Cultura e Arte / Na Web com Nina

Divulgação

Por Nina Horta


Nina relembra as marchinhas de
Carnaval que falam de comida
e comenta de confeitaria carioca
ao programa global "No Limite"





As músicas de Carnaval não falam muito em comida e, sim, em bebida. É hoje que eu vou me acabar... as águas vão rolar, garrafa cheia eu não posso ver sobrar... tem nego bebo aí, tem nego bebo aí...escorreguei, quase caí...
De comida, uma referência aqui e ali...

Gafanhoto deu na minha roça, comeu, comeu, toda a minha plantação! Xô, gafanhoto, xô! Deixa um pé de agrião pro meu pulmão!

"No Limite" da comida

Por falar em gafanhoto, não estou achando graça nenhuma no tratamento que o show "No Limite" está dando à comida. Sabem que gafanhoto frito é bem gostosinho? Não aqueles cascudos do programa, mal feitos, parecendo palha seca, gafanhoto velho. Detesto esta história de tratar comida estranha como se fosse o maior nojo do mundo, e focalizar neguinho e neguinha vomitando na tela da TV.

Parece que ninguém pensa no aspecto de um camarão, com aquela cabeçorra e cheio de perninhas, uma lula, um polvo, um escargot. Comida que a gente conhece é boa, que não conhece é ruim...

Gafanhoto com cerveja

Xô, xô, gafanhoto, só em música de carnaval. Na vida real apertou a fome, a camada de ozônio raleou, estamos lá mastigando gafanhoto numa boa. Um amigo meu trouxe um pacote do México, salgadinhos e bem fritos, da pontinha, com uma cerveja gelada...

Sa-ssa-ssaricando, todo mundo leva a vida no arame... Sas-ssa-ssa-ricando, a viúva, o brotinho e a madame... O velho, na porta da Colombo, é um assombro, sassaricando...

Empadinhas da Colombo

A Colombo era um empório antigo de comidas finas, um restaurante no centro do Rio de Janeiro. Foi sendo abandonado e ultimamente só restava o esqueleto de um lindo prédio com comida de afugentar até os sassaricos. Suas famosas empadinhas e coxinhas caíram de nível até se perderem na ruindade geral. Soube que foi todo reformulado, suas receitas antigas salvas e executadas por Renato Freire. E existe coisa melhor que uma boa empada, crocante por fora e úmida por dentro?

Participe!!!
Por favor, leitores atentos, aceito velhas receitas de família. Das boas!
nina@basilico.com.br

Pode me faltar tudo na vida: arroz, feijão e pão... Pode me faltar manteiga e tudo o mais, faz falta, não... Só não quero que me falte, a danada da cachaça...

Conversa de carnaval, da boca para fora. Arroz, feijão e pão são básicos. A cachaça... Vocês não estão achando graça no sucesso da caipirinha no mundo inteiro? E caipirinha de cachaça. Pois, merece.

O pombo paga a vaca

Em 59 já se cantava:
Olha o boi da cara preta, olha o boi da cara preta! Coitado do Valdemar, tá dando o que falar! Comeu carne de boi, falou fino... e deu para rebolar!

Agora é a vez da vaca e as coisas pioraram. A vaca enlouqueceu e mata! E quem paga a vaca? O coelho e o pombo... e o pato. Nunca comi tanto pombo (que nunca comera antes), como na última viagem que fiz à Europa. E como no Brasil costumamos brincar com tudo, prestem atenção neste Carnaval. Só vai dar máscara do Lalau e da vaca louca.

Tiramusù X doce de coco

Menina, você é um doce de coco, tá me deixando louco, tá me deixando
louco...

Quase não comemos doce de coco. E é tão bom... Cocada de fita bem feita, cocada preta, docinho de coco mole. Será que tiramisù e doce de papaia são melhores? Uma leitora do Basilico me mandou lembranças do avô. Ele fazia doce de coco e punha naqueles copinhos de vidro, de pinga. Depois molhava as bordas com clara de ovo e colava por cima um disco de papel pardo, bem ajustado. Para comer o doce era preciso destampar. Nada demais, a não ser um pouco de mistério, e além disso não caía formiga dentro.

Yes, nós temos bananas... Bananas prá dar e vender!!...Banana menina, tem vitamina, banana engorda e faz crescer...

Verdade, banana é uma fruta plácida, fácil de descascar e de comer, cai como uma luva, acaba imediatamente com qualquer fome. O que é que vocês acham de um mexidinho de arroz, feijão, lingüiça e farinha de milho depois de um carnaval daqueles? Tudo isso acompanhado por rodelas de banana crua, é claro...

Ciao, é hoje que eu vou me acabar, mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar...

Nina Horta é cronista gastronômica do jornal “Folha de S. Paulo”, autora do livro “Não é Sopa” e sócia-proprietária do bufê Ginger.
e-mail:
nina@basilico.com.br

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