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Cultura e Arte / Lançamentos
Por Alexandra Leite
Faz parte dos sonhos e, consequentemente, da vida dos gourmets passar uma temporada em algum paraíso como Provença ou Toscana. Vêem-se cozinhando com produtos da região, provando dos vinhos in loco e vivendo ali como se natural fosse. O chef de cozinha James Haller tomou a decisão de viajar durante um jantar entre amigos, quando estava prestes a completar 60 anos. Desiludido com a carreira, pensou em passar um mês inteiro longe das panelas, mas comendo do bom e do melhor na França. A publicação de “Vie de France – Uma Viagem Culinária ao Vale do Loire” é a prova de que ele não só passou o mês cozinhando como adorou a experiência. Organizado no formato de um diário, ”Vie de France” não é um livro de receitas, embora traga dezenas delas. Desde os preparativos da viagem até a última refeição em Savonnières, no Vale do Loire, dia após dia é contado em estilo doce e simples — às vezes demasiado descritivo — pelo cozinheiro norte-americano. É uma delícia ver a surpresa dele ao observar pequenos hábitos franceses (que não causariam tanta surpresa em nós, brasileiros) como o de não empacotar os legumes no supermercado. “Tudo vinha solto”, assusta-se na primeira ida ao mercado. As centenas de tipos de queijos, os cafés charmosos, o sandwich jambon (sanduíche de presunto, servido em cada esquina) e a existência da siesta acabam por transformar o flerte dele com a França em paixão assumida. Neste momento, o nosso também. A redescoberta do prazer culinário de Haller é o ponto forte de “Vie de France”. Somos convidados até sua cozinha, na casa alugada do século 17, para participar de suas experiências divertidas — e, muitas vezes desastrosas — com novos ingredientes. E saber, também, que chefs consagrados compram carne errada no açougue (tomou javali por filé para grelhar), erram no ponto de cozimento do molho e usam vinho barato para cozinhar é um alívio para nós, meros mortais. Quando acertam e percebem que nesta viagem fizeram um de seus melhores molhos na vida (caso do peito de pato em molho de creme de cassis), somos gratos por acompanhar tal descoberta. Os pratos do livro
vão de 4 a 6 porções, de acordo com o número
de amigos em casa. Alguns são feitos com sobras de alimentos dos
dias anteriores. De 15 de julho a 15 de agosto, Haller faz rabanadas de
baguete, ensopados, coelhos e até bolo de carne de cavalo. Dentre
estes pratos, a reportagem do Basilico destacou 3: mexilhões cozidos
em manteiga e vinho branco, salada de rúcula com azeitonas marroquinas
e uma apetitosa torta de ameixas e passas, provada num café
da cidade. Sem o Vale do Loire ao fundo, sugerimos que você abra
um Sancerre (um Sauvignon Blanc seco, típico da região)
enquanto cozinha. Uma inspiração e tanto!
Publicado em: 14/05/2004
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