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Cultura
e Arte / Na Web com Nina
Por Nina Horta
Bruce Feiler sempre escutou os conselhos da avó quando saía para jantar fora. "Vista-se direitinho, seja simpática, sorria e pague sem dó pelo serviço extra. Compensa." Hoje, colunista da revista "Gourmet", escreveu um artigo que deu polêmica braba. A história, contada por ela, é mais ou menos a seguinte. Resolveu descobrir até que ponto derrubaria a resistência dos restaurantes de NY, aqueles nos quais as reservas precisam ser feitas com antecedência de meses. No primeiro dia de crime premeditado, dentro do táxi, sua cabeça estava cheia de fantasias e medos. Maîtres ofendidos, perguntas imperiosas: "Onde a senhora pensa que está? Como tem a ousadia de me insultar com dinheiro? Acha que pode entrar num restaurante deste calibre com esta merrequinha de dinheiro?". Mas agüentou firme. Afinal, era sua profissão e iria tentar romper o cerco com dinheiro na mão e coragem. Chegou ao Balthazar. Cheio. Foi observada dos pés à cabeça. Espera de 2 horas. Escorregou 20 dólares nas mãos do maître. Mesa em dois minutos!! Dois minutos!!! No Nobu, o mais festejado dos japoneses peruanos, viu um casal ser preterido, com certeza pelo modo de se vestir, e conseguiu uma mesa pequena perto da cozinha. Mais que depressa deu para a garçonete uma nota de 20 e uma de 10, para grande alegria da última, que saiu à luta, voltou, devolveu as notas, com seu endereço e telefone para futuras reservas. Tinha ficado amiga, só com a idéia de ganhar uma gorjeta. Bruce já havia aprendido alguns mandamentos básicos. Primeiro: vá, e muita coisa pode acontecer só porque foi. Segundo: vista-se decentemente. Terceiro: Não tenha vergonha, porque eles não têm. Descobriu também uma divergência de opinião entre as gerações. A de seus pais achava normal pagar por uma boa mesa, conheciam as regras do jogo e estavam dispostos a jogá-lo. Os mais novos abominavam o costume, no que concordavam os donos de restaurante, e qualquer maître pego aceitando suborno seria demitido sumariamente. Ginger
Rogers No Aureole e Daniel tudo correu como era de se esperar, mas o "X" da questão era o Alain Ducasse, com seus jantares de 1.500 dólares, 2 meses de espera e todo o resto. Aquele lugar em que se pede um chá de verbena e vem para a mesa um vaso com a planta e água fervente, para não falar da coleção de Montblancs à escolha para assinar o cheque. Desta vez ofereceu 100 dólares debaixo do cartão e recebeu um telefonema 2 dias depois confirmando uma mesa de 4 pessoas. A repórter sentiu nos ossos que era dinheiro sonante que movia aqueles lugares, sentiu-se a estátua da Liberdade, era simplesmente New York, no que tem de mais característico. A
mágica ao telefone Quem atende o telefone sabe como a vida é difícil. E não concordo também com a roupa decente. Tem que ser fashion, mas pode ser fantasia. Cheguei a Nova York com netos de 8 e 5 anos. Os dois passaram a temporada com uma pontuda coroa verde de isopor na cabeça, comprada por US$ 1 na Circle Line, onde se lia "Independence Day". Na cara dos maîtres, é verdade, lia-se a pergunta inevitável: "Quem são estes aliens chamados crianças"? No Union Square Cafe mal nos viram e já estavam com os meninos encarapitados no bar e com a piada pronta: "Só não aceitamos crianças brasileiras que tomem caipirinha demais"! A mesma coisa no Nobu, e um espanto no Boulud, onde fomos convidados a visitar a cozinha. E tudo isto só com manha de telefone, juro. As gorjetas sempre foram boas, mas não dava para adivinhar por telefone. É a onça que se esconde por trás da brasilidad!
Publicado em: 09/04/02
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