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Cultura
e Arte / Na Web com Nina
Por Nina Horta
Josimar, eu ando louca, muito louca, banqueteira louca, vida que não dá para descrever. Até dá. Quer ver? Levantar nesta chuva, o dia mais chuvoso do ano, e rumar para a feira escandinava atrás de um bacalhau da Noruega mais barato. Fiz as contas: se comprasse 3 kg na feira seria o equivalente a comprar 1 kg no mercado. Cheguei, aquela confusão de sempre, centenas de pessoas agarradas nos seus carrinhos querendo comprar, comprar, qualquer coisa que aparecesse, mas o difícil é fazer com que as simpáticas voluntárias consigam lidar com o computador. E as filas vão engrossando, as pessoas giram como piões, sem saber se andam para o lado dos cristais, das comidas ou das panelas. Enquanto eu girava sumiram com meu carrinho com bacalhau e tudo, e fiquei só pensando na vingança, o rastro mal cheiroso do ladrão sem-vergonha. Bandido
da Luz Vermelha O apartamento é daqueles em que os porteiros só deixam você entrar se pedir de joelhos, se chorar. Eles não estão lá para facilitar a sua entrada, estão lá para desconfiar que o Bandido da Luz Vermelha chegou, disfarçado de velhinha. E aí, depois de muito esperar pelo material que também passa por suspeitas, temos minutos para o tal de ensaio. Vamos ser muito brasileiros, mas as flores... adivinhe, as flores são francesas, são do Midi, são lavanda, que coisa mais linda, lilás, e mais flores de alcachofra de um roxo profundo. E estendemos sobre a mesa as esteiras de banana que vão dar o choque, a casa tão cool, tão classuda, tão tradicional e rica e as esteiras feitas à mão, compradas na Casa do Norte. E aí, então,
de dentro das dobras aparece a barata. Põe de fora as anteninhas,
é uma barata do Piauí, pequena e cascuda. É melhor
não dar bandeira, ninguém entenderia como aquela barata
apareceu ali, no mais dedetizado dos lugares. E ela parou, estupefata,
vinda diretamente da seca, do calor, e de repente, aquele mármore
branco e preto no chão, gelado. Pôs-se a andar devagar, como
se tivesse medo de escorregar, e foi saindo de banda, desconfiada, para
a sala de visitas, com certeza atrás das areias, ou do canto escuro
e quente.
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