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Cultura e Arte / Lançamentos
Por Alexandra Leite*
O autor da fundamental obra “A Fisiologia do Gosto”, o gastrônomo francês Brillat-Savarin, era famoso por seus aforismos. É dele a frase “dize-me o que comes e te direi quem és”. O historiador Henrique Carneiro, que acaba de lançar “Comida e Sociedade – uma História da Alimentação”, vai além. Para ele, o que se come é tão importante como o quando, como e com quem se come. O livro, ensaio sobre as vertentes da história da alimentação, examina o aspecto do abastecimento desde as sociedades ágrafas — que viviam da coleta e da caça —, até os dias atuais, em que quase não se fazem refeições em família e o centro da cozinha é o microondas, no qual cada um aquece seu prato individualmente. Evolução ou retrocesso, muito tempo se passou até que fosse criado o primeiro fast food e fosse instaurado o novo modo de comer dos homens. Carneiro explica o surgimento das técnicas agrícolas e sua importância na história econômica e cultural de um país. O cultivo do milho, do arroz e do trigo – os 3 principais cereais do mundo — marcaram não só a alimentação como contribuíram para a formação de grandes civilizações: o trigo ao longo do Delta do Nilo, Mesopotâmia e Irã; o arroz em vários países da Ásia, principalmente China e Japão; milho nos planaltos mexicanos e no Peru. Além destes, a batata, a mandioca e alguns legumes foram os alicerces da alimentação, pelo menos para os menos abastados. As elites, por sua vez, não queriam saber só de trigo e arroz. As altas classes européias há muito elegiam o consumo de carnes e “promoveram a criação de rebanhos caprinos, ovinos e bovinos”, explica Carneiro. Comeu-se muita carne até que a sensibilidade em relação aos animais entrasse em voga no início do século 19. O vegetarianismo como prática alimentar explodiria muitos anos depois, nos anos 60 do século 20, após a onda contracultural nos países ocidentais. Mas, de acordo com autor, a maior revolução na história alimentar da humanidade ocorreu durante as grandes navegações, quando os diferentes povos intercambiaram seus produtos e culturas. Especiarias migraram do Oriente para as mesas européias; cana-de-açúcar, café e cholocate (alimentos de luxo) saíram dos trópicos para o resto do mundo; e este são apenas alguns exemplos. História
contemporânea Obra:
“Comida e Sociedade – uma História da Alimentação”
Publicado em: 25/08/2003
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