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Cozinhar
/ À Mesa com Mari Hirata

Por
Mari Hirata, do Japão
| Mari Hirata |
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Carne
de porco (yannin)
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Mari Hirata visita a Coréia, que tem despertado
o interesse dos japoneses por conta da Copa do Mundo, comenta os princípios
e pratos que regem a gastronomia do país e dá 2 receitas
típicas
Aqui no Japão o clima
de Copa já começou. Talvez não por conta do futebol,
que anda meio devagar, mas pelo interesse em relação à
Coréia: nunca a comida coreana foi tão popular! A
Coréia e o Japão têm uma longa história, marcada
por invasões por parte dos japoneses. Isto acabou por criar um
compreensível sentimento antinipônico entre os coreanos.
Apesar
de ser o país mais próximo do Japão (apenas 2 horas
de avião de Tóquio), a Coréia é completamente
diferente. A começar pela escrita: é a única população
no Sudoeste Asiático que não utiliza o caracter chinês
- o hangul foi criado na Coréia como forma de protesto
aos chineses, que também invadiram o país várias
vezes.
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Mari
Hirata
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Macarrão
(Bibim naengmyon)
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Se
as antigas gerações compreendem um pouco da língua
japonesa, os jovens se interessam pelo
inglês. É o país asiático mais conectado
à internet (infelizmente, a maior parte dos sites é
em hangul!).
Reservar um hotel
menos luxuoso é impossível: apesar dos preços mais
em conta do que no Japão, com telefones de última geração
(com visor e internet), os banheiros são arcaicos!
Cozinha mais informal
Fisicamente,
os coreanos são os asiáticos mais parecidos com os japoneses.
Mas a semelhança pára por aí. Seu caráter
aberto e extrovertido é bem diferente dos habitantes do país
do sol nascente. Isto, é claro, reflete-se na cozinha, mais
direta e menos cerimoniosa, que está deliciando os jovens no Japão.
A cozinha coreana
teve mais influência dos mongóis do que dos chineses, o que
originou uma cozinha sem wok ou frituras, mais afeita aos ensopados
e grelhados. O korean barbecue (porções
de carne fina grelhada) é o mais conhecido prato coreano no
exterior, mas no próprio país consome-se bem menos carne.
A base da cozinha coreana é vegetal, com uma variedade de legumes
acompanhando cereais, principalmente o arroz.
| Mari Hirata |
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Kimchi
de acelga
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Chefs mulheres
O que mais me impressionou em minha recente visita ao país foi
o fato de que 80% dos restaurantes de cozinha coreana têm chefs
mulheres. Viva! Depois do domínio masculino entre as panelas
no Japão e a França, isso faz bem!
A explicação para o fato não é o feminismo:
a cozinha coreana é basicamente familiar, qualquer coreano afirma
que o melhor restaurante é a sua própria casa, e a melhor
chef, sua mãe.
Na cozinha japonesa
o arroz é o principal prato, e os acompanhamentos só servem
para realçar seu sabor. Já na Coréia, o prato
mais importante é o kimchi, uma conserva de legumes apimentada.
Sem ela, tudo fica sem sabor, como se o kimchi fosse o tempero
de todos os pratos. Esta conserva é também digestiva,
pelo fato de ser fermentada. (Os coreanos se preocupam com a saúde,
mais ainda do que os chineses, o que explica colocar em quase todos os
pratos raízes ou ervas medicinais, como o ginseng.)
É impossível entender e apreciar a cozinha coreana sem kimchi.
Ainda hoje, cada família
prepara seu próprio kimchi, conservando-os em grandes vasos
de cerâmica enterrados no jardim. Nas grandes cidades, todas
as casas têm 2 geladeiras, uma delas reservada ao kimchi.
Apesar da aparência e do aroma, um bom kimchi tem gosto delicado
e adocicado. Sugiro o kkakdugi (feito com o delicioso nabo
coreano) ou o tradicional baechu, feito de acelga. Para
os que gostam de sabores fortes, o kimchi feito de folhas de gergelim
(kkaennip) é maravilhoso! Como todo produto fermentado,
ele tem gosto diferente em cada época: jovem, é consumido
como salada; envelhecido, torna-se mais ácido e é usado
como tempero em ensopados e grelhados.
| Participe!! |
Para os que querem
saber mais sobre o kimchi sugiro o site
www.kimchi.or.kr, que além
de explicações tem ótimas receitas!
Para os felizardos
que irão à Coréia na Copa, tenho bons endereços
de restaurantes autênticos.
Me escrevam que os enviarei. (Vou logo avisando que é muito
difícil encontrar um restaurante, pois quase tudo está
escrito em hangul, mas vale a pena!)
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Mari
Hirata
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Kimchide
nabo
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Não se esqueçam de comer também nas barraquinhas
de rua - elas mudam o cardápio em função
das horas. Outro bom endereço para conhecer a cozinha coreana é
o subsolo das lojas de departamentos, onde, além de comprar pequenas
porções para levar (take out) há espaços
para se comer por lá (eat in). Nestes últimos, recomendo
os noodles coreanos: feitos de farinha de sarraceno (como o
mulnangmun), este macarrão vem em um delicioso consomê
de rabo de boi - tudo bem frio, ideal para a época da Copa,
quando a temperatura e a umidade na Coréia diminuem o apetite de
qualquer um!
Aproveito para dar 2 receitas da cozinha coreana, fáceis de preparar,
para deixar um gostinho de como ela é...
Receitas:
Kimchi
express (conserva de legumes coreana)
Porco
cozido com molho coreano (yannin)
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Mari Hirata
é chef de cozinha brasileira radicada no Japão, onde prepara
a instalação de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br |
Publicado em:
04/04/02
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