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Cozinhar
/ À Mesa com Mari
Hirata
| Mari
Hirata |
Por
Mari Hirata, do Japćo
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Proliferam os fast-foods
à japonesa no outro
lado do globo de
sushis em esteiras rolantes
a espetinhos de frango
made in brazil
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Gyudon,
prato de fast-food
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Nesses tempos de crise,
tenho observado uma grande transformação nos restaurantes
de todas as vertentes no Japão. Os caros estabelecimentos de
comida japonesa estão desaparecendo: permanecem apenas os mais
tradicionais. Quanto aos restaurantes franceses, muitos foram substituídos
pelos italianos, e pequenos restaurantes familiares viraram cadeias de
fast-food.
É sobre os
fast-food daqui do Japão que vou falar. Existem os velhos
conhecidos, tipo McDonald`s e outros, que nem preciso comentar. Mas existe
uma série de restaurantes tradicionais que são, de certa
maneira, um fast-food à japonesa, já que em alguns
minutos se faz uma refeição com preços módicos.
Refeição
em 10 minutos
Os japoneses sempre comeram rápido, e a maioria não gasta
mais do que 10 minutos para fazer uma refeição. E isso não
é recente. O próprio sushi foi, no século passado,
uma espécie de fast-food, pois se comia na rua e em
pé. Na verdade, a origem talvez venha das próprias barraquinhas
em plena rua, que estão sempre presentes nos países asiáticos
e fazem comida rápida e barata (mas com muito mais sabor
do que um Big Mac).
Dessas origens surgiram
as cadeias de fast-food que existem em todas as esquinas japonesas.
Restaurantes como Yoshinoya (cadeia sem emsas, só com balcão,
que só serve gyudon, fatias de carne sobre arroz), as cadeias
de lamen (sopa de macarrão chinês) e kaitensushi
(shushi em uma esteira rolante), o Gindako (loja de fast-food em
que se come em pé os takoyaki, os bolinhos de polvo)...
Comida rápida e barata, mas sem os problemas de higiene que
existiam nas barraquinhas de rua.
Vou tentar descrever
essas lojas, com o detalhe de que todas têm um nível gastronômico
alto em relação aos preços que, em média,
são de 5 dólares (o
mesmo preço de um McDonald`s).
Os (pratos de) fast-food
Gyudon: fatias finas de carne de boi cozidas com açúcar
e shoyu, temperadas com gengibre e colocadas sobre uma tigela de arroz
branco. Uma espécie de sukiyaki fast-food muito bom, que
mata a fome! Fácil de fazer em casa (dou a receita abaixo).
Lamen ou ramen: Há anos considerado
o prato número 1 dos japoneses. Muito diferente dos lamens
instantâneos, as lojas que vendem esse macarrão estão
sempre lotadas! O macarrão de origem chinesa, às
vezes enriquecido com ovos, é fino e firme. É mergulhado
em um caldo rico (feito de ossos de porco e galinha) e perfumado com legumes
e aromáticos. Tem um sabor extremamente complexo, muito difícil
de ser reproduzido em casa, e custando entre US$ 4 e 7 (está justificada
sua popularidade!)
Sushi: antigamente era luxo. Comer sushi significava festejar algo
especial. Nos anos 80, com a "bolha econômica", todo mundo
ficou rico e comeu-se sushi como nunca neste país. Atualmente,
mesmo sendo tempos difíceis, ninguém deixou de comer sushi.
Mas os antigos restaurantes de sushi com balcão se fazem cada vez
mais raros, a maioria foi substituída por restaurantes maiores,
em que, à frente dos clientes, desfilam pratos de sushis numa
esteira rolante, numa espécie de self-service. A conta
é paga considerando-se os pratos empilhados (dependendo do sushi,
o prato tem cores diferentes e, portanto, preços diferentes).
Apesar de algumas
cadeias de kaitensushi usarem máquinas para prepará-los,
a maioria (felizmente) dos sushis ainda é feita manualmente. Cada
prato contém 1 par de sushis, e o preço médio do
prato é US$ 1. O chá verde e a sopa de miso são
de graça.
Antigamente, meu maior medo ao entrar em um restaurante de sushi era a
conta - sem menu ou preço escritos, a refeição
poderia virar um pesadelo! De certa maneira, os kaitensushi
democratizaram um dos pratos mais apreciados pelos nativos.
| Mari
Hirata |
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| Yakitori
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Yakitori:
espetinhos de frango assados em fogo de carvão, temperados com
shoyu e muito popular como aperitivo. Em um fim de tarde, em qualquer
canto de Tóquio pode-se encontrar barraquinhas ou pequenas lojas
que vendem cada espetinho por menos de US$ 1, ótimos para acompanhar
um bom saquê ou cerveja gelada. Grelhá-lo no carvão
dá um gosto muito bom, que esconde a mediocridade da carne
de frango (70% made in Brazil), ainda que existam algumas lojas
que só utilizam frango caipira japonês fresco.
É um prato
fácil de fazer (também dou a receita). Tentem
no próximo churrasco familiar, vai fazer sucesso!
Takoyaki: bolinhos feitos com uma massa de farinha e ovos, assados
em fôrmas de ferro e recheados com pedaços de polvo cozido.
Como tempero, usa-se gengibre, cebolinha picada, molho inglês e
lascas de peixe seco. É muito apreciado pelos jovens, e
exige placa de ferro especial para assa-lo. Logo, não vale a pena
dar a receita mas, se tiverem oportunidade, experimentem!
Apesar de o Japão ser um país com custo de vida alto, come-se
bem e barato na rua. Sai caro cozinhar em casa, por conta do preço
dos ingredientes no varejo. Isso explica o sucesso dos fast-foods.
E lá se vai o mito do Japão saudável!
Receitas:
Gyudon
(beef bowl ou carne de boi com gengibre sobre arroz)
Yakitori
(espetinhos de frango)
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Mari Hirata
é chef de cozinha brasileira radicada no Japćo, onde prepara
a instalaēćo de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br
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