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Cozinhar
/ À Mesa com Mari
Hirata
Por
Mari Hirata, do Japão
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Mari
Hirata
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Nossa
colunista visita Taiwan,
na China, relata um pouco
da gastronomia de rua da ilha e
dá a receita de dim sun, o bolinho
cozido no vapor
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O
bolinho chinês dim sun
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Apesar
de mais de 10 anos no Japão, me dei conta de que não conhecia
nenhum outro país asiático. Quanto mais me aprofundo nos
mistérios da cozinha japonesa, mais percebo a influência
chinesa. Acho
que me deixei influenciar um pouco pela atitude japonesa de considerar
melhor seu produto final, a essência oriental. É verdade
que, nas mãos dos japoneses, a cozinha chinesa, coreana e tailandesa
são transformadas em algo delicado e sutil.
Nessas férias
de verão, deixei de lado a Toscana e lá estávamos
nós, a apenas 2 horas de avião, em Taiwan. Depois
que Hong Kong voltou a ser território chinês,
ela deixou de ser a capital gastronômica da cozinha chinesa
- não foram só
os milionários e os estrangeiros que deixaram a ilha, mas muitos
dos melhores chefs partiram também. Taiwan restou como único
território independente da China.
Night
market
Recentemente, porém, Taiwan começou a atrair turistas
muito por conta de sua cozinha de alto nível e preço
baixo, que dá a oportunidade de se saborear uma amostra das
diferentes províncias chinesas. Não
fui à procura da cozinha estrelada ou imperial estas, posso
saborear nas melhores capitais do mundo. O que eu queria era experimentar
a comida do night market barraquinhas
que surgem no meio da rua, em bairros da periferia, em que a variedade
de tipos de comida é impressionante.
Nesses tempos de globalização,
foi uma delícia constatar que não havia Coca Cola, hambúrguer
ou batata-frita, que as bebidas nas barraquinhas eram chás de vários
tipos e sucos de frutas frescas, realmente exóticas. Fiquei
impressionada com a
falta de bebidas alcoólicas. Os chineses levam realmente
a sério a questão da saúde, tudo é bem explicado:
para qual parte do seu corpo serve tal alimento, que doença combate
esta raiz ou erva..
Tartarugas
e escorpiões
Mas os pratos eram
demais... Cada barraquinha tem sua especialidade: todos os ingredientes
frescos alinhados em frente a cada uma delas, e um fogo fortíssimo
ao fundo, com o wok (a frigideira chinesa de saltear) pronto para
receber os ingredientes escolhidos...
Caranguejos, abalones,
camarões, rãs... e tudo muito vivo! Para os que tem preferências
mais exóticas, cobras, javalis, tartarugas e escorpiões...
Não para mostrar na TV, estavam lá mesmo, esperando para
serem degustados! E o preço médio dos pratos? 3 dólares!
Dim
sun
Mas o que achei melhor foram os dim sun centenas de bolinhos
recheados e cozidos no vapor, assados ou fritos, feitos na hora, na frente
do cliente. A rapidez era a de um David Coperfield, o recheio em que
a terra e o mar se misturam, pronto no vapor. Na
primeira mordida, todo aquele caldo, quente e perfumado, entra
pela boca... E a massa, bem macia, um pouco elástica e muito fina...
Que experiência!
Por isso, vou dar
2 receitas: uma delas é a de bolinhos recheados no vapor
(é um pouco trabalhosa, mas vale a pena!). Melhor ainda é
ir a Taiwan...
Se você quiser detalhes, endereços ou mais receitas, me
escrevam!
Receitas:
>>Sho
Ron Poh
Um tipo de ravioli chinês cozido no vapor, recheado com carne
e caldo. O segredo é fazer uma sopa gelatinosa e sólida,
que possa rechear. Use bastante galinha na sopa e cozinhe por,
no mínimo, 6 horas. Utilize a gelatina natural dos ossos. Para
facilitar, uso gelatina em pó e caldo de galinha (que pode ser
substituído por caldo
em cubinhos).
>>Salada
de frutas chinesa
Depois da refeição, os chineses dão preferência
às frutas, a maneira mais popular
de a terminarem! A tapioca (nosso sagu) é muito ultilizada
e existe em vários tamanhos. As frutas variam muito e, por isso,
fiz essa sobremesa com o que achei aqui no Japão. No Brasil, vocês
não terão dificuldades na escolha...
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Mari Hirata
é chef de cozinha brasileira radicada no Japão, onde prepara
a instalação de um novo restaurante em Tóquio
e-mail: mari@basilico.com.br
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