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Por
Beatriz Marques e Luiza Fecarotta
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Gourmets
e chefs de cozinha
revelam ao Basilico receitas e
pratos que tornaram
memorável a noite de Natal
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Helena
Rizzo
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Todo mundo tem
uma história interessante para contar sobre o Natal. É
um momento em que a família se reúne, e muitos dedicam
parte do dia preparando pratos elaborados para a ceia. Os festeiros
comem e bebem com prazer, muitas vezes esquecendo os motivos do
encontro. Mas, com certeza, a data não deixa de ser especial,
com lembranças da infância, momentos marcantes. E sabores
que permanecem na memória. Entrevistamos alguns gourmets
que, com água na boca, relembram as delícias natalinas
que tornaram a data inesquecível.
Helena
Rizzo, chef de cozinha
"Todo Natal
vou para Porto Alegre comemorar com minha família. Temos
o hábito de passar o dia 24 com a família de minha
mãe e o almoço de 25 com os familiares paternos. Minha
bisavó paterna era inglesa e sempre preparou o tradicional
Christmas pudding. Depois que ela faleceu, minha tia-avó
é quem o prepara. É um bolo demorado, de sabor forte,
cujas frutas maceram por uma semana e que é cozido por 8
horas em banho-maria. Eu e meus primos fazíamos a maior guerra
para ver quem iria flambar o bolo. O conhaque era colocado e eu
e meus primos riscávamos os palitos de fósforo. E,
para que todos nós pudéssemos flamba-lo, colocava-se
mais conhaque - imagine só como o bolo ficava forte!"
Maria
Victoria de Oliveira, professora gastronômica e chef do restaurante
Montagu (RJ)
"Os Natais
da minha infância eram cheios de presentes coloridos e coisas
gostosas. A mesa transbordava de presunto, peru, bolinho de bacalhau,
rabanada.... Por trás, orquestrando a comilança, minha
avó, cozinheira de mão-cheia. As panelas fumegavam,
travessas e travessas eram levadas à mesa. Eu sempre esperava
ansiosa pelo pudim de Natal. E lá vinha ele, no fim da ceia,
envolto em perfumadas chamas de conhaque, sua calda escorrendo pelas
beiradas. Para mim, a visão do pudim exercia o mesmo
fascínio que a árvore de Natal e seus embrulhos misteriosos.
Até hoje, quando o preparo e flambo para ir à mesa,
volta a mesma sensação de festa. E até hoje
seu sabor permanece o mesmo, intenso e surpreendente, e me traz
a lembrança daqueles Natais."
Clique
aqui para obter uma receita de pudim
de frutas secas de Natal (Christmas pudding)
Hamilton
Mellão Jr., proprietário do restaurante I Vitteloni
(SP)
"Tinha
16 anos, coloquei uma mochila nas costas e fui para o Peru. Tomei
o famoso 'trem da morte' até a Bolívia e, depois,
para Lima. Naquele fim de ano, aconteceu um golpe militar (1985)
e ninguém podia entrar ou sair do país. Quando chegou
dezembro, eu já estava duro, sem grana para comer e preso
no Peru. Mas conheci pessoas ótimas, e uma família
me acolheu na noite de Natal. O cardápio era bem diferente
do nosso, não tinha peru. Além de um arroz com
frutos do mar, foi servido um prato peruano típico no Natal
o seviche com guacamole. O peixe, robalinho,
era leve e saboroso, e o abacate, oleoso, segurava o fogo da festa
- regada a pisco. Foi a 1ª vez que comi seviche
e fiquei impressionado. É um prato caro e servido apenas
em comemorações. Naqueles dias quentes, tinha tudo
a ver com o Natal!"
Clique
aqui para obter a receita de seviche
de Hamilton Melão Jr.
Ciça
Roxo Py, consultora e professora gastronômica
"Quando
criança morei em São Paulo e minha família
ficou no Rio. Eu adorava quando chegava a época de Natal.
Era férias e lembro-me bem das sensações: chegar
de carro na cidade, sentir o cheiro do mar, estar perto dos avós
e dos primos, ir à praia, lanchar na linda confeitaria Colombo...
