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Viajar
/ Fiat
Texto
Andréa Pio
O grande barato é cair na Estrada Real, que pode ser pelo caminho velho, pelo novo, pelo dos diamantes, ou por todos eles. O caminho velho parte de Paraty, atravessa o Vale do Paraíba, em São Paulo, alcança o charme das cidades do Circuito das Águas, com seu tradicional café colonial, e avança em direção à esotérica São Tomé das Letras. Passa pela aristocrática cidade de São João Del Rei e por sua vizinha, a cinematográfica Tiradentes. Nesta, a boa mesa é destaque, com o mineiríssimo restaurante Viradas do Largo, de Beth Beltrão, os sabores italianos do Sapore d’Italia e a cozinha criativa do Quartier Latin, do chef Jaya Loyola. No caminho para Lagoa Dourada, experimente em Coronel Xavier Chaves a branquinha Século XVIII direto da fonte. O produtor é Rubens Resende Chaves, conhecido como o mais antigo produtor de cachaça do Brasil. Já em Lagoa Dourada, saboreie os vários rocamboles. Na acolhedora Congonhas, as obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, são pura contemplação. E logo ali está Ouro Preto, onde ficavam as cobiças da Coroa.
Esta outra rota, a partir do Rio de Janeiro, passa por Petrópolis e Itaipava — duas cidades famosas por seus aromas e sabores —, segue em direção ao sudeste mineiro e atravessa Juiz de Fora, Santos Dumont, Ouro Branco e Barbacena. Em Itabirito, o tradicional pastel de angu, de recheios variados, ganhou até festa exclusiva, sempre na primeira semana de junho. Ainda na cidade encontra-se o mandiopã, petisco leve e crocante feito de mandioca, à venda na Mercearia Paraopeba, do seu Juca. Depois chega-se a Mariana: seu raríssimo órgão de 1039 tubos proporciona, nas manhãs de sexta e domingo, momentos de puro deleite. Novamente, o caminho desemboca em Ouro Preto.
O caminho dos diamantes, de Ouro Preto a Diamantina, surgiu com a descoberta de diamantes na região do Serro do Frio. A extensa área abriga boa parte da história gastronômica e cultural de Minas. Entre as muitas cidades, quem visita o Santuário do Caraça, em Catas Altas, saboreia e adquire os vinhos produzidos pelos próprios padres — e pode ser surpreendido com uma belíssima missa celebrada em canto gregoriano, ou simplesmente jantar com lobos-guarás à espreita. Em Ipoema, além do Museu do Tropeiro, pode-se saborear o cubu, quitanda dos tropeiros que resistiu com bravura às longas distâncias sem estragar. Natália do Nascimento Souza, a Nazinha, mantém a tradição e faz como manda o figurino: o bolinho leva fubá, melado e especiarias e é assado embrulhado em folha de bananeira, no forno a lenha. A seguir, em Itambé do Mato Dentro, a farinha de amendoim, o fubá suado, as rosquinhas, pães e guloseimas da D. Dalva Morais têm gosto de infância. Em Morro do Pilar, o casal Manoelzinho e Aparecida Matos mantém viva a tradição do tropeirismo com um delicioso feijão-tropeiro, com torresmos crocantes e couve picadinha na hora.
Em Conceição do Mato Dentro, Liliane Pires, a Lili, serve inesquecíveis pastéis de angu de carne e queijo, além do bacalhau, feito somente durante a Quaresma. Há também os doces em calda (de mexerica, laranja-da-terra, limão e mamão) de Marília Pimenta. Dê uma passadinha também no Bar do Ademar para saborear sopa de banana verde ou frango com ora-pro-nóbis, feito na acolhedora cozinha. Não deixe de experimentar ainda bom-bocado, torta de galinha (feita com frango, macarrão e salsicha de lata) e outros quitutes que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, ilustre filho de Diamantina, adorava. Para descansar, a dica é a Pousada Refúgio 5 Amigos, da suíça Ana Maria Kuhne, em São Gonçalo do Rio das Pedras. De seu forno a lenha saem pães-de-mel, de abóbora e integral, batatas rösti autênticas e, até, pratos vegetarianos. Publicado em: 30/10/2004
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