Cultura e Arte / Lançamentos

Por Cristiana Couto

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Lançamento da Editora Globo

Quatro publicações recém-lançadas
sobre o tema demonstram o interesse
de leitores e editoras pelo mundo de Baco

O número de publicações lançadas até este mês e que tem como tema o vinho oferece uma amostra de como o assunto anda atraindo tanto leitores quanto (conseqüentemente) editoras.

Em maio, a Market Press lançou pela terceira vez o “Guia dos Vinhos Brasileiros 2004”, e a editora Globo colocou no mercado seu “Vinho – Manual do Sommelier”. Em junho foi a vez da editora Senac (que tem apostado fortemente em gastronomia, com 3 outros títulos lançados durante a última Bienal do Livro) distribuir pelas prateleiras 2 títulos sobre o assunto: “Vinhos, o Essencial” e “O Admirável Novo Mundo do Vinho e suas Regiões Emergentes”.

Em termos de apresentação, conteúdo e volume de informações, valem alguns comentários – principalmente porque há maior exigência por parte do público leitor e porque livro não é (há muito tempo) um artigo barato.

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Guia dos Vinhos Brasileiros 2004
Guias em geral são sempre benvindos, ainda mais num país carente desse tipo de publicação, se comparado aos Estados Unidos e à Europa. Um guia de vinhos brasileiros, então, nem se fala. Embora com edição irregular — não houve a de 2002 —, o guia surgiu em 2001, sendo o primeiro do gênero no país (outro guia, editado pela ABS, só apareceu em 2003). Mais um reflexo de que o vinho brasileiro virou assunto muito sério. Fruto de degustações compiladas pela equipe da revista “Vinho Magazine” desde o final de 2002 até o de 2003, o guia reúne informações e avaliações de uma parcela significativa da produção nacional, atualiza dados, traz noções básicas e detalhes sobre a produção de vinhos no Brasil (com algumas informações sobre as regiões produtoras do Vale do São Francisco —que, embora seja conhecida desde 1970, começou a chamar atenção apenas na década de 90 — e de Santa Catarina), glossário, instruções para comprar vinhos nas prateleiras (escolha essa que, sem auxílio, pode ser um verdadeiro inferno para principiantes) etc. Há, entretanto, 2 poréns: a chamada na capa promete uma “edição com novas safras”, destacando a de 2004 o que, de fato, não acontece: o que se vê é apenas um brevíssimo comentário sobre ela na introdução, e, de acordo com o próprio autor, Eduardo Viotti, precipitada, já que, ao contrário do que prevê o guia, a safra deste ano tem entusiasmado os especialistas. É bom lembrar também que, embora mais volumoso do que as edições anteriores, há nesta edição parte das avaliações contidas no guia publicado em 2003.
Autor: Eduardo Viotti
Editora: Market Press (192 págs.)
Preço: R$ 55


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O Admirável Novo Mundo do Vinho e Suas Regiões Emergentes
Este livro traz novidades e merece destaque. Seu autor, Aguinaldo Záckia Albert é professor do curso de vinhos do Curso Superior de Gastronomia da Universidade Anhembi-Morumbi, enófilo e jornalista especializado na área. Embora ele ofereça informações básicas sobre o mundo do vinho (pode ser que este seja o primeiro livro sobre a bebida para quem está sendo introduzido no mundo de Baco), como o que é o vinho, glossário de termos, sua harmonização, degustação, serviço etc —, reserva grande parte das páginas à apresentação, ao grande público, de uma face nova da vitivinicultura mundial: a das regiões emergentes do Velho Mundo. Ou seja, o conceito de Novo Mundo é expandido para além dos países de fora da Europa (Austrália, Estados Unidos, Argentina ..., sobre os quais ele também fala), englobando regiões européias em que a produção do vinho segue um “estilo do Novo Mundo”, quer dizer, aderentes aos princípios que nortearam a produção de vinhos californiana e australiana, como a preponderância do critério varietal sobre o de origem geográfica, por exemplo. No final de cada região/país descrito, há uma lista com os melhores produtores e seus vinhos, além de uma relação comentada das principais castas ali produzidas. Vale ressaltar o capítulo destinado ao Brasil, com um bom histórico da produção nacional desde suas origens, além de informações mais detalhadas da região do Vale do São Francisco.
Autor: Aguinaldo Záckia Albert
Editora: Senac (264 págs.)
Preço: R$ 40

Vinho – Manual do Sommelier – Escolha, Compra, Serviço e Degustação
A intenção do livro é boa, se considerarmos que são raras as publicações em português voltadas para o profissional do vinho, que busca muito das informações a partir dos cursos que freqüenta. O livro traz informações importantes e básicas ao sommelier, como regras de seqüência para servir vinhos, como comprar, abrir, degustar e armazenar, informações sobre a rolha, o papel do sommelier e do enólogo, detalhes sobre viticultura e enologia. Mas tem um grande problema, que deixaria de existir se o título esclarecesse melhor o conteúdo: é uma obra sobre vinhos italianos. Assim, nos capítulos que tratam da montagem da adega (doméstica?), do vocabulário e de regiões produtoras, só se fala de vinhos italianos. Claro, é uma obra preparada por especialistas que visa valorizar o vinho italiano de qualidade. Mas o sommelier não sabe disso, e imagina estar adquirindo uma obra de caráter geral. A harmonização também é um ponto fraco, em se tratando de um aspecto fundamental da função do sommelier: não indica rótulos ou tipos de vinho, mas categorias genéricas (branco leve, tinto encorpado). O projeto editorial também poderia ser mais leve.
Autor: Antonio Calò, Danielle Carnilli e outros
Editora: Globo (192 págs.)
Preço: R$ 39

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Vinhos, o Essencial
Este é um livro para quem quer entrar no universo da bebida. Escrito de maneira clara e didática – reflexo, sem dúvida, da formação do autor, José Ivan dos Santos, que foi professor de física durante muitos anos dos cursinhos Objetivo e Anglo (em São Paulo) —, a obra traz ainda boa quantidade de ilustrações e mapas. Isto facilita, por exemplo, o entendimento de um sistema de plantio em espaldeira. Traz explicações sobre tipos de uva, vinificação dos vários tipos de vinhos, ensina a degustar, harmonizar e servir. Ao falar dos principais países produtores, discorre longamente sobre a França, o que é bom. Há uma tabela interessante que retrata a primeira classificação dos vinhos de Bordeaux feita em 1855, que permanece praticamente inalterada até hoje. Entretanto, esquece de citar os Estados Unidos, produtor e consumidor de enorme importância. E, já que pretende ser uma obra essencial, talvez devesse incluir, mesmo que brevemente, a Alemanha. Também o capítulo dos principais vinhos disponíveis no Brasil deixa a desejar, já que cita os países aqui representados e nada mais.
Autor: José Ivan dos Santos
Editora: Senac (304 págs.)
Preço: R$ 40

Publicado em: 02/07/2004


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