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Por Wilma Kövesi
A professora de culinária
Wilma
Comida de hospital gourmet?
A evolução, quem diria, atingiu também a comida servida em hospitais, alguns deles quase 5 estrelas - o "quase" fica por conta da chatice dos exames, dos controles constantes, da inexistência de piscinas e demais etceteras, mas deixa isso prá lá. Aproveito o gancho de um concurso de gastronomia entre hospitais que aconteceu recentemente, instituído por uma multinacional de produtos alimentícios, para abordar o assunto, que poderá parecer inusitado, para não dizer estranho aos internautas gourmets do Basilico. Por razões que a vida traz, consumi umas tantas destas refeições; portanto, sinto-me no direito de expressar minha opinião, baseada em recente experiência. O paciente (termo muitíssimo adequado) sem restrições alimentares é encorajado a bater um papinho com a sempre solícita nutricionista, que se esforçará (às vezes, sem resultado) para atender aos seus pedidos. Há também a possibilidade de se optar pela dobradinha "spa-hospital", pedindo refeições de baixas calorias. Frango
e seu cozimento impiedoso Os grelhados, por razões plenamente explicáveis e compreensíveis, surgem constrangidamente secos, mas um bife de panela consegue ser saboroso, macio, quase digno de qualquer boa cozinha caseira. O picadinho de carne moída, gostoso, acompanhado de cenouras em rodelas cortadas mais grosso, talvez por não ter molho (no caso, supérfluo) vinha acompanhado também de um purê de batatas de textura grudenta, certamente causada pela inexistência da manteiga e pelos desmandos de um potentíssimo processador. As coisas se complicam com o filé de frango, que todas as limitações no preparo, foi escolhido como o ingrediente chave do prato que concorreu ao concurso. Em cubos, com um suave e saboroso molho rosado à base de pitangas, fez bela figura, juntamente com seus acompanhamentos - 3 nobres aspargos frescos amarrados com talo de salsa e espinafres refogados em azeite, além de batatas coradas. Médico-cozinheiro Por todas as razões inerentes ao preparo de comida nos hospitais, como as grandes quantidades, as exigências de temperaturas mínimas,os graus de cozimento, as limitações no uso dos temperos e o acondicionamento nas bandejas térmicas, não se pode esperar a qualidade de um prato "feito na hora", com todos os cuidados e exigências da boa e verdadeira cozinha. Deixemos de lado agora tanto o aspecto gourmet quanto o das dietas restritivas, para fazer algumas considerações de outra ordem (que até poderia ser a ordem prática). A comida de hospital muito ganharia se as nutricionistas conhecessem pelo menos a boa cozinha caseira.
Pudim
de pão Por que ninguém se lembra de fazer um bom pudim de pão (cozinha de hospital pode aproveitar sobras de pão?) ou de laranjas? Um dia, quem sabe... Finalizo dando ao
boa-praça do meu confrade cozinheiro os meus entusiasmados parabéns
pela enorme dedicação e não totalmente inglória
tarefa, e às gentis e tão empenhadas nutricionistas o meu
reconhecimento pela complicado encargo de
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