A
história do forno mistura-se à do pão e à da
panificação, talvez uma das artes mais antigas, com
origem nos primeiros documentos históricos. Há indícios
arqueológicos e registros de sua existência desde
3.200 a.C.
Os fornos a
lenha, pedra e carvão, construídos em
pedra, barro ou tijolos, marcaram o início de uma evolução.
Os primeiros registros de fornos parecidos com o que conhecemos
hoje surgiram na Alsácia, no século 16, feitos de
tijolos e azulejos. Mas o forno como um equipamento fundamental
de cozinha aparece realmente mais tarde, na preparação
de carnes, assados, doces e sobremesas, além de ser importante
para aquecer ou manter alimentos aquecidos.
Indispensável em qualquer cozinha, produz diferentes resultados
de cocção, sendo que a maioria destes cozimentos
seria impossível de ser atingida por outra forma de transferência
de calor. O calor, princípio básico usado na cocção
de alimentos, atua de maneira indireta no forno e envolve o alimento,
cozinhando de forma suave e homogênea. De acordo com a técnica
utilizada, podemos obter desde um pudim ou bolo úmido (quando
assamos em banho-maria), até batatas crocantes e douradas,
resultado de calor seco à temperatura elevada.
Hoje em dia,
os diferentes materiais utilizados e a variação
das fontes de energia (de lenha a ondas eletromagnéticas)
indicam o forno mais adequado para cada tipo de produção:
1) O
forno convencional, aquele que encontramos nos fogões
da nossa casa, tem a fonte de calor situada na base do forno (embaixo).
O calor é conduzido através de cavidades na base
do forno, e o alimento fica em grades suspensas. Podem ser a
gás ou elétricos. Ambos também podem ter,
além da fonte de calor inferior, uma outra superior, que
possibilita gratinar os alimentos rapidamente.
2) O
forno de convecção tem ar aquecido,
forçado por uma ventoinha que distribui melhor e por igual
o calor, cozinhando o alimento mais rapidamente que
os fornos convencionais. Ótimo para carnes assadas pouco
sensíveis e produtos que precisam de crosta e coloração.
3) O forno
combinado é usado apenas em cozinhas semi-industriais
ou industriais, pelo alto custo e espaço que ocupa. Combina
calor seco simples, ventilado, e cocção com adição
de umidade em diferentes porcentagens, possibilitando inclusive
a cocção totalmente no vapor. Possui ainda
um termômetro para a medição da temperatura
interna dos assados (ideal para produção de um assado
perfeito) e softwares onde se pode programar o tempo de cocção,
diferentes temperaturas e ainda a combinação de calor
seco e úmido em uma só produção.
Há ainda
os fornos especiais, desenvolvidos apenas para um determinado
tipo de produto, como fornos de pizza e o tradicional Tandoor
indiano. Este último, de barro, utiliza carvão e
mantém a umidade e o sabor dos alimentos. Há ainda
fornos exclusivos para cocção em baixas temperaturas
(designados para desidratação de alimentos crus),
defumadores, além do forno de microondas, que cozinha o
alimento por calor resultante da movimentação das
partículas de água contidas nos alimentos, após
serem agitadas por microondas.
Dicas:
- Preaqueça
o forno sempre antes de usar
- Para produzir
um assado perfeito (carnes e aves de tamanho grande), inicie
a cocção com o forno em temperatura alta;
doure a carne por fora e depois reduza o fogo, possibilitando o
cozimento interno da peça (e nunca o contrário)
- Para um assado
com menos cor e mais umidade, cubra-o (com papel-alumínio
ou similar)
- Para um assado
com mais cor e menos umidade, asse aberto ou cubra no início do cozimento (se a peça for grande)
e retire próximo ao final, para que ganhe uma cor dourada
- Para desidratar
alimentos no forno, utilize termômetro
e controle a temperatura em, no máximo, 80ºC. Caso
seja necessário, ligue e desligue o fogo para manter a temperatura
baixa
- Sempre descanse
a peça de carne que acabou de ser assada
por pelo menos 20 minutos, envolta em papel-alumínio (para
não perder o calor), para que seus sucos sejam reabsorvidos
e não se percam no primeiro corte
- Ao assar
um bolo ou suflê, tome muito cuidado para que
não haja grande perda de calor durante a fase de crescimento
e consolidação do alimento (normalmente os primeiros
25 minutos). Daí vem a crença de que não se
pode abrir a porta do forno ao assar um bolo. Na realidade, o que
não se pode fazer é mantê-la aberta muito tempo
ou fechá-la com força, permitindo a entrada de muito
ar frio e, conseqüentemente, a queda de temperatura

O jornal Foco Escola Wilma Kövesi é uma publicação
da Escola Wilma Kövesi de Cozinha, atualmente coordenada por
Betty Kövesi Mathias, com a participação dos
chefs Carlos Siffert, Carole Crema e Gabriela Martinoli.
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