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Cozinhar / À Mesa com Mari Hirata
Todas as festas de infância estão relacionadas a um prato ou doce especial. Mesmo que atualmente não apreciemos mais seu sabor, a lembrança ficou gravada para sempre: o brigadeiro de aniversário, o peru do Natal, o quentão das festas juninas... Cada família tem suas datas e receitas e, assim, vai construindo um histórico gastronômico conforme suas raízes e religiões. Em casa, sempre procurei adotar o maior número de festividades, principalmente com filhos pequenos. É uma boa desculpa para preparar algo especial e reunir a família e os amigos. Com o passar do tempo, as festividades japonesas somaram-se às minhas brasileiras e às francesas (moramos 6 anos em Paris). Depois de um Natal
internacional e um Ano Novo (ano da serpente) bem oriental, agora é
a vez da Festa de Reis (que acontece no primeiro domingo de janeiro).
É uma das festas preferidas aqui em casa, talvez mais pela galette
de rois do que por razões religiosas!
Rei do dia Na França se
consome a galette no decorrer de todo o mês de janeiro
eles têm razão, pois é muito saborosa. Segundo a "Larousse
Gastronomique",
a galette de rois é consumida desde a época dos
romanos e, já naquele tempo, colocava-se uma fava seca dentro
da iguaria para escolher o "rei do dia". No sul da França,
assim como na Itália e na Espanha, a galette é feita
de pão doce em forma de coroa, decorado e recheado com frutas
cristalizadas. Em Paris, é preparada com massa folhada, recheada
com creme de amêndoas: é essa a galette que preparo
em casa, deliciosa! Janeiro é o mês ideal para se fazer massa folhada no Hemisfério Norte. No Brasil, aconselho comprá-la pronta (apesar da má qualidade), pois é muito difícil fazê-la no calor - a não ser que seja em uma cozinha com ar condicionado. A massa folhada é o que a arte de cozinhar tem de mais mágico! Cada vez que sua execução dá certo, me dá aquela satisfação de trabalho bem feito! Minha receita preferida de massa folhada é a de Pierre Hermé e está em seu livro "Plaisirs Sucrés". Chama-se massa folhada invertida e, como diz o nome, é a parte amanteigada que embrulha a massa de farinha. Apesar de a receita parecer complicada, é mais fácil do que o método tradicional, se forem seguidas algumas regras básicas, como deixar descansar por 1 hora e meia depois de cada volta, e confeccionar em ambiente frio. O creme de amêndoas
pode ser substituído, trocando-se as amêndoas da receita
por coco ralado fresco. Fica ótimo! E, em lugar da figurinha de
porcelana, pode-se colocar feijão ou fava seca, como na época
dos romanos!
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