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Cozinhar
/ À Mesa com Mari Hirata

Por
Mari Hirata, do Japão
| Mari
Hirata |
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Japoneses
trocam o miso pelos pães
no café-da-manhã e consagram-se
padeiros, vencendo a Copa do Mundo
de Boulangerie e ensinando
jovens aspirantes franceses
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Pão
caseiro
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Apesar
de no futebol o desempenho do Japão não ter sido tão
brilhante, em outra Copa eles levaram a taça: foram campeões
da Coupe du Monde de la Boulangerie, um dos grandes acontecimentos
profissionais da área de boulangerie, realizado a cada 3
anos em um espaço da Europain - feira internacional de padaria,
catering e confeitaria -, em Paris.
Para os estrangeiros que vieram recentemente ao Japão, foi a qualidade
do pão o que mais os surpreendeu. Mesmo não sendo um fenômeno
recente, o consumo de pão triplicou em menos de 20 anos -
já são bem mais raras as famílias que começam
o dia à moda antiga, ou seja, com sopa de miso e arroz branco.
No inicio, com a influência americana, os pães mais consumidos
pelos japoneses eram os pães de fôrma e os dinner rolls
- pães macios, brancos e sem muito gosto.
Franceses no Japão
O panorama atual é diferente, a ponto de uma rede como a Fauchon
francesa enviar jovens padeiros às suas lojas de Tóquio
para apreenderem com os japoneses. As filiais japonesas da rede são
mais conhecidas pelos pães que fabricam do que pelos doces, como
acontece com as lojas em Paris.
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Mari
Hirata
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Fondue
e pão caseiro
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Kayser, considerada a melhor padaria em
Paris no ano passado, já tem sua filial por
aqui. Especializada
principalmente em fermento natural, a Kayser desenvolveu em conjunto com
os japoneses uma estufa especial para poder controlar este fermento, que
dá um sabor inconfundível ao seu pão rústico
e é utilizado até mesmo nos croissants e brioches.
É, chegou a vez do pão globalizar-se. Vocês
no Brasil futuramente terão como escolher entre
um pão de padeiros famosos como Lionel Poilaine,
Eric Kayser ou Ganauchaud. O que eles têm em comum? Farinha sem
aditivos, fermento natural e o mais importante: o dobro ou triplo do tempo
de fermentação. O resultado? Um pão denso, com
gosto profundo, aromático e de casca crocante!
Fermento natural
O que é esse tal de fermento natural que as padarias estão
utilizando? Não é nada tão misterioso: são
levedos encontrados nas cascas de farinhas naturais, sem tratamento (como
trigo integral ou centeio), ou em frutas secas. Os microorganismos geralmente
presentes na atmosfera "grudam" na casca do cereal ou das frutas
no momento em que secam e se alimentam de seus açúcares.
Eu sempre fiz meu pão e meu fermento. Mas, antigamente, os japoneses
o achavam um pouco ácido e muito duro. Hoje em dia, é das
coisas que faço que mais faz sucesso por aqui: sinal de que o paladar
deles mudou!
A receita de hoje é deste meu pão. E o fermento se conserva
por tempo indeterminado na geladeira, em um recipiente plástico.
Ele deve ser utilizado pelo menos 1 vez por semana, e deve-se deixar sempre
um pouco dele e acrescentar mais farinha e água após cada
utilização. O meu fermento é feito com uvas passas
não tratadas, encontradas em lojas de alimentos naturais. Mas pode
ser feita com farelo de trigo ou centeio de cultura biológica.
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Passo
a passo do fermento natural
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1º
copo: uvas passas
2º copo: uvas passas
na água deixadas por
12 horas
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3º
copo: suco
das uvas passas misturado à farinha
4º copo: entre 1 a 3 dias (dependendo da temperatura
e da qualidade das passas) a fermentação duplica de
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Receitas
Pão
de fermento natural
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Mari Hirata
é chef de cozinha brasileira radicada no Japão, onde prepara
a instalação de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br |
Publicado em:
10/07/02
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