Os pescados – termo genérico que denomina todo
animal que vive em água doce ou salgada e serve para a nossa
alimentação – vêm se tornando boa alternativa
para uma alimentação leve e saudável. O alto
valor protéico, a presença de Ômega 3 (gordura
poliinsaturada) e a fácil digestão justificam sua presença,
cada vez maior, em nossa mesa do dia-a-dia.
Com enormes
diferenças de sabor e textura, é importante conhecer
suas características para então decidir como prepará–lo.
A compra e a manipulação adequada do peixe também
influenciam bastante no resultado final.
Compra
Os peixes têm
uma carne muito delicada e extremamente perecível e o ideal
seria que pudéssemos comprá-los diretamente do barco
de pesca e prepará-los em seguida. Porém, como nem
sempre isso é possível, é recomendável
buscar os melhores fornecedores e, ainda mais importante, saber
avaliar se o peixe está realmente fresco.
O primeiro passo
é a avaliação do fornecedor, que deverá
transportar, manusear e refrigerar o peixe de maneira correta e
ser capaz de responder a qualquer pergunta sobre a origem do peixe.
O pescado transportado de grande distância é normalmente
congelado ou acondicionado em gelo.
Encontrado um
bom fornecedor, devemos ser capazes de reconhecer os sinais de que
o peixe se encontra em perfeito estado:
- O
cheiro
Na
verdade, o peixe fresco não tem praticamente cheiro algum.
Cheiro forte, acre, desagradável, indicam que o produto já
está deteriorado e impróprio para consumo.
- A
textura
Deve ser firme, elástica, escorregadia, úmida e sem
muco. No caso do peixe estar inteiro, a carne deve ser bem “colada”
à espinha e as escamas aderentes à pele, com o colorido
e brilho característicos.
- O
ventre
Em sua forma natural, sem estar afinado, flácido ou escurecido.
- Os
olhos
Vivos, grandes, brilhantes, salientes, ocupando todo o espaço
da órbita.
- As
guelras
Rosa-avermelhadas, sem muco ou cheiro forte.
Armazenagem
A maneira ideal
de armazenar o pescado fresco é mantendo-o inteiro, eviscerado
e envolto em papel-filme. Se armazenado em geladeira, o pescado
deve ser consumido em, no máximo, 24 horas. Caso seja armazenado
em gelo, na geladeira, ele deve ser colocado sobre uma cama de gelo
em recipiente com orifícios para que não forme água
(que acelera a deterioração do peixe) e ser coberto
com mais gelo picado. Neste caso, o pescado se mantém fresco
por aproximadamente 48 horas.
Para a armazenagem
de postas e filés, deve-se antes embalar os pedaços
bem secos em sacos plásticos atóxicos ou em recipientes
plásticos fechados. Devemos sempre lembrar que os filés
e postas são mais perecíveis do que o peixe inteiro
e, portanto, a durabilidade é menor.
Congelamento
Muitas vezes
o congelamento é a única alternativa para um estoque
regular de peixes e frutos do mar. Porém deve–se levar
em conta que o congelamento altera principalmente a textura do peixe.
Portanto, peixes congelados não devem ser usados quando a
textura é tão importante quanto o sabor em uma receita
(como por exemplo, ao servirmos peixes crus ou marinados). Já
para uma receita onde a carne de peixe for passar por um processo
de cocção e, ainda melhor, se for servida com algum
tipo de molho, a textura, apesar de não ser a mesma do pescado
fresco, não comprometerá demais o resultado final.
- Alguns
cuidados ao usar peixes congelados
O ideal é
que o peixe seja comprado congelado, pois estes produtos sofrem
um congelamento ultra-rápido, a temperaturas muito baixas
e por isso mantêm sua textura o mais próximo possível
daquela de um pescado fresco. Em freezers comuns não conseguimos
este resultado.
Se comprar o
peixe já congelado, é importante observar se há
sinais de derretimento ou recongelamento. A embalagem deve estar
intacta, o que indica um bom armazenamento.
Caso seja necessário
congelar um peixe fresco, seque-o e embale-o muito bem em sacos
de congelamento.
O descongelamento
deve ser feito em geladeira. Peixes empanados podem ser fritos ainda
congelados.
Como todos os
alimentos, uma vez descongelado o peixe não poderá
ser congelado novamente.
Os peixes corretamente
congelados imediatamente após a pesca têm durabilidade
de 1 ano em freezer. Já os congelados nas peixarias, restaurantes
ou em freezers caseiros têm durabilidade de 6 meses.
Beth
Porto |
 |
Linguado |
Classificação
dos peixes
Quanto
à origem (o que influirá no sabor)
- De água doce
- De água salgada
Quanto
ao teor de gordura (o que influirá na textura e no sabor
– maior teor de gordura, sabor mais intenso):
- Magros: até 2% de gordura
- Meio-gordos: de 2% a 5% de gordura
- Gordos: mais de 5% de gordura
Quanto
à coloração da carne (o que influirá
no sabor):
- Carne clara: menor irrigação sanguínea, sabor
mais suave
- Carne escura: maior irrigação sanguínea,
sabor mais pronunciado
Quanto
à rigidez da carne:
- Carne firme: maior resistência ao cozimento, ideal para
ensopados (ex : cação)
- Carne macia: menor resistência ao cozimento, desmancha-se
com facilidade, ideal para métodos de cozimento rápidos
(ex: badejo, linguado)
Quanto
ao formato (o que influirá na limpeza e no porcionamento):
- Peixes redondos: têm espinha ao longo da extremidade superior,
dois filés (um de cada lado), além de um olho de cada
lado da cabeça. Ex: truta, badejo, salmão.
