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Cultura
e Arte / Na Web com Nina

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Por
Nina Horta, de Londres
Nina Horta vai a Paris e conta
suas aventuras em um studio,
comenta a cara de fast food
de alguns bistrôs contra o frescor dos
alimentos nas lojas
O
endereço salvador
Meu presente para vocês é um endereço salvador para
quem não tem muito
tempo. A viagem fica mais sossegada e divertida e você faz em uma
semana
o que não faria em um mês. Visita-se Paris inteira,
sem percalços, com
alguém que conhece cada centímetro da cidade, é brasileiro,
dirige uma
bela van, e pode ir das padarias e lojas de utensílios até
os melhores
restaurantes e épiceries. Falem com ele antes da viagem.
O preço é
mais acessível do que todos os táxis impossíveis
que você tomaria na
cidade.
Continuo viajando.
Levei susto com Paris que não via há muito tempo.
Londres parece não ter tantos turistas e só percebi o que
é mesmo a tal de globalização quando dei de cara
com centenas de grupos andando na mesma direção com um guia
de guarda-chuva vermelho na frente. Que coisa! A gente sabe das coisas
mas nem consegue imaginar a realidade. Achei mais interessante ver os
turistas observando a Mona Lisa do que a própria Mona Lisa!
Dava para emocionar. No meio de um grupo de japoneses uma senhora já
de idade avançada, pernas arqueadas, pés pequenos, óculos,
na frente de um Ticiano ou o que valha. E o rosto dela era um estudo de
vontade de entender, entregando-se toda, tensa. Era outro mundo, toda
uma cultura diferente que ela precisava absorver naqueles 15 minutos antes
de passar para as múmias egípcias
Quero ser turista
Em matéria de comida desacorçoei. Não queria
e nem podia fazer esta viagem como cronista gastronômica, que nem
sou. Queria ser como um daqueles turistas, mas ligadíssima em comida,
com o dinheiro que dá para ir a restaurantes razoáveis
e um ou outro bom de verdade.
Aluguei um pequeno studio, nos Invalides, com boa cozinha.
E andamos a pé. Muito. Turista que anda fica cansado, tem que usar
sapatos confortáveis, carregar pouco peso, e de repente a fome
bate e você tem que escolher o restaurante mais simpático
das redondezas.
E o que há de armadilhas para turistas
não tem fim. Cuidado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Coisas das quais desconfio: a comida está sendo feita fora, em
alguma fábrica de mediocridades. Isto explicaria a ruindade
de pequenos bistrôs de bairro, antigamente tão decantados
por sua comida de mãe ou avó. O creme para o crême
brulée, este eu vi chegar em baldes de plástico,
e só o acabamento é executado no restaurante. E aquelas
pizzas congeladas com molho líquido por cima e aquecidas
no micro. Chente
Que cegueira dos franceses quando se revoltam
tanto contra a fast food do macdo!... A fast-food deles está
pior, mais cara, nem uma batata-frita decente conseguem fazer. O único
jeito de se livrarem da comida do concorrente é fazerem
eles próprios uma coisa mais gostosinha e barata.
Todo mundo sabe que comida muito boa é cara. E aquelas hordas famintas
querendo comer depressa para ver o próximo castelo não
ajudam em nada. Quase impossível, mesmo.
Acontece que a nouvelle cuisine trouxe
uma reviravolta, uma nova consciência,
fez um esforço para voltarmos a gostar da comida básica,
do bom ingrediente. O que vejo aqui em matéria de frescor, de variedade,
é incrível. O cara que vende é um entendido e orgulhoso
do que vende, o que compra também sabe das coisas
E com todas estas possibilidades de se comprar
o melhor foie gras, a melhor baguete e pão de nozes, o sal
de guérande, o frango de Bresse, o que é que o sujeito
vai fazer no restaurante de 200 dólares por cabeça? Passa
lá uma vez por ano para ver como vão as coisas e ponto.
Pintando e bordando na cozinha
Estou pintando e bordando na pequena cozinha do studio. Um dia
um risoto rápido
com uma mistura de cogumelos que jamais havia visto antes. E um foie
gras e um Sauternes pelo preço de um sanduíche de baguette
que se come nas calçadas de St Germain. E salsichões maravilhosos,
terrines prontas fresquíssimas. (Francês
adora terrine. Chegam no Bon Marché, a épicerie
do bairro onde estou, de manhã, e são comidas até
a hora do almoço.) Carnes maravilhosas com todos os cortes possíveis,
e miúdos, e chás do mundo todo, ora, sim senhor,
vale a pena.
E estou entendendo estes pobres franceses ricos. Se morasse em Paris e
não pudesse andar na minha própria terra, tropeçando
em gente de mochila, não pudesse jantar no restaurante da esquina
que só falta implodir de tensão étnica com um australiano,
um chinês e um brasileiro na mesma mesa
não sei não.
Ódio aos turistas
E o que acontece, então, é que estão odiando os turistas
indiscriminadamente, odeiam trabalhar para o turista, odeiam dar mais
aquela informação, a 10º do dia, para aquele troglodita
que fala outra língua, pisa na cidade inteira, toma o lugar
do seu cachorro
Estou dizendo, há qualquer coisa errada
que não estamos sabendo administrar
Coisas boas: É a época
das nozes e dos figos e das ameixas. Os primeiros vendedores de castanhas
assadas começam a aparecer nas ruas. O pão está
bom, muito bom, os chocolates infernalmente tentadores, é hora
de fazer compota de marmelo e como sabem fazer doces de frutas cristalizadas,
esses franceses!
Nunca havia visto uma abóbora chamada potimarron, que tem
gosto de castanha, e que carinha feia tem os maracujás daqui. Pretinhos
e enrugados, deve vir daí o nome de maracujá de gaveta
Joio do trigo
E os 300 queijos afinados de qualquer loja boa, e nossa cara de
ignorante ao não saber distingui-los, cara que se vai transformando
em inteligente com facilidade depois de umas 5 visitas à loja.
Meu Deus, como é fácil aprender o que é bom, distinguir
o joio do trigo. Que boa terra esta para se conversar sobre comida, fazer
compras, e imagino que também seja bom plantar e colher e ir ao
mercado vender. Assim, com estes ingredientes, ainda está longe
o fim da boa e doméstica comida francesa.
Cronista gastronômica
do jornal “Folha de S. Paulo”, autora do livro “Não é Sopa” e sócia-proprietária
do bufê Ginger.
e-mail: nina@basilico.com.br |

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Paris by Bistro
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Zagat 2005/06 Paris
Restaurants |
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The Historic Restaurants
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Between Two Fires
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Life à la Henri
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