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Cultura e Arte / Na Web com Nina
Por Nina Horta, de Veneza
Na Páscoa: a fougasse (focaccia) e o pato assado recheado. Em 21 de novembro, festa votiva de Santa Madalena (comemoração do fim da terrível peste de 1633): a castradina, carne de carneiro salgada, defumada e seca. Natal: um belo risoto Carnaval: os zaleti, pãezinhos escuros feitos de milho. A qualquer dia: o baccalà mantecato. O Concílio de Trento instituiu o jejum, e os venezianos imediatamente inventaram os pratos de bacalhau, entre eles o mais conhecido, que é o baccalà mantecato, muito semelhante à brandade francesa. Abril: as castraude de São Erasmo. Os camponeses das ilhas da laguna têm o hábito de podar as alcachofras para que só cresça uma no caule, bem grande e gordota. A da ponta do caule é a castrada, e é um pequeno legume tenro que pode ser comido de mil maneiras interessantes. Cru, cozido, frito. Uma delas é com funcho ou finocchio. Junta-se o legume castrado com o finocchio, o nome que se dá vulgarmente aos homossexuais. E ficam fazendo gracinhas a respeito. Dia e noite, o ano inteiro: doces. Parece que Veneza inventou o açúcar. Compotas, doces cristalizados, uma infinidade de tortas, torroni, balas de alcaçuz, amaretti. Tudo pode ser comprado nas scaè´letèri.
Feira
do Rialto Vale a pena. E se o dia estiver bonito, então, é melhor nem começar a falar nas cores de Veneza, na prata azulada dos peixes, o róseo das conchas, que logo se cai numa baboseira romântica. Nos mercados, há que se chegar sempre cedo. A história triste é que nunca é cedo o suficiente. Já cheguei em mercados às 4h da manhã só para escutar "Mas agora já é tarde...". O melhor mesmo é se conformar, esquecer as madrugadas e chegar às 8h. Lá estão as donas de casa fazendo sua comprinha do dia, os peixeiros limpando os peixes. É um enorme alívio poder conviver com a Veneza de verdade, naquela paisagem de cenário, naquela impressão de vidro de Murano quebrado em mil facetas...
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