- Peixes achatados: têm espinha no centro e quatro filés
(2 em cima e 2 embaixo), os olhos ficam no mesmo lado da cabeça.
Ex: vários tipos de linguado.
Dica
Como podemos ver, as variantes são muitas e é
importante sempre analisá-las em conjunto. Por exemplo, um
peixe de carne clara, por ter menor irrigação, terá
sabor mais suave. Porém o de carne clara magro (por exemplo,
um linguado) terá sabor muito suave. Já o de carne
clara gorda (por exemplo, um mero) terá sabor mais intenso
(dado pela gordura).
As formas
de preparo:
Cru
– muito usados na culinária japonesa, vários
peixes ficam muito bem servidos crus, em sashimis, sushis e tartares,
por exemplo. Neste caso é ainda mais importante que o peixe
seja fresco e que seja manipulado pouquíssimo antes de ser
servido.
Marinado
(cozido em suco de ácidos) – método
no qual o peixe fica “mergulhado” em um suco de ácidos
(cítrico ou acético) e, sem o uso de calor, termina
“cozinhando” pela acidez do suco. Esta previne o crescimento
de microorganismos no peixe e amacia as fibras ao penetrá-lo.
Os outros elementos usados contribuem no sabor da receita. Um exemplo
de receita de peixe marinado é o ceviche.
Curado
- A cura é uma técnica usada tanto para a
preservação como para alterar o sabor dos alimentos
e se adapta muito bem a variados tipos de peixe (principalmente
ao salmão). Alguns processos de cura envolvem também
a defumação. O peixe pode ser curado no sal grosso
(como é o caso do gravad lax – cura seca) ou também
em misturas de sal e cítricos (cura úmida).
Defumado
- a defumação resulta em sabor acentuado
e com uma consistência bem diferente do peixe fresco.
Escalfado
(poché) - método ideal para alimentos naturalmente
tenros. O peixe é cozido em líquido aromatizado, sem
deixar ferver.
Grelhado
ou chapeado - método ideal para peixes mais gordos,
pois o alto calor da grelha ou da chapa derrete bem a gordura, fazendo
com que o peixe fique extremamente macio por dentro, sem ficar ressecado.
Ao grelharmos ou chapearmos um peixe, há a formação
de uma crosta crocante, podendo-se inclusive preparar certos peixes
com a pele (como o salmão). Podemos ainda servir o peixe
apenas dourado por fora e cru por dentro.
Assado
- talvez o método mais versátil usado no
preparo de peixes. Os peixes mais gordos ficam ótimos quando
assados, pois a gordura previne o ressecamento; mas peixes magros
também ficam muito bons quando assados, desde que sejam tomados
alguns cuidados no seu preparo.
No vapor
- método onde o peixe é cozido diretamente
no vapor de um líquido ou no seu próprio vapor em
conjunto com uma pequena quantidade de líquidos agregados.
Peixes de carne delicada ficam perfeitos neste método. Conserva
muito bem o sabor do peixe sem o risco de ressecá-lo. Não
amacia a carne. Exemplos de peixes bons para o cozimento ao vapor:
linguado, congrio rosa, badejo, namorado, mero, cherne, garoupa,
tilápia, pargo, vermelho, pescada cambucu.
Papillote
- o peixe é embrulhado em papel-alumínio
ou papel-manteiga, com um pouco de líquido aromático
para que haja formação suficiente de vapor. Os Papillotes
podem conter também outros elementos (com o cuidado de que
fiquem prontos todos ao mesmo tempo). O Papillote deve ser aberto
de preferência à mesa, para que todos possam sentir
os aromas desprendidos quando o pacote é aberto.
Frito
- método muito usado, ideal para filés finos
(inteiros ou cortados em iscas) e peixes pequenos. Deve-se proteger
a carne do peixe com algum tipo de empanamento. O sabor do empanamento
e do óleo usado na fritura mascaram um pouco o sabor do peixe.
Ensopado
- método adequado para peixes de carne mais firme,
como o cação. Peixes muito macios podem desmanchar-se
e quebrar-se em lascas no ensopado. De qualquer forma, mesmo os
peixes de carne mais firmes não devem ser cozidos por muito
tempo, para não ficarem com a carne endurecida e ressecada.
Seco
e salgado - método de conservação,
muda o sabor e a textura do peixe. No Brasil o peixe vendido salgado
e seco mais conhecido é o bacalhau. O bacalhau não
é um peixe, e sim um método de preparo usado para
alguns tipos de peixe, onde estes são salgados e secos. A
espécie mais adequada para a produção do bacalhau
é a Cod Gadhus Morhua, mas há ainda mais quatro espécies
adequadas à produção. Como cada uma tem características
próprias é importante saber reconhecê-los para
fazer o uso mais adequado e também para pagar um preço
justo. O ideal para isso é ver o peixe inteiro ou pelo menos
o filé com a cauda, diferente em cada espécie. Caso
isso não seja possível, a compra deve ser feita em
um fornecedor de confiança, pois é difícil
identificar a espécie apenas pelo tamanho e coloração
das postas.
Publicado
em: 03/04/2007
|