lagostas







Mochila nas costas, sleeping bag, passagem na mão e muito apetite. Assim começou a aventura da estudante de Direito Rita Freund, 21, que escapou alguns dias de São Paulo e do escritório no qual estagia para refrescar-se nas águas do sul da Bahia. O destino foi a Ilha de Boipeba, em Cairu, próxima a Morro de São Paulo, com mais de 20 km de praias semidesertas e muita badalação.
Rita na Boca da Barra
Na viagem, uniu alguns prazeres. Além de “estagiar” em águas cristalinas e na companhia de amigos, Rita abusou das delicias da culinária baiana. O café da manhã reforçado – para sustentar um dia de atividades – era servido na pousada comandada por dona Edinha, na praça Santo Antônio, a principal da ilha. Pães caseiros, frios, suco de frutas da região, como cajá, e doces variados enchiam a mesa com fartura.

Nas praias mais movimentadas, como a Boca da Barra, uma parada durante a tarde para degustar petiscos nos quiosques, que tinham como carro-chefe o bolinho de bacalhau. “Eu evitava comer fora de hora, mas o bolinho de bacalhau era irresistível”, confessa Rita, que aproveitou as refeições diárias para conhecer os vários restaurantes instalados na vila de Boipeba.

Na Pousada da Janaína, experimentou peixe com azeite-de-dendê. Arriscou jantar em um supermercado. “Foi interessante. Tinha um mercado pequeno e 2 ou 3 mesinhas simples. Resolvemos provar a comida, bem típica da Bahia. O melhor prato foi pirão com camarão.”

A Pousada do Sossego, comandada por Marcos Silva, teve cuidado especial com o cardápio. Moqueca de polvo, peixe ao molho de camarão e pirão com caldo de polvo foram algumas das opções. Recentemente, o menu foi ampliado para atender gostos mais variados. O ensopado de camarão-rosa recebeu adereços que incluíam luz de velas.

Praia do Pontal

Barraquinhas suculentas
Outro restaurante simpático da ilha é o Estaleiro. Com vista para o mar, clima romântico e acolhedor, tem mesas artesanais em madeira, flores, luminárias improvisadas e boa música. “Ficamos amigos dos proprietários, jovens argentinos. Foi assim que conheci o disco ‘Bossa Cuca Nova’”.

Longe dos restaurantes, outras delícias esperam nas barraquinhas espalhadas pela vila. Acarajé, cocada, pé-de-moleque, doce de abóbora... “Trouxe vários, de tão bons que eram!”

Cadeiras estofadas e chef
No dia em que completou 21 anos, a estudante ganhou tratamento especial: flores à mesa do café da manhã e deliciosos bolo de milho e doce de banana. Depois, passeio de barco com destino às piscinas de Moreré e Bainema: “Ficamos no meio do mar, em bancos de areia e entre corais”, conta Rita, que ainda se refestelou com casquinhas de siri, lagosta e água de coco.

E, para comemorar, um restaurante mais ‘sofisticado’, como o Santa Clara, com chão de cimento queimado, cadeiras estofadas, música lounge e chef de cozinha. No cardápio, ravióli de lagosta, abóbora e berinjela, moqueca de peixe com abacaxi ou de camarão com banana, preparados pelo proprietário Mark Levitan, um norte-americano residente no Brasil há 2 anos.

Outra opção durante a estadia na ilha foi o Cantinho das Massas, uma cantina simples e hospitaleira que abre apenas em alta temporada, servindo massas e pizzas. “O gosto paulista misturou-se à paisagem baiana”, comenta Rita. O casal de proprietários, de São Paulo, apaixonou-se pela ilha e decidiu lá ficar. Pizzas fininhas e crocantes e uma deliciosa lasanha à bolonhesa são os atrativos do lugar.

Publicada em: 19/11/02

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