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| Cozinhar /
Jornal Wilma Kövesi |
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Por Wilma Kövesi
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Wilma
Kövesi em sala de aula
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A
segunda edição do Jornal Wilma Kövesi traz dicas, receitas
e um artigo delicioso sobre a moda na gastronomia
Nesta
segunda edição do Jornal, Wilma Kövesi faz um artigo
sobre a moda e os modismos na gastronomia, como o desaparecimento do estrogonofe
dos cardápios de restaurantes. Nas dicas deste mês, saiba
as vantagens de se utilizar um batedor manual em lugar da batedeira. Receitas
fáceis com legumes e frutas completam esta edição,
além da programação de todos os cursos da escola.
Bom proveito!
Comida
em moda
Pois
é, a comida também é sujeita a modas e modismos.
Por motivos até
plausíveis - como a preocupação com a contagem de
calorias e o refinamento do paladar, alguns pratos (ou ingredientes) aparecem
e desaparecem, sem deixar vestígios. Reinam durante algum tempo
nas mesas "finas" e depois somem, para todo o sempre.
Coquetel
de camarão
O coquetel de camarão
e o estrogonofe nacionalizado, com molhos quase iguais (catchup,
mostarda, conhaque e creme de leite), surgiram na mesma época.
O primeiro estreou em nosso cenário gastrônomico provavelmente
trazido pelos primeiros turistas abonados, que foram aos EUA a bordo dos
constellations da Panair.
Todos os restaurantes e boates da moda o serviam, em taças especiais,
com gelo moído (e algumas vezes colorido). Depois, sumiu, muito
bem sumido. Seu lugar foi tomado pelo carpaccio - primeiro de carne,
depois de salmão e até de surubim.
O
sumiço do estrogonofe
Já o estrogonofe
(que nome mais feio!), segundo contam, surgiu da fome
de um nobre russo no meio da noite. Como todo sangue-azul que se
preza, despertou o cozinheiro sem a menor cerimônia. Este, pobre
coitado, valeu-se de umas aparas de carne, refogou-as com um pouquinho
de cebola, juntou creme de leite, cubinhos de tomate, páprica,
cozinhou batatas para acompanhar e foi correndo levar o prato ao conde
ou marquês Stroganov.
Naquele momento, quase histórico, o mestre-cuca de camisolão
e chinelas nem de longe imaginou os milhares de ávidos estômagos
que consumiriam "sua criação". Acompanhada de
spätzle, espalhou-se por todos os restaurantes russos
do mundo, chegando até o Russian Tea Room de Nova York, com a elegante
denominação de boeuf Stroganov.
Provavelmente considerada
muito sem graça para o nosso paladar, habituado
às pimentas e a um colorido mais acentuado, a versão
local omitiu a páprica e, num lance de "genialidade",
utilizou o molho do coquetel de camarão, resultando no estrogonofe,
hoje sumido dos restaurantes e de todas as festas com "prato quente",
mas que ainda persiste na cozinha caseira, preparado das mais diversas
formas, com filé de frango e até com leite de coco!
Salada
Waldorf
Sumiço igual
tiveram a salada Waldorf - chiquérrima em sua época - e
o
sanduíche em camadas longitudinais de pão de fôrma,
com recheios (entre outros)
de sardinhas amassadas, coberto de maionese e suntuosamente decorado
com fatias de ovos cozidos, azeitonas verdes e rodelinhas de rabanete
formando uma flor.
Pois é, tempos
de Panair, Cuba Libre, uísque com guaraná, lembranças
ainda
cantadas por Elis Regina... Bebericava-se o coquetel meia de seda
(licor de cacau, creme de leite e rum) e usa-se estolas de pele e chapéu.
Fico quase aliviada
em ver que já não se decoram pratos com as flores comestíveis...
Bonitinhas, é verdade, mas tão apelativas, dando um "chega
prá lá" aos singelos ramos de salsa, mas ainda bem
melhores do que os legumes esculpidos em formato de flor.
E
hoje?
- Salada que se preze
tem que ter radicchio e endívias.
- Qualquer coisa fica chique com funghi porcini, ou o seu
primo pobre, o shiitake.
- Queijo brie ou Camembert, derretido e servido com geléia
de framboesa
ou laranja é presença obrigatória em happy-hours.
- O salmão fresco, com seu tom rosado, está tomando
o lugar do haddock, principalmente nos pratos femininos. Será
que é por causa da cor?
- O pavê de todas as cozinheiras de forno e fogão foi rapidamente
desbancado primeiro pelo tiramisù e, cerca de 2 anos
depois, pelo crème brulée.
E agora? O que teremos?
Por mim, suspiro pelo dia em que nos recordaremos, com orgulho e estalando
a língua, dos bombocados, dos dourados e sedosos pudins
de queijo e de laranja, daquele pernil de porco temperado com amor
e sabedoria e assado bem devagar,
de uma torta feita com galinha mesmo, refogada e depois cozida, pingando
água aos poucos, para formar um molho encorpado.
Por falar em galinha, já lá vão esquecidos o perfume
e a textura de uma verdadeira canja de galinha caipira (e
não de um frango que se desfaz ao primeiro calor da panela).
E será que
nenhum padeiro desvairado vai se lembrar da receita de seu pai,
(de quem herdou a padaria e a transformou em múltiplas panificadoras
franqueadas) para o pão francês de antigamente, cuja
crosta, orgulhosa e dourada, estalava mas não cedia às pressões
dos dedos.
Vamos manter as esperanças...

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Dica
da Wilma
Utensílios
(manuais) de todos os dias
Raladores
De preferência de 4 faces e aço inoxidável,
para ralar tudo o que se imagina. Um dos usos mais práticos
- e menos conhecido - é o de revestir a face dos furos maiores
com filme plástico, para obter a raspa de laranjas ou de
limões.
O lado das lâminas é excelente para tirar lascas de
cenouras, beterrabas, abobrinhas e de queijos dos tipos parmesão,
gruyère etc.
Fouet
O fouet (batedor de fios de metal), de vários tamanhos, facilita
a emulsificação de molhos e a mistura perfeita de
ingredientes. É um excelente substituto da batedeira elétrica,
para bater uma pequena quantidade de creme de leite (para obter
chantilly) ou claras em ponto de neve. Embora com desempenho mais
lento do que o da batedeira, é, por isso, preferido por muitos
chefs, pois faz com que o creme chantilly conserve uma cremosidade
suave e as claras cheguem ao ponto de neve firme, cremosas e não
ressecadas.
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e-mail:
foco@basilico.com.br
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