Cultura e Arte / Na Web com Nina

Divulgação

Por Nina Horta


Entre dicas como colocar um peru
no forno para exalar o cheiro de Natal
se você encomendar ceia, e comer sem remorsos, Nina Horta revela
seu menu natalino

 



Décadas e décadas de Natais vão passando e vai-se aprendendo pouca coisa sobre eles, mas vai-se...

Criança
Só tem graça mesmo com criança por perto que, de preferência, ainda acredite em Papai Noel.

Sem remorso
É o último dia do ano para se inventar de fazer comida light. Temos 364 dias para fazer regime. Enfrentemos as nozes, o leitão, e o que mais pintar sem o menor remorso. É uma festa de aniversário, e de quem, meu Deus? E São Nicolau com a barriga e a risada que tem era, com certeza, um gourmand.

Cheiros
As lembranças de Natal são feitas de cheiros. Se encomendar a ceia num buffet, ponha um peruzinho no forno só para cheirar.

Alfinetadas
Todo mundo sabe o perigo de uma reunião familiar, as pequenas divergências, as alfinetadas... E de estômago vazio, então, nem diga. Comecemos a ceia com aperitivos, e que sejam reconfortantes.

Tradição X Rotina
O Natal vai criando tradições, mas cuidado com a rotina assassina. É guardar a tradição, tocar sinos, rezar, comer "tender", mas experimentem convidar uma mulher bonita e um homem interessante que estejam soltos neste dia. Ou uma mulher interessante e um homem bonito, tanto faz, mas tem que ser gente nova.. A família se acende toda e mostra seu melhor perfil. Creiam.

Lichia no menu
Repare nos três reis magos do presépio, o preto, o branco e o amarelo. São o "outro", aquele diferente de nós. Inventemos uma comidinha jamais vista. Devagar, no entanto. O Natal é frágil e não agüenta um cardápio todo tailandês, por melhor que seja. Da Tailândia aproveitemos as lichias geladas na sobremesa. Com o tempo serão também tradicionais.

Mari Hirata, minha amiga, quero saber como é o Natal no Japão! Leitores, por favor, me contem o que inventavam suas mães e avós estrangeiras neste dia complicado!!!! Avós brasileiras de norte a sul, gentes brasileiras, acordem, antes que nossas receitas e tradições se percam com o mico-leão-dourado! Mandem contar, por favor, as festas, os "causos", as comidas.

O meu cardápio
Em troca, eu abro meu cardápio, ainda não definitivo. Sou muito cuidadosa com menus, quero que sejam corretos sempre, mas no Natal a correção que se dane.

De entrada, um pâté de foie da Rougie, para adoçar os ânimos e porque adoro
Um pouquinho de salmão e ovas para o neto que tem o pai judeu.
A nora chinesa faz wontons para o marido, meu filho, que roubam a cena.
Vou pedir a ela que ajude a cozinhar a bacalhoada da minha mãe porque, das mulheres, é a que cozinha melhor e pode chegar mais perto da receita jamais explicada na sua inteireza.
Vamos ter aqueles leitõezinhos da Wessel, minúsculos e saborosos ou um virado de pato? Ainda não sei.
Uma torta de manga, com certeza, especialidade de outra nora.
E queijos para a neta que sabe apreciá-los.
E o "bolo mais feio do mundo", epíteto criado pelo filho, que gosta dele, apesar da feiúra. Muito fofo, de poucas nozes, recheado na hora com chantilly fresquíssimo com morangos.
Para o marido não é preciso nada, é só deixar que ele se sente e coma bem sentado em cadeira, de preferência a dele, no lugar de sempre. E para a filha, a melhor toalha, a louça mais bonita, as flores, as velas, o espírito de Natal, em suma.

Sem mais, espero a noite do 24 com um vago pressentimento de que vai ser bom e ainda melhor com as sugestões de vocês.

Participe!!!
Escrevam para Nina Horta e contem o que suas mães e avós estrangeiras inventavam no Natal: nina@basilico.com.br

Nina Horta é cronista gastronômica do jornal “Folha de S. Paulo”, autora do livro “Não é Sopa” e sócia-proprietária do bufê Ginger.
e-mail:
nina@basilico.com.br

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