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Cozinhar / À Mesa com Mari Hirata
Por Mari Hirata, do Japão
Wasabi, termo
japonês, significa "rosa das montanhas". Talvez pela coloração
púrpura das folhas quando jovens, pois sua floração
branca e delicada em nada lembra uma rosa. Como o nome diz, é encontrado
ainda hoje nas montanhas, no leito dos rios de água gelada
e límpida. Não é à toa que o melhor wasabi
vem da região de Shizuoka, aos pés do Monte Fuji, e pode
chegar a custar U$ 50 a unidade (de cerca de 40 gramas).
Durante muito tempo restrito aos restaurantes gastronômicos ou sushiyas (casas de sushi) de renome, o wasabi fresco sempre foi, para mim, sinônimo de algo raro e caro, como as trufas italianas. Nós, simples mortais, consumíamos o wasabi em pó ou pasta (este último, acondicionado em tubo). O wasabi em pó, vendido em pequenas latinhas, deve ser misturado à água e permanecer em repouso por alguns minutos para que desenvolva seus aromas (na verdade, seu gosto e aromas são medíocres e ficam bem longe se comparados ao original). Há mais mostarda que realmente wasabi. O wasabi
em pasta, criação mais recente, deve ser conservado
em geladeira logo depois de aberto, e seu sabor, aparência e aroma
(este último, muito importante) aproxima-se mais do fresco. Pele de tubarão O nama wasabi
em tubo ("nama" significa fresco) é ainda de melhor
qualidade, apesar de conter raiz forte e colorante, entre outros. Claro
que nenhuma destas opções se compara ao delicado aroma e
à textura cremosa de um wasabi fresco recém-ralado. Sua
estrutura é tão delicada que, para sentir realmente seu
aroma e gosto adocicado, é preciso um ralador especial, feito
de pele de tubarão. Corta-se o caule e retira-se a casca espessa
com uma faca. Depois, o wasabi é ralado em movimentos circulares,
o que permite cortar todas as fibras e obter uma pasta cremosa.
Com a modernização da agricultura no Japão de nossos dias, o wasabi fresco se tornou acessível, e podemos encontrar sua raiz por US$ 2 ou 3 dólares (até mesmo U$ 1, se for importado da China). O problema com o produto chinês é a total ausência de aroma...aliás, como a trufa chinesa, que causou tanta ira no ambiente gastronômico francês. Deve ser o "terroir". Já o wasabi nada perde ao ser cultivado. Já experimentei o selvagem e seu gosto extremamente picante acaba escondendo o dos outros ingredientes.
Receitas: Carpaccio
de linguado em salada e vinagrete de wasabi
Publicado em: 01/08/01
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