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Cultura e Arte / Lançamentos
Por Alexandra Leite
Lawrence Osborne, autor de “O Connaisseur Acidental”, veio ao mundo para vingar todos nós, aqueles que tomam vinho — e gostam — mas não conseguem distinguir seu gosto de baunilha, tomilho ou lavanda. Saiu por aí (do Napa Valley, na Califórnia, à Apúlia, no Sul da Itália), bebeu de tudo e, mesmo assim, admite não conseguir ter o paladar de um entendido. Mas, se você é um destes experts, não se vá. Osborne também há de encantá-lo com seu relato inteligente e engraçado de visitas a papas da vitivinicultura mundial do Novo e do Velho Mundo. Suas aventuras em busca da aquisição de um gosto verdadeiro começam com um almoço com Robert Mondavi, um dos mais fulgurantes produtores californianos, que conseguiu catapultar os preços de seus vinhos a níveis compatíveis com os mais caros Bordeaux e Borgonha. Em seu passeio, constata que os franceses, não podendo ignorar a existência de um Novo Mundo tão endinheirado, juntaram-se a ele. “A joint-venture Mondavi e Phillipe de Rothschild, iniciada em 1979, é o que há de melhor em vitivinicultura hight tech”, surpreende-se ao visitar a Opus One, possivelmente a vinícola mais cara do mundo. Da opulência norte-americana ele sai à caça do “espírito do lugar” em châteaux europeus. Começa com uma entrevista solene no Château Lafite — que não o impressionou muito — e, depois, segue para uma visita a um garagiste. O escolhido, a Domaine Iris du Gayon, divide a gleba com ninguém menos que o Mouton-Rothschild. Em cada uma destas e outras visitas, muitas garrafas de milhares de dólares são abertas, degustadas e discutidas. Mas apenas lá pela página 192 ele acha que seu paladar começa a aprender alguns truques, a ter um pouco mais de noção do que presta e do que não presta. Ou seja, não se transformou em nenhum Robert Parker, o crítico de vinhos norte-americano, dono do nariz de 1 milhão de dólares. Como não poderia deixar de ser, Parker — que ainda dita o gosto com sua escala numérica de classificação dos vinhos — é um dos objetos de curiosidade de nosso herói. Entender como funciona este homem, capaz de provar e se lembrar de 10 mil vinhos por ano, faz dele um extraterrestre a ser examinado. “(...) aberração da natureza, equipado com poderes que você e eu não possuímos”, ironiza Osborne para nosso deleite, os donos de narizes menos espertos. O
Connaisseur Acidental Publicado em: 24/02/2005
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