O meu Natal tinha cheiro gostoso de bolo de frutas, de melado,
uvas passas, conhaque, maresia. Tenho uma avó mineira,
que morava na avenida Atlântica, e que nos recebia com mimos.
A Colombo era a sua freguesa predileta (aqui eles chamam de freguês
aqueles de quem são fregueses). E a confeitaria era um paraíso:
além do melhor bolo de frutas, fazia o inesquecível
biscoito-leque, os melhores frios, os melhores salgadinhos, os chás
da tarde chiques. Um requinte europeu neste calor de 40°C. Por
isso, escolhi uma receita de bolo de Natal que faço para
presentear amigos, que é muito parecida com a que comia na
Colombo."
Clique
aqui para obter a receita de bolo
de frutas de Natal
Tsuyoshi
Murakami, chef do restaurante Kinoshita (SP)
"Como tenho
raízes japonesas e brasileiras, a ceia de Natal é
composta de pratos típicos das 2 culturas. Toda a família
se reúne na casa da minha mãe, em São Paulo,
e fazemos um banquete. Peru, tender, farofa - comuns na mesa
do brasileiro - e sushi, sashimi, tempura, elaborados com os melhores
peixes - as especialidades do Japão. Vamos experimentando
de tudo. Primeiro, saboreamos os peixes, com um belo Champagne
e, depois, chegamos às carnes vermelhas. É assim
mesmo: bem misturado. Mas o importante é estar com a família
reunida. Uma lembrança forte que tenho quando menino era
a de meu pai vestido de Papai Noel. Acreditei durante muito tempo
e vou fazer o mesmo com meu filho, Jun, que acabou de nascer. Para
este Natal, criei uma receita com as cores da festa."
Clique
aqui para obter a receita de ovas
de salmão com wasabi
Marie
Thérèse Arida, gourmet e ex-proprietária do
extinto restaurante Mandalum (SP)
"Tive um
Natal provençal às avessas. No ano passado, depois
de uma viagem para o sul da França, fiquei entusiasmada em
preparar um grande Natal e aplicar o resultado de minhas pesquisas
na Provence: que melhor momento para mostrar talento e criatividade?
Sei que é um sacrilégio mudar o cardápio habitual,
pois todos sempre esperam os pratos favoritos... A casa estava cheia
e decorada. Optei por um cardápio tradicional da região,
e a apresentação dos pratos foi primorosa: cada
um tinha o nome na língua local provençal e indicação
de procedência da receita, região, autor e anedotas
escritas com pluma de calígrafo profissional. La flausouno
(torta de queijo branco, cuja receita foi tirada de uma edição
de 1905 da revista "Rampeu"); la dinde dou jour de
nouve (peru de natal), lou tian de tartifle a la bourgese
(gratinado de batatas com creme), lis api a la provennçalo
(acelgas ao alho e óleo). Depois de servida a ceia, me perguntaram:
'Não tem arroz com carne para acompanhar o peru?', 'e os
pignoles?', 'e a batatinha do ano passado?'... Fiz também
sobremesas da Provence, mas todos sentiram falta do bolo de chocolate,
da torta de laranjinhas... Decidi então que, neste Natal,
não vou pesquisar nada. Vou fazer os favoritos!"
Emmanuel
Bassoleil, chef e sócio do
Roanne (SP)
"Meu primeiro
Natal inesquecível foi inovador em vários aspectos.
Passei a ceia de dezembro de 1985 em um navio no mar do Caribe,
mas não me recordo dos detalhes do menu. Foi um Natal
marcante por ter sido o primeiro fora do continente, e o primeiro
longe do inverno. Embora não tenha sido um Natal familiar,
como costumava passar, foi uma experiência que me aproximou
de amigos e reforçou a amizade. Fui um dos cozinheiros e
lembro-me de que executei pratos franceses, com lagosta, caviar,
foie gras, salmão defumado e outras delícias. Foi
um grande jantar de gala, com mesa farta de produtos e bebidas de
ótima qualidade. Pense no que há de melhor! Os melhores
vinhos e Champagnes, os melhores ingredientes. Muita abundância.
Foi o primeiro de muitos natais inesquecíveis!
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