|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Por Mariquinha Schkolnick
A comida e o comer são de importância fundamental para um povo sofrido, espalhado pelo mundo, cuja história — inclusive gastronômica — sofreu influências de várias culturas, de ambientes e de situações vividas pelos judeus. Por exemplo: quando saíram do Egito, liderados por Móises (lembram-se da passagem bíblica do atravessar o Mar Vermelho?), os judeus levaram com eles ingredientes não-perecíveis, como um pão que não é fermentado chamado matza; dele se origina uma farinha, que é a base para a maioria dos pratos que vão à mesa na época do Pesach – a festa judaica que comemora a libertação judeus. Nesta época, cuja data varia de acordo com o calendário judaico (em 2003, comemora-se entre os dias 16 a 23 de abril), famílias se reúnem para a ceia. Participar de um jantar deste tipo pode ser uma experiência gastronômica única. Os mais religiosos realizam uma cerimônia cheia de simbolismos e tradições. Quem nunca experimentou os pratos judaicos, deve fazê-lo. De preferência, como convidado de uma família judaica em época de festividades. Sim, porque não é costume desta famílias prepararem pratos típicos fora das datas comemorativas... até pela falta de alguns ingredientes. Mas há alguns locais em São Paulo — poucos — onde pode-se degustar pratos desta cozinha. A mesa judaica costuma ser festivamente ornada e exageradamente farta. As ídiches mames — e eu me incluo entre elas — costumam não ouvir os apelos “pra mim está suficiente”. Elas gostam e sentem-se retribuídas quando os comensais lambem os beiços e pedem para repetir. O conhecimento das receitas judaicas é passado de mãe para filha. O curioso é que não existem receitas escritas e medidas certas para a elaboração dos pratos. Minha mãe dizia para colocar um pouco de farinha, outro pouco de açúcar... até a massa ficar pronta. Por isso, há muita variação de sabor nos pratos judaicos. Alguns pratos merecem especial atenção, como o guefilte fish (bolinho de peixe adocicado), os varenikys (pastelzinhos de massa recheados com batata e cebola frita), o youch (caldo de galinha, tomado nas frias noites européias) e o fluden (doce de nozