Cultura e Arte / Lançamentos

Por Alexandra Leite

xDivulgação

Reedição de “Dona Benta”
chega às livrarias com linguagem
renovada e mais 200 receitas de sucesso

No século 20 era costume que as moças ganhassem, com o enxoval, um exemplar de “Dona Benta – Comer Bem”. Assim, estavam garantidos a satisfação do marido, os lanches dos futuros filhos e os jantares especiais. O livro, criado como compêndio de receitas de família pela Companhia Editora Nacional, coleciona números de sucesso. Em seus 63 anos de vida registra 1 milhão de exemplares vendidos (recorde único no meio culinário), traz 1.500 receitas em 1.120 páginas e chega às livrarias em sua 75ª edição, mais luxuosa — com capa dura, contracapa e papel de boa qualidade — e recauchutada — depois da revisão cuidadosa do culinarista Luiz Cintra.

Tal longevidade tem explicação. “Dona Benta sobreviveu porque não é um simples livro de receitas, propõe um estilo de vida”, explica o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato, que assina o prefácio. O livro sanaria todas as dúvidas de uma classe média urbana em formação. Com algumas alterações, estas indagações gastronômicas são as mesmas ainda hoje.

Outra razão, segundo ele, é que “Dona Benta” já estava antenado à tendência contemporânea de receber bem com simplicidade e bom senso no início do século passado. Dono de meia dúzia de edições, sendo que a mais antiga data de 1942, Lorençato lembra-se até hoje dos bolos, ponches e pizzas preparados pela mãe quando vivia numa pequena cidade do interior paulista. Todas as receitas eram tiradas da ‘bíblia’.

Para não decepcionar a memória de antigos leitores, como a mãe de Lorençato, apenas receitas repetidas — ou que tinham muitas similaridades — foram retiradas desta 75ª edição. Também foram feitas substituições em nome da saúde. Frituras e banhas de porco deram lugar a pratos com legumes frescos, gordura vegetal e azeite. O modo de abater peru também saiu da área receitas e passou para um apêndice de curiosidades. Afinal, a ave já é encontrada congelada e temperada há dezenas de anos em qualquer supermercado, e a “Dona Benta” do novo século é muito prática. Outras 200 receitas, como o bagel (veja receita abaixo), quibe, sagu de vinho tinto e caipirinha entraram pela primeira vez nesta nova edição.

O nome do livro também é objeto de curiosidade. Embora no mundo fantástico do “Sítio do Picapau Amarelo” a cozinheira de mão cheia fosse Tia Anastácia, Dona Benta teria sido escolhida por ter maior apelo afetivo. A personagem criada por Monteiro Lobato personifica a avó, boa e paciente, que sempre atende à vontade dos netos e vai para a cozinha preparar um bolo de chocolate numa tarde de férias. Daí em diante, virou sinônimo de grande anfitriã.

Do livro, retiramos 3 receitas: lombo à brasileira, bagel e, para comemorar o aniversário da maior cidade do país, que está próximo, a receita do bolo de São Paulo, um bolo paulista com amêndoas e suco de laranja. Feliz 2004!

Dona Benta Comer Bem
Autor: Revisão e atualização de Luiz Cintra
Editora: Companhia Editora Nacional (1120 págs.)
Preço: R$ 80

Receitas:

Lombo à brasileira
Bagel
Bolo de São Paulo

* Alexandra Leite é jornalista e gourmet. Escreve sobre livros de gastronomia desde 2001

Publicado em: 23/12/2003

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