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| Cozinhar /
Jornal Wilma Kövesi |
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Por Wilma Kövesi
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Wilma
(frente) em ação
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Em
seu jornal mensal, Wilma Kovesi
dá dicas preciosas
e uma receita, além de comentar
em artigos assuntos
contemporâneos e histórias da boa mesa
Esta
é a primeira edição do Jornal Wilma Kövesi, coordenado pela cozinheira,
autora, professora e proprietária da escola que leva seu nome. Entre os
assuntos deste mês, você vai se deliciar com um artigo escrito
por Wilma, que valoriza a simplicidade no uso dos ingredientes,
uma receita rápida e fácil de rabanetes e o lançamento de uma linha
de doces assinada por ela.
Ingredientes:
sofisticação e simplicidade
Quando comecei a trilhar um caminho profissional na gastronomia, começaram
a surgir os “grandes” cozinheiros, que invariável e entusiasticamente
se vangloriavam de seus brilhantes exercícios na cozinha com a
frase: “eu derrubo a prateleira de temperos”. No entanto, nunca davam
mais detalhes dos ingredientes que foram condimentados pelas especiarias.
Nenhuma menção às batatinhas douradas, perfumadas com um ramo de alecrim
fresco, ou às rodelas de abobrinhas refogadas rapidamente em azeite, alho
e alecrim. Nem mesmo citavam as costeletas de cordeiro grelhadas, com
molho leve e rápido, feito das raspas da frigideira e perfume de alecrim,
saboreadas no restaurante Côte d’Or, na Borgonha (França), e que eram
de suntuosa e sofisticada simplicidade.
Mulher
X homem na cozinha
Os pseudogourmets de 20 anos atrás certamente consideravam a salsa
e a cebolinha verde temperos plebeus, utilizados somente pelas mulheres
que, na opinião masculina, “até conzinhavam direitinho”, embora lhes faltasse
o toque de genialidade dos homens.
Esta frase define bem a diferença entre o homem e a mulher na cozinha:
“Se a mulher preparar uma carne com molho de doce de leite ela é louca.
Se o homem o fizer, ele é criativo.”
Mas voltemos aos primórdios da cozinha praticada como hobby pelos homens.
O grande modismo da época eram os flambados, praticados com grandes
floreios e que deveriam, sob pena de sério estremecimento de relações,
provocar os devidos “oh!” e “ah!”, além de um revirar de olhos.
Flambados
de antanho
O flambado mais chique era preparado com camarões em uísque, finalizado
com creme de leite e servido com arroz “puxado” neste molho. Não deixava
de ser saboroso, mas ficava a léguas de distância de um camarão com alho
e ervas.
Um pouco de manteiga ou um bom azeite extravirgem e um dente de
alho picado, ótimos ingredientes para grelhar camarões temperados rapidamente
com sal, pimenta-do-reino (moída na hora), e salpicados com farinha de
trigo.
Dourados, os camarões devem manter seu calor. Depois, passar pelo ato
supremo de flambar o fundo da frigideira com conhaque e, extinta a
chama, levarem um pouco de vinho branco, salsa, cebolinha, alecrim e tomilho
picados. Uma rápida aquecida faz, então, o casamento de sabores, e uma
judiciosa correção de sal e pimenta finalizam o prato. Acompanhe os camarões
com fettuccine fresco, passado rapidamente em azeite. E, por favor:
não adicione uma farta salpicada de queijo parmesão!
Cozinha
medieval
A cozinha medieval sufocava, pelo uso exagerado de temperos e especiarias,
os sabores e odores de carnes e aves não refrigeradas e um tanto
faisandés, termo utilizado para definir o processo de descanso
da carne de faisão antes do preparo. Às vezes exagerado, esse descanso
acarretava a utilização excessiva de condimentos.
A boa cozinha, hoje, é cada vez melhor e mais simples. Ao contrário da
cozinha medieval ou protagonizada pelos pseudogourmets de 20 anos atrás,
todos os que hoje cozinham regularmente chegaram à conclusão de que poucos
ingredientes, bem dosados e utilizados, fazem o sucesso de qualquer prato,
do mais simples ao mais elaborado.
O prazer de finalizar um prato bem-sucedido compensa a paciência nas demoras
do mexer, refogar, reduzir e outras tardanças da boa cozinha. Os verdadeiros
iniciados já conhecem as qualidades de uma rúcula tenra e de folhas pequenas,
de um peixe fresquíssimo, de um azeite extravirgem.
Nos dias de hoje...
O filé mignon não é mais considerado a única carne digna de ser
servida, embora poucos tenham aprendido a apreciar o saudável, modesto
e menosprezado músculo. As massas importadas mostraram as
qualidades do trigo de grão duro, utilizado hoje com sucesso também nas
massas nacionais. E mais e mais pessoas já as preferem cozidas al dente.
Os champignons de Paris perderam sua vã supremacia para os shiitake,
shimeji, pleurotus e outros tantos, cujo sabor e textura
têm mais personalidade. Os japoneses nos ensinaram que legumes e verduras
devem manter texturas e sabores, sem se desmancharem num atroz e demasiado
cozimento.
Portanto, todos os que cozinham têm à sua disposição produtos excelentes,
desde o perfumadíssimo manjericão ao mais nobre caviar. E podem ter todas
as possibilidades de produzir obras de arte culinárias que, embora efêmeras,
permanecem na lembrança como aquele doce com sabor de infância...

