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Cultura e Arte / Lançamentos
Por Alexandra Leite*
É comum encontrar uma legião de pessoas que torce o nariz para a berinjela, legume suculento que se esconde sobre um manto roxo-escuro de aparência aveludada. Os fãs, também, parecem ser em grande número. Prova disso é o lançamento do 3º volume da luxuosa coleção "Aromas e Sabores da Boa Lembrança", que traz histórias e receitas do vegetal originário da Índia. Com texto da jornalista e crítica gastronômica Danúsia Bárbara e fotos de Sergio Pagano, o livro traz pratos exclusivos dos 69 restaurantes que fazem parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, organização que privilegia a diversidade da gastronomia nacional. Assim como em "Feijão" e "Tomate", os primeiros títulos da coleção, Danúsia faz um breve apanhado histórico antes de chegar às receitas. Ela conta como o legume foi parar na China imperial e Japão depois de milhares de anos de consumo na Índia. Após este período, o alimento transformou a culinária do Oriente Médio. Foi na antiga Pérsia, hoje Irã, que a berinjela foi utilizada em todas as suas possibilidades. Mas só no início do século XIX a hortaliça da família das solanáceas (mesma do tomate, da pimenta e do pimentão) destacou-se na mesa dos europeus, principalmente italianos. A introdução ocorrera séculos antes, pelas mãos dos arábes. Danusia ainda explica
como escolher uma berinjela nas prateleiras do supermercado, comenta algumas
espécies existentes -são mais de 2.500 - e conta
diversas histórias que rondam o legume, que já foi considerado
ora sinal de felicidade, ora veneno cruel, ora causador de demência
e epilepsia. Em Patrícia Wells, consagrada autora norte-americana
e crítica gastronômica, a escritora carioca busca dicas preciosas
para o preparo do legume. Com ela, aprende que não se deve
colocar a berinjela em água e sal como muitos receitam. A prática
que tiraria seu sutil amargor - muda a natureza deste vegetal
de grande personalidade, concorda Danúsuia. Do livro, a reportagem do Basilico testou 3 receitas bastante simples, mas não menos saborosas que os clássicos citados acima. A primeira delas é a Berinjela Ouro Preto, do restaurante carioca Enseada. O assado inclui, além da berinjela, pimentão, tomate, cebola e queijo parmesão. Basta cortar tudo em rodelas, salgar e regar com bastante azeite. Coloca-se no forno por 25 minutos e o resultado é um bom acompanhamento para carnes grelhadas. "O forno ajuda as berinjelas a soltarem os caldos naturais sem secá-las completamente", ensina Danúsia. Para uma refeição completa e bem prática, o penne com berinjela e mozarela de búfala é uma boa pedida. Enquanto a massa cozinha, você prepara o molho, com tomates (os menos puristas podem usar tomate pelati), berinjela em cubos e manjericão. A mozarela picada é servida crua sobre o molho quente. Simples e suculento como só os italianos são capazes de fazer. Do Oriente Médio vem a inspiração para a berinjela síria, executada pelo restaurante mineiro Viradas do Largo, que leva tomate, cebola, frango e queijo chanclich. Difícil encontrar quem torça o nariz para estas delícias.
Confira receitas exclusivas do livro: Berinjela
Ouro Preto Publicado em: 30/04/2003
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