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Cozinhar
/ À Mesa com Mari
Hirata
| Mari
Hirata |
Por
Mari Hirata, do Japão
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Mari
Hirata visita o Spoon,
filial do restaurante do chef que
chega ao Japão sem ingredientes
asiáticos de sua cozinha fusion , e
dá 2 receitas inspiradas na
cozinha de Ducasse
e do restaurante Nobu
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Sashimi
ao estilo Nobu
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Claro
que o Japão é um do centros da globalização.
Tudo o que se vende no mundo está por aqui: todas as marcas possíveis,
da última novidade em sabão em pó (que não
é mais em pó, mas um cartão de papel, do tamanho
e da espessura de um cartão de crédito) ao Beaujolais Nouveau
2000, que recebemos antes mesmo dos franceses (questão de fuso
horário).
Starbucks há
em todas as esquinas, com cafés e pães (que saudade de uma
padaria na esquina pra tomar pingado com pão na chapa, e
daquela variedade de pães, doces e salgados...!)
Mas não é
só de fast food que falo. Os estrelados franceses estão
em peso por aqui. O mais recente é o superestrelado Alain Ducasse
e seu Spoon (a terceira filial do restaurante, depois de Paris e Nova
York). A idéia da cozinha fusion fez furor em Paris
há 3 anos - aqui, nós chamamos fusion de "cozinha
sem nacionalidade", tendência que mistura de tudo, com predomínio
de ingredientes asiáticos e com sotaque americano!
Cardápio
combinado
O cardápio do Spoon tem 3 colunas ao lado de cada prato
- com sugestões de molho, acompanhamento e modo de cozimento -
para que o cliente monte o seu. Por exemplo, o pargo tem opções
de ser preparado no vapor, na grelha ou assado, pode vir acompanhado de
molho de manteiga, molho chinês ou um meio italiano, e pode ser
degustado com legumes chineses salteados, tabule ou compota de 3 tomates.
Geralmente, a sugestão
do chef é comer o prato com os preparos e acompanhamentos que estão
dispostos na mesma linha horizontal das colunas. Mas, se no caso do pargo
você detestar tomates, pode fazer associações diferentes
(a responsabilidade é sua!)
O
Spoon de Paris
Lembro-me de ter esperado quase 1 mês para conseguir uma reserva
no Spoon de Paris, e não me decepcionei: o ambiente era agradável,
as idéias eram inovadoras e a execução, perfeita,
sem que se pagasse o preço de outros restaurantes de Ducasse (como
o Louis XV de Mônaco e o Alain Ducasse em Paris ).
Aqui em Tóquio
esperei ansiosamente para ver como seria a concepção do
chef Ducasse nesta capital gastronômica (a cidade tem o maior
número de restaurantes do mundo), tão exigente e volúvel!
O Spoon do Japão
Apesar do ambiente mais refinado do que o de Paris, o serviço bem
melhor e o menu mais chique, o Spoon de Tóquio perde um pouco daquele
bom humor característico - ele se leva muito a sério.
A tendência asiática da fusion desapareceu por
aqui, o que foi bom, pois o público japonês é
muito sensível à dosagem de shoyu e seus derivados e aos
salteados no wok (que também sumiu). O que se vê é
uma predominância clássica e um pouco meridional,
típica de Ducasse.
Apesar da perfeição
tanto na apresentação quanto no ponto de cada prato, o bom
humor desaparece por completo quando chega a conta: um almoço de
US$ 150 por pessoa, com vinho em taça, entrada (uma massa)
e prato de 100 gramas (!) de vitela.
Em
busca do toillete
Mas o pior de tudo foi minha busca por um toillete... não
tinha! Era para usar o comum, do prédio... Talvez não seja
por acaso que, em plena sexta-feira, estivéssemos praticamente
sozinhos (havia um casalzinho nos fundos do salão, com cara de
quem entrou no restaurante errado)! Acho
que perdoaria tudo isso se o restaurante fosse em Tóquio, mas
na cidade vizinha de Chiba, na entrada da Disneyland Tokyo e dentro
de um shopping foi demais!!
Adorei
o Nobu
Já me decepcionei menos com o Nobu Tokio, aberto há
mais de 1 ano em ótima localização (Tóquio
é extremamente grande, por isso a localização é
importante).
Adorei os pratos japoneses com toques sulamericanos (sashimi com
molho de ceviche peruano, bife de Kobe com molho de pimenta mexicana
e os sushis bem californianos, sem exageros).
Tudo bem dosado, combinações
felizes... Talvez as porções fossem "japonesas"
demais (pouco generosas) mas, tudo incluído (o almoço ao
preço de US$ 80 por pessoa, com vinho em taça), valeu
a pena! Mas não é uma sugestão para
turistas, pois se come muito melhor e mais barato em qualquer restaurante
japonês tradicional.
Minhas receitas
hoje são inspiradas nos 2 restaurantes de que falei: o sashimi
a la Nobu agrada a qualquer paladar, com peixes não totalmente
crus e molho bem temperado. E a sobremesa, creme de mascarpone ao chá
verde, cuja inspiração vem de uma semelhante, degustada
no Spoon de Tóquio.
Receitas:
>>Sashimi
estilo Nobu
>>Creme
de mascarpone ao chá verde
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Participe!
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Gostaria
de falar nesta coluna dos restaurantes maravilhosos a que vou
por aqui, mas é tudo tão longe do Brasil que não
vejo meus leitores anotando tudo para quando vierem a Tóquio...
Estou certa ou não? Me digam vocês...mari@basilico.com.br
E se por
acaso alguém vier para cá, pode me escrever que darei
os endereços com prazer! |
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Mari Hirata
é chef de cozinha brasileira radicada no Japão, onde prepara
a instalação de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br
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