Fumar / História do Charuto

Beth Porto


Considerado herético
entre os europeus há 500 anos,
os charutos viraram símbolo
de poder e status entre os
americanos do século 20





Os primeiros fumantes na Europa
Produção de charutos
Fábricas em Cuba

Fidel Castro e a estatização

Os povos nativos do continente americano foram os primeiros a plantar e fumar tabaco. A data não é certa: alguns afirmam que os índios Tainos, do Caribe, já fumavam folhas de tabaco há pelo menos 2 mil anos, costume absorvido dos Maias da América Central. O fumo era utilizado por eles em rituais e cerimônias.

A origem do tabaco é, provavelmente, da península de Yucatán, no México. Passou a ser utilizada pelos Maias e, depois da queda de sua civilização, se espalhou pela América do Sul e do Norte.

Os primeiros fumantes na Europa

O tabaco só chegou ao conhecimento dos europeus com a viagem de descobrimento das Américas por Cristóvão Colombo, em 1492. Os acompanhantes de Colombo levaram o hábito para a Espanha e Portugal. Depois, Itália e França se renderam ao tabaco. Na Inglaterra, sir Walter Raleigh é considerado por muitos como o responsável pela introdução do tabaco no país, além de ter instaurado a moda de fumar.

A palavra tabaco pode ser tanto a corruptela de Tobago, nome de uma ilha do Caribe, quanto da província de Tabasco, no México. Os índios chamavam tabaco de cohiba.

Durante muito tempo, a introdução do tabaco em várias regiões foi polêmica: os primeiros fumantes, que voltaram da expedição de Colombo às Américas, foram considerados possuídos pelo demônio e acusados de heresia. No final do século 16, folhas de tabaco eram queimadas na Espanha por contrariarem os mandamentos da igreja e, na Pérsia, pessoas eram condenadas à morte.  

Produção de charutos

Um estudo feito em 1626 pelo cientista alemão Johan Neander sobre os efeitos terapêuticos do tabaco ajudou a modificar as considerações sobre o fumo (Nicotiana tabacum).  Na França e Inglaterra, o hábito de fumar se tornou popular após a guerra contra Napoleão (1806-1812). A produção de charutos começa, então, na Inglaterra, em 1820.

No início do século 17, o tabaco era fumado apenas em cachimbos nas colônias americanas. O charuto propriamente dito só apareceu em 1762, quando o general Israel Putnam retornou de Cuba com uma seleção de charutos e muito tabaco. No século 19, os norte-americanos não só compravam charutos de Cuba como os produziam em seu próprio país (Connecticut é famosa pelas folhas de tabaco que fornece), pois charuto tinha se tornado um símbolo de status nos EUA e a marca começava a se tornar importante. 

Mas o hábito sempre teve opositores: a rainha Vitória, da Inglaterra, as forças reacionárias norte-americanas durante a Lei Seca (1919), entre outros.

Fábricas em Cuba

O solo e clima favoráveis de Cuba e a constatação de sua importância na qualidade dos charutos lá fabricados atuaram como determinante para que, no final do século 19, mais de uma centena de fábricas estivessem instaladas em Cuba, em outros países caribenhos e ao sul da Flórida. Também ajudou esse aumento de produção cubana no início do século um decreto do rei Ferdinando VII da Espanha, em 1821, que encorajava a produção de charutos cubanos (Cuba era, então, colônia espanhola).

A Primeira Guerra Mundial (1914-1917) estimulou o consumo de cigarros. Temendo perder mercado, os fabricantes de charutos adotaram a mecanização, na década de 20, inicialmente nos EUA. Os preços caíram e o charuto tornou-se artigo popular. Também no início do século, muitos produtores de tabaco migraram para países como República Dominicana, Honduras, Venezuela e México. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) dificultou a obtenção de charutos cubanos, o que estimulou sua produção em colônias como a Jamaica (de domínio inglês).

Fidel Castro e a estatização

Em 1959, a revolução comunista de Fidel Castro contra o general Batista mudou o panorama do comércio e da produção de tabaco em Cuba: Fidel estatiza as companhias de tabaco (cria a estatal Cubatabaco, atualmente Habanos S.A.) e, em 1962, os Estados Unidos determinam embargo comercial total contra a ilha (que dura até hoje).

Muitos mestres charuteiros, como Palicio (Punch), Cifuentes (Partagas) e Menedez (Montecristo) começaram, então, sua produção fora de Cuba, geralmente utilizando as mesmas marcas que antes empregavam no país. Um Partagas, por exemplo, podia vir de Cuba ou da República Dominicana.


 


 

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Charutos


 


The Cigar Connoisseur

 

 

Pequeno Livro do Charuto, O