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Cultura e Arte / Lançamentos
Por Cristiana Couto e Beatriz Marques
Se
esses livros são fruto de (sérias) pesquisas acadêmicas
ou apenas de um profundo interesse dos amantes do assunto, é uma
outra discussão, que talvez não importe muito ao leitor-gourmet,
ávido por conhecer um pouco mais sobre aquilo que ele come. Vamos, então, às novidades: Pitadas de história Comida
– Uma História A Record publica a tradução para o português da obra do historiador Felipe Fernández-Armesto (“Food: a History”), lançada em 2001 na Inglaterra. Especialista em história colonial e marítima, o autor pretende “tratar da história da alimentação como um tema da história do mundo, inseparável de outras interações dos seres humanos com o restante da natureza”. Em lugar de utilizar divisões por países, períodos ou produtos alimentares, Fernández-Armesto prefere criar 8 “grandes revoluções” que, segundo ele, irão fornecer uma visão geral de “toda” a história da alimentação. São elas: a invenção do ato de cozinhar; o significado de comer; domesticação e breeding de espécies comestíveis; o desenvolvimento da agricultura; a comida como diferenciação social – o surgimento da alta cozinha; o alimento como um elemento de troca entre diferentes culturas; comida e a “revolução ecológica” (termo cunhado para referir-se à troca de plantas e sementes entre os países da europa e o Novo Mundo, a partir do século 16); e, finalmente, comida e industrialização nos séculos 19 e 20. (CC) Sal
- Uma História do Mundo Depois do sucesso de seu livro sobre o bacalhau (“Cod: A Biography of the Fish That Changed the World”, que em 1998 ganhou o prêmio James Beard Foundation para livros de cozinha), o autor lançou, em 2002, esta obra sobre o sal, que também ganha tradução para o português. Em “Sal”, Kurlansky – que, entre outras atividades, foi chef em NY e escreve uma coluna na revista “Food & Wine” — abre o leque para contar a história do produto do Ocidente ao Oriente (viaja, inclusive, até o outro lado do mundo em busca de fontes). O autor procura mostrar que a propriedade de conservação do sal acabou por transformá-lo em símbolo para várias religiões. Também mostra a criação de outro produtos alimentares a partir do sal, como o chucrute, a azeitona, o bacalhau... (CC)
Rosa Belluzzo, especialista em antropologia cultural e história da alimentação, relata, em “Sabores da América”, as histórias, as receitas e os sabores das cozinhas do México, de Cuba, da Jamaica e da Martinica – as 3 últimas, ilhas das Antilhas –, terras visitadas por Colombo e que logo chamaram a atenção dos europeus do século XVI. A autora conta como se formou a culinária dessas regiões a partir da combinação de ingredientes locais como milho, batata-doce, feijão e cacau, com a manga, o coco e o curry vindos da Ásia, além de diversos produtos importados da Europa. Em Cuba, combinam-se as cozinhas espanhola e africana; na Jamaica, sabores ingleses mescam-se ao rum e aos assados perfumados com pimenta-da-jamaica. Na Martinica, a presença francesa transparece nos gratinados de inhame e misturam-se ao sabor picante das especiarias e dos molhos indianos. Apenas o México, dentre estes, manteve-se fiel à sua cozinha de raízes astecas e maias, e sua história é recheada (como as outras deste livro), por receitas saborosas de guacamole, frijoles refritos (purê de feijão preto), chile con queso (queijo com pimentão)... Além das receitas, Rosa Belluzzo vale-se também de deliciosos relatos de poetas, romancistas e históriadores, revelando as diferentes impressões que a culinária do Novo Mundo causou nos que aportaram em suas terras. (CC) Receitas Juju
