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Cultura
e Arte / Na Web com Nina

| Divulgação |
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Por
Nina Horta
A chegada do açúcar à Inglaterra,
os doces de marzipã e as casas de
banquetes são os temas desta
coluna açucarada de Nina Horta
Lembro bem de meu pai se levantando da mesa depois de um bom jantar e
dizendo: -"Passemos ao salão azul e às uvas geladas
no éter."
Nunca soube de onde
extraiu a frase preciosa. Só sei que era fácil entender
seu sentido. Levantávamos e íamos para a sala de visitas
onde se comia um figo cristalizado, uma goiabadinha com queijo,
o café, e ele fumava seu charuto...
A casa era pequena,
a comida caseira, mas nos sentíamos como lordes ingleses.
Pois foi justamente na Inglaterra que muitas vezes me surpreendi com as
casas de banquete, ou as "banquetting houses",
geralmente lugares idílicos, longe da casa principal.
Sala
de sobremesas
E as perguntas inevitáveis eram: Casa de banquetes? Por que tão
longe das sedes? E a comida não esfriava? Seria preciso um batalhão
de gente para o serviço... Qual o sentido? Erro de interpretação
e de tradução. A "banquetting house" era
justamente o salão azul com suas uvas geladas no éter. A
sala das sobremesas e dos vinhos
doces.
O açúcar
começa a chegar em maior quantidade à Inglaterra no século
15. Coisa de rico e de novo rico. Ostentava-se com o açúcar.
Uma enorme mesa de sobremesas
era sinal de status.
Sem contar que (herança
da Idade Média) o açúcar era remédio.
Ajudava a digestão, curava resfriado e dores de estômago.
Nada como uma pedra de açúcar depois de
uma refeição pesada. No começo, as sobremesas eram
puro açúcar e especiarias. Nozes, compotas, frutas secas.
Com o tempo tudo que se prestasse a ser misturado, cozido, assado, preservado,
servia como doce. Vieram as geléias,
| gelatinas, |
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marmeladas, |
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biscoitinhos, |
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bolos de especiarias. |
Marzipã
O marzipã era o rei. Glaçado, dourado, espetado de enfeites
coloridos, peça de resistência do banquete. Ficava no centro
da mesa, um grande disco de pasta de amêndoas, que sustentava
figuras tridimensionais de açúcar ou do próprio marzipã.
Fortalezas, fileiras
de elefantes, batalhas navais, valia tudo. Belezuras sem fim.
Quem fazia os doces?
A dona da casa, suas filhas e empregadas. Homens, prá lá.
Eram muito brutos, tinham mãos muito grandes. Que ficassem na
cozinha nos assados. Elas na sala, nos seus fogareiros.
Além disso,
como donas de casa, como o centro da domesticidade, tratavam de pequenas
doenças de filhos, empregados, parentela e pobres. Curavam tosses,
dores de estômago, resfriados, com seus xaropes e pastilhas. Exageravam
na
água de rosas.
A
mesa de doces
Os melhores lugares para as casas de banquete: belos jardins,
| torres, de onde
se descortinavam campos a perder de vista. |
| pavilhões
de caça e pesca. |
As mesas
de doces eram bonitas de verdade. Ainda não existia o isopor,
o plástico
e o papel de alumínio. Tudo feito a mão, ourivesaria, carinho.
?????????????? E daí,
já descobriram as origens das nossas mesas de
docinhos de casamento? Houve um tempo em que saíram de moda
com fama de brega. Voltaram furiosamente modernas, organzas nostálgicas,
fru-frus e flores.
E muito leite condensado.
Esta é uma
pequena história da mesa de doces. Quem quiser que conte outra.
Nina Horta
é cronista gastronômica do jornal “Folha de S. Paulo”, autora
do livro “Não é Sopa” e sócia-proprietária do bufê Ginger.
e-mail: nina@basilico.com.br |
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Paris by Bistro
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Life à la Henri
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