Cultura e Arte / Na Web com Nina

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A colunista de gastronomia do jornal
Folha de S.Paulo e autora do livro
“Não É Sopa”, Nina Horta, é a titular
da coluna “Na Web com Nina”

Nesta primeira edição, ela conversa com o jornalista Josimar Melo, diretor do Basilico, sobre seus planos nesta estréia como colunista de Internet.

Josimar Melo – Nina, o que mudou na sua vida de gourmet com a Internet?
Nina Horta – Minha primeira relação com o computador foi uma emoção estética: uns dez anos atrás vi um laptop com um filho, achei a coisa mais interessante (escrevia sem papel), e chorei ao achar que nunca ia aprender a mexer naquilo. Mas aprendi: só que logo os comandos mudaram todos, viraram ícones, e novamente tive que aprender.

Josimar – E com relação ao uso da Internet?
Nina - No começo tive bastante implicância, mas agora sinto que estou sendo domada; até jornal, que acho um absurdo ser consultado na tela, achei mais fácil ler pela Internet, rapidamente e selecionando o que me interessava. Acho que, infelizmente, estou sendo convertida...

Josimar – Você usa bastante a rede para se comunicar...
Nina – É, para quem gosta de escrever muda um pouco o jeito, a gente fica mais objetivo e preguiçoso. O que escrevo na Internet não escreveria para um artigo no papel. Como forma de comunicação é muito bom. Veja o caso de Neide Rigo, da revista “Caras”, que eu conhecia pessoalmente mas com quem nunca me comuniquei ao vivo: hoje, via e-mail, descobri que ela é uma pessoa incrível para conversar sobre gastronomia, e eu não sabia.

Josimar – Você também usa muito a Internet para pesquisas?
Nina – Em termos de comunicação, me “encontrei” na Internet. Em matéria de conteúdo de gastronomia, ainda não. Não descobri nenhum site que aborde as questões com a profundidade que eu gostaria.

Josimar – No início, o que era fascinante na rede era termos acesso a uma quantidade enorme de informação; hoje, acho que há informação demais, e pouco organizada...
Nina - Já não pesquiso coisas na Internet, sempre acho muita quantidade e pouca qualidade. Talvez seja um problema meu, de uma pessoa que passou 40 anos cuidando do assunto comida, que já tem certas preferências, conhecimento... Talvez para um iniciante da área seja uma delícia encontrar tanta informação, mesmo que fornecidas superficialmente.

Josimar – E como escritora, não te incomoda a volatilidade da Internet? Costuma-se dizer que o jornal não fixa muito as coisas, que o de hoje estará embrulhando o peixe amanhã... No caso da Internet, as coisas podem durar menos que um dia, podem ser trocadas em segundos...
Nina – No momento atual da minha vida, acho que isto não importa muito... não estou com mania de guardar coisas: quanto mais deletado e jogado fora, melhor... Muita gente quer falar muita coisa, o melhor é poder cortar mesmo, porque acho que o que tiver que ficar, fica.

Josimar – Conte como será sua coluna no Basilico.
Nina – O que eu penso em fazer (não sei se vai dar certo) é conversar com você, Josimar (pois não sei conversar com quem não conheço). Vou conversar com você, vou dizer o que me passa na cabeça, o que estou fazendo; por exemplo, vou fazer uma viagem agora para um simpósio de gastronomia em Oxford, na Inglaterra, cujo tema é “Memórias Culinárias”, e vou falar na minha coluna sobre o que está acontecendo lá, o que as pessoas de outros países estão trazendo. Às vezes vou perguntar coisas, como numa conversa mesmo, tipo carta. É o gênero em que eu me sinto melhor, o epistolar.

Cronista gastronômica do jornal “Folha de S. Paulo”, autora do livro “Não é Sopa” e sócia-proprietária do bufê Ginger.
e-mail:
nina@basilico.com.br

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