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Dica
da Wilma
Panelas
antiaderentes: sem gordura
As panelas e frigideiras com revestimento antiaderente são
ótimas para preparar grelhados ou para serem utilizadas em
qualquer processo de
cozimento que necessite de pouca ou nenhuma gordura. Mas
não servem
para preparar pratos que necessitem de raspas para compor o molho,
e não devem ser submetidas a temperaturas altas por muito
tempo
(pode danificar seu revestimento).
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Receita
Rabanetes
Brasados
Ingredientes
1/2 quilo de rabanetes pequenos (cerca de 1 maço), redondos, sem cabinhos,
escovados
2 col. (sopa) de manteiga
1 xíc. (chá) de caldo de galinha
2 col. (sopa) de salsa, bem picada
sal e pimenta-do-reino a gosto
Preparo
Em panela
de tamanho adequado para acomodar os rabanetes em uma só camada, ponha
os rabanetes, a manteiga, o caldo de galinha e leve a ferver.
Reduza bem o fogo, tampe a panela e mexa de vez em quando. Deixe cozinhar
por aproximadamente 10 minutos (ou até que o líquido esteja quase seco
e os rabanetes brilhantes).
Junte a salsa, o sal e a pimenta-do-reino e sirva imediatamente.
Rendimento: 7 porções
Tempo de preparo: 20 min
Execução: fácil
Custo: barato

Notícias
Wilma Kövesi assina linha de receitas doces Native
Resgatar o sabor de tradicionais doces brasileiros ao substituir o açúcar
convencional pelo orgânico. O açúcar orgânico Native vai lançar uma linha
de sobremesasassinadas por Wilma Kövesi. São 100 doces variados, como
pudim de leite à moda antiga, pudim de gengibre em rendados de aveia,
geléia de jabuticaba, chutney de abóbora, cocada e pé-de-moleque.
Produzido sem fertilizantes, defensivos ou aditivos químicos, o açúcar
orgânico Native vem nas versões claro e dourado.
Escola tem curso de cozinha profissional
Para os interessados em um curso semi-profissionalizante e de longa
duração, a Escola Wilma Kövesi de Cozinha criou “Fundamentos
da Cozinha Profissional”. O curso é dividido em 4 módulos (molhos,
peixes, carnes e confeitaria básica). Além da introdução aos princípios
básicos da cozinha profissional (higiene, segurança, utilização de facas,
tipos de corte e uso dos principais equipamentos), o curso apresenta os
técnicas clássicas e contemporâneas. De 12/9 a 3/10, sempre às
terças-feiras, a chef e consultora gastronômica Gabriela Martinoli
ministra o módulo sobre peixes. Entre os assuntos do curso, os vários
tipos de peixes e as diferentes formas de preparo, dicas de como comprar
e reconhecer o frescor do produto e técnicas de corte, limpeza e armazenamento.

e-mail:
foco@basilico.com.br
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