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| Cozinhar /
Jornal Wilma Kövesi |
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Por Wilma Kövesi
| Divulgação |
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| Wilma
Kövesi em sala de aula |
Nesta edição do jornal, Wilma Kövesi
fala sobre a incoveniência
de pratos quentes no Natal
brasileiro e dá receitas charmosas
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Artigo:
Imitações ou inovações?
- Dica
da Wilma:
Medidas padrão
- Receitas:
Calda Caramelo de
Maracujá
--------------- Sopa gelada
de siri
--------------- Farofa com
bananas, maracujá e bacon
- Notícias:
aula para crianças nas férias
Imitações
ou inovações?
Certa vez, uma conhecida me abordou para pedir sugestões de pratos
novos para o Natal, alegando - como muitos - que não agüentava
mais servir a pantagruélica confusão habitual. Para não
ser indelicada, dei uns poucos palpites e, depois de efusivos agradecimentos,
veio o desabafo quase raivoso de que não conseguiria se livrar
do cappelletti in brodo e de todas as outras comidas tradicionais
às quais seus familiares estavam teimosamente habituados.
Acho válida
e meritória a introdução de qualquer novidade em
cardápios diários (sobretudo!) ou festivos. A verdadeira
paranóia do light e do diet dos dias de hoje trouxe,
além do lado indiscutivelmente saudável, novas formas de
cozinhar - que, independentemente do lado light, certamente abriram
novos horizontes e infindáveis possibilidades de inovações
e variações.
Herança
portuguesa
As aulas de cozinha para Natal e Ano Novo, tão concorridas, confirmam
esse interesse e a conseqüente necessidade de inovações
nesse campo. Inovações essas que, a meu ver, já deveriam
há muito ter sido adotadas.
Quase todas as nossas tradições gastronômicas de
festas foram herdadas dos portugueses ou copiadas dos norteamericanos.
As exceções ficam por conta da bûche de Noël,
vinda da França, e do christmas cake, originário
da Inglaterra, via Estados Unidos.
No Rio de Janeiro,
com considerável memória portuguesa, os cariocas nem pensam
em abdicar da herança do bacalhau e das rabanadas,
fritas (!!), quentes (!!!), polvilhadas de canela e quase sempre empapadas
de óleo. O tender também marca presença, como um
peixe fora d'água, para não deixar dúvidas quanto
à bagunça gastronômica.
Férias
ao tender!
Tem cabimento servir um fumegante cappelletti in brodo no Natal,
em nosso verão de 30 graus? Uma sopa gelada de siri não
seria mais adequada? Tem cabimento nos entupirmos de castanhas e frutas
secas enquanto suamos em bicas? Por acaso voltamos - se é que
fomos - da missa do galo em meio à neve e fustigados pelo vento
gelado?
Calorias por calorias
e colesterol por colesterol, por que não damos férias
ao tender e servimos um glorioso pernil ou lombo de porco, acompanhado
de farofa de bananas? No lugar de frutas secas e do invernal fruit
cake, por que não valorizamos os nossos doces e perfumados
abacaxis, mangas, uvas rosadas, que estarão em seu mais pleno
grau de maturação no Natal?
O
ponche, leve e gostoso
Sobremesas geladinhas, ou um sorvete de creme, servidos dentro de cocos,
acompanhados de caldas de caramelo, de maracujá, de laranja...
Quem não ganhou poncheira no casamento (há lindas, há
feias) pode usar uma bola de vidro, do tipo aquário, para servir
o esquecido e elegante ponche, leve e gostoso, usando as nossas frutas
(as vermelhas ficam bonitinhas dentro dos cubos de gelo).
Sobre
as festas caipiras
Nossas deliciosas e brejeiras festas caipiras, pelo menos as daqui de
São Paulo, foram travestidas em country: o mimoso vestido
caipira virou uma apertada calça jeans, a botina ganhou ponta,
salto e esporas, e essa gloriosa e autêntica fantasia de cowboy
ainda é complementada por cinto de medalhão e um enorme
chapéu de vaqueiro.
Os clubes se esqueceram das festas, e suas barraquinhas e fogueiras, da
quadrilha de tantos namoros, o milho verde e o amendoim foram preteridos
pelo hot-dog. O quentão, esse permanece impávido, ainda
não substituido pelo uísque Jack Daniel's, talvez por uma
questão de economia. Mas isso já é outra história...
Comida
de mãe
Aprendi com meus filhos e netos que comida da casa da mãe e da
avó é intocável, não pode variar muito. Deduzo
que os sabores, conhecidos e esperados, dão segurança e
aconchego, e integram a memória gustativa da família.
Se a comida da mãe
ou da avó é sempre distraídamente chamuscada, esse
sabor - ainda que nada agradável - fará parte das memórias
da infância. Mas, longe de mim sugerir uma nova gastronomia de pratos
chamuscados...
Finalmente, para evitar
maiores interferências (sushi de peru, salsa de gengibre com tomates
secos?), acho que já é tempo de voltarmos à "nossa"
cozinha de Natal e Ano Novo, devidamente adaptada aos tempos "saudáveis"
de hoje e capaz de, gostosa e alegremente, surpreender e agradar
todas as nossas pessoas queridas.

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Dica
da Wilma
Medidores-padrão
A
medida padrão de xícara no Brasil é equivalente
a 200 ml, ou seja, a quinta parte de 1 litro. A medida padrão
nos Estados Unidos equivale a 225ml, sendo essa a medida estampada
nos copos-medida refratários e muito utilizados no Brasil.
Qualquer preparação deverá ter os seus ingredientes
medidos sempre
utilizando os mesmos padrões. Ou seja, não é
recomendável medir, por exemplo, 1 xícara de farinha
de trigo em um tipo de medidor-padrão e 1 xícara de
leite em outro tipo de medidor. Certifique-se sempre de que seus
medidores, embora diferentes, tenham a mesma equivalência
de medidas.
Colheres-padrão
Podemos usar todos os tipos de colheres para servir, mexer etc.
No entanto, o resultado de uma receita depende muito das medidas
corretas de colher. Compare o conteúdo de uma colher de sopa
comum, usada na cozinha, com o conteúdo de uma colher-padrão.
Você irá perceber que são diferentes.
Outra dica: nunca assuma que 2 colheres de chá equivalem
a ½ colher de sopa. Se essa equivalência fosse correta,
a receita certamente pediria a ½ colher de sopa.
Pitada
Não existe medidor para pitada. Esta é uma medida
usada para ingredientes em pó ou granulados. Uma pitada é
a quantidade do ingrediente em questão que cabe entre os
dedos polegar e indicador.
Suspeita
(soupçon)
Menos que a pitada, suspeita equivale a uma sugestão do ingrediente,
sendo em geral utilizada para condimentos em pó.
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e-mail:
foco@basilico.com.br
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