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Cozinhar / À Mesa com Mari Hirata [an error occurred while processing this directive]

Por Mari Hirata, do Japão

Mari Hirata  
Dezembro é tempo de ir às compras
nos mercados de Tóquio. Conheça os produtos mais apreciados nas festas,
e 2 receitas típicas japonesas para a passagem do ano
Tai gohan e caranguejo
 

Existem 2 lugares que são imprescindíveis para os preparativos de fim de ano em Tóquio. Passear por eles revela o ar contagiante de festa. Falo dos 2 mercados mais importantes de Tóquio: o de Tsukiji, pelos peixes e frutos do mar principalmente, e o de Ameyoko, em Ueno, pela variedade e pelo preço. Em dezembro, tornam-se passagem obrigatória dos "toquióides", que abastecem a geladeira —- aliás, a data é praticamente a única ocasião em que os japoneses convidam amigos e parentes à sua casa para festejar.

Os pratos típicos japoneses da época foram substituídos por iguarias mais simples (mas não menos saborosas). O arenque enrolado em alga kombu e cozido demoradamente em shoyu deu lugar ao caranguejo cozido no vapor e servido com shoyu e cabossu (tipo de limão-verde japonês) nas festas de Ano Novo.

A explicação corrente é a de que, com a geladeira e o freezer, não é mais preciso cozinhar os alimentos durante horas, nem encher de shoyu para conservá-los por todo o período das festas. O paladar da população também mudou, está mais refinado; os ingredientes não devem mais permanecer "escondidos" pelo trio shoyu-saquê-mirin!

Festa vermelha

Mari Hirata
Mercado de katsuo bushi
Mas há pratos ou ingredientes simbólicos que não desaparecem. Os mais apreciados são os de cor avermelhada, que simbolizam festividades, como lagosta e pargo, servidos grelhados com sal. A lagosta é utilizada também no preparo de um luxuoso missoshiro, e o pargo, no tai gohan (arroz cozido na panela de cerâmica, com o peixe inteiro).

O eterno arroz, alimento dos deuses, é, sem dúvida, o mais simbólico e sagrado dos alimentos orientais. Ele está presente nas festas de fim de ano como o mochi, arroz cozido no vapor, esmagado em pasta e formatado em bolinhos com utilizações diversas, como na sopa ozoni do Ano Novo; no kagami mochi, servido como oferenda no altar caseiro; no isobeyaki, mochi grelhado e enrolado em alga nori, servido com shoyu; e, principalmente, nas várias sobremesas caseiras, como o oshiruko ou anmitsu.

Outro elemento simbólico é o macarrão soba, feito de farinha de sarraceno e consumido invariavelmente no Réveillon. Traz votos de vida longa, longa como o próprio macarrão. É servido quente, em caldo de alga kombu e lascas de bonito seco. Talvez esta seja a única vez no ano em que a maioria dos japoneses deixa de lado o famoso hondashi, o caldo instantâneo, e prepara o caldo da maneira tradicional.


Cenário de filme
Mari Hirata
Soba de Réveillon
E, assim, as donas (e donos) de casa vão às compras, começando pelos produtos básicos: lascas de bonito seco recém-raladas para o dashi (nosso caldo-base) e uma longa folha de alga kombu (alga gigante), vinda do Norte (Hokkaido), também para o caldo. E o melhor lugar é o mercado de Ameyoko. Lá também compram-se outros produtos secos, como vieiras desidratadas, lulas secas e a famosa pimenta japonesa - o hichimi, que significa 7 sabores e com perfume que mistura os de pimenta vermelha, gergelim, pimenta-de-sancho, algas, semente de linhaça, casca de tangerina seca e sementes de papoula. Esta pimenta é insubstituível para perfumar o soba ou o macarrão udon, além de muitos pratos grelhados e cozidos.

Para encontrar ingredientes frescos, sugiro o famoso mercado de Tsukiji. Aos profissionais é reservado o horário da madrugada, onde só se vende grandes quantidades. Prefira o horário de manhã (entre 7 e 10 horas), escolha seu pedaço de toro (barriga de atum), ainda solidamente congelado, e não se esqueça de levar sua geladeirinha de isopor (apesar do inverno). As lâmpadas nuas iluminam um quadro digno de filme e por incrível que pareça nada cheira (isso mesmo, peixe fresquíssimo não cheira!).

Dou, a seguir, 2 receitas festivas de fim de ano

Receitas:
Tai gohan (arroz de pargo)
Kake soba (macarrão de farinha sarraceno com caldo quente)

Publicado em: 09/12/2002







 

 

 

 

Mari Hirata é chef de cozinha brasileira radicada no Japão, onde prepara a instalação de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br

Publicado em: 09/12/02


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