Oseibo
é a palavra em japonês usada para os presentes de fim
de ano, que mais do
que simples lembranças para os amigos, tornaram-se
uma instituição quase compulsória, uma
obrigação, principalmente para retribuir às pessoas
que de alguma maneira nos ajudaram durante o ano. O chefe no trabalho,
o vizinho que emprestou gelo o ano todo, a sogra, a conhecida que
procurou um estágio para seu filho, enfim tudo é motivo
para dar um Oseibo.
Em dezembro, em todas as lojas de departamentos, no lugar de mais fácil acesso ao público, funcionários vendem todos os tipos de presentes possíveis. Com balcões do correio e de várias companhias de transportes, você compra e envia, na hora, o que quiser. E os presentes preferidos são ligados à comida.
O Japão é o país dos presentes, ninguém chega nem vai embora de mãos vazias. Todo mundo já viu a fila que os japoneses fazem em qualquer loja de souvenires no exterior: eles ficam preocupadíssimos em escolher o que levar, na volta, para os parentes e os colegas de trabalho. Uma viagem, mesmo uma saída na cidade é motivo para comprar um presentinho.
A média
de preço fica entre 30 e 50 dólares, e uma pessoa
envia em média presentes para 6 pessoas. Muita gente que
não presenteia ninguém; já meu amigo
professor na universidade de Tóquio recebe 200 cada fim de
ano. O problema é que quem recebe tem que retribuir,
e aí a maratona não tem fim...
Em dezembro,
os campeões de pedidos são os produtos regionais:
arroz de Niigata, caranguejo de Hokkaido, ovas de bacalhau de Hakata,
lagosta de Ise, nata de tofu (yuba) de Kyoto etc. Ao lado
deles vêm os produtos caseiros, feitos artesanalmente: docinhos
(biscoitos, pães e bolos), queijos (muzarela fresca, camembert
japonês, cheesecake), verduras e frutas orgânicas.
Apesar do preço caro de transporte (8 a 15 dólares),
o pessoal acaba encomendando um bolo de 10 dólares que vai
custar o dobro, mas tem certeza de que não é industrial
e traz aquele aroma de produto caseiro.
Em um país
onde tudo se pode comprar, onde todos têm acesso a produtos
de qualidade
(basta querer – e pagar), o produto caseiro é
muito valorizado. O valor está no tempo que você
dedicou a ele, aliás muito mais tempo que um simples click
em comprar. Meu
oseibo esse ano é o panetone, como no Brasil.
Demora quase um mês para ser feito, pois faço desde
a fruta cristalizada até o fermento natural que uso para
fazê-lo crescer; mas pode-se fazer comprando tanto as frutas
quanto o fermento. Quem estiver apto a trabalhar nesse fim de ano
siga a receita, tenho certeza de que vai fazer muita gente feliz...
Receita: Panetone
caseiro
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Mari
Hirata é chef de cozinha brasileira radicada no Japão,
onde dá consultoria a restaurantes no país e aulas
de culinária
e-mail: mari@basilico.com.br |
Publicado em: 14/12/2006
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