na Cozinha do Carlota A chef Carla Pernambuco une-se à filha, Júlia, de 7 anos, no seu restaurante Carlota, em São Paulo. De lá, saem receitas na medida certa para que crianças e adolescentes, com ou sem a ajuda dos pais, chamem os amigos e se divirtam-se a valer na cozinha com “Juju na Cozinha do Carlota”. Os desenhos charmosos da artista plástica e designer gráfica Pinky Wainer não deixam dúvidas quanto à execução das receitas, pois as ensinam passo-a-passo. É Júlia quem diz: “Este livro é para ensinar outras crianças a brincar e cozinhar ao mesmo tempo. É diversão garantida: reinar na cozinha da mãe por algumas horas, acertar o ponto das receitas e, no final, ficar superorgulhoso quando tudo dá certo.” São 29 receitas, cada uma com um “sinal de trânsito” que avisa o grau de dificuldade de preparo. Tem batata-porrada, penne com tomatinhos assados, pizza quebra-galho, panqueca, cookies de chocolate, sonhos de goiabada, entre outras — como o petit gateau de doce-de-leite e o brownie de chocolate, vindas do próprio restaurante de Carla. (CC)
A chef Maria Montanarini marcou a gastronomia de São Paulo na década de 80 quando comandou os restaurantes If Garòfano Rosso e Casa Europa – no primeiro, inovou com a introdução da alcachofra como prato principal. Agora, a chef surge no mercado editorial para relatar o melhor da gastronomia de sua região natal. “Os Sabores da Sicília” reúne 152 receitas sicilianas, divididas entre sopas, saladas, arroz, massas, carnes, aves, peixes, molhos e sobremesas – muitas delas herança do aprendizado com a sogra italiana. A obra é completada com os textos históricos de Marcia Camargos e carta de vinhos sicilianos de J. A. Dias Lopes. (BM) Relançamento História
da Alimentação no Brasil Livro indispensável aos interessados e estudiosos em alimentação, o “História da Alimentação no Brasil”, do etnólogo, historiador e folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, volta às livrarias depois de cerca de 20 anos. A responsável pelo retorno da obra é a Global Editora, que desde 2000 vem relançando os principais livros do autor, como o “Dicionário do Folclore Brasileiro” e “Made in África”. Publicada pela primeira vez em 1967, “História da Alimentação no Brasil” consumiu mais de 20 anos de pesquisas do autor. O resultado foi um marco na historiografia da alimentação brasileira: Cascudo anuncia, no prefácio, não ser sua intenção de fazer “um relatório da gastronomia brasileira das espécies cultivadas”, mas, sim, “uma tentativa sociológica da alimentação na base histórica e etnográfica, correndo quase quinhentos anos funcionais”. Assim, conhece-se por meio do autor a formação da culinária tupiniquim a partir do cruzamento de várias etnias, principalmente portuguesa, indígena e africana. Os leitores ainda encontram nele pesquisas que comparam a nossa culinária e a universal, de objetos para a preparação dos alimentos, além de superstições e crendices em torno de pratos e ingredientes. Logo que foi publicada, recebeu elogios da crítica e de estudiosos como Roger Bastide. (BM) Textos
São 69 textos gastronômicos de 39 escritores e jornalistas. Assim é que se resume a coletânea “O Melhor da Gastronomia e do Bem Viver”, organizada pelo jornalista e agitador cultural Luiz Horta e editada pela DBA. Os fãs do assunto encontram num único livro artigos que já saíram na mídia e passaram pelo crivo de Horta. Dentre a seleção, confira os textos saborosos de: Nina Horta, Nirlando Beirão, Mari Hirata, Arnaldo Lorençato, Ignácio de Loyola Brandão, Mario Prata, Hamilton Mellão, João Ubaldo Ribeiro, David Drew Zingg, Danuza Leão, Matthew Shirts, Mauro Marcelo Alves, Ed Motta, José Roberto Torero, Josimar Melo, Marcelo Fromer, entre outros. As situações descritas nos textos, as mais variadas, estão divididas em 16 capítulos: Comendo Fora, Quem Está na Cozinha, Sacolão, Por Aí e Mais Além, Ah!Brasil..., Um Luxo Só, O Sabor da Crítica, No Canto da Memória, Dos Líquidos, Bendita Uva, No Meio da Multidão, Doce Predileto das Gentes, Umas Conversas, Oriente-se, Fumaça Deliciosa e Saideiras. A capa e design gráfico são de Tatiana Wessel. (BM) Publicado em: 28/04/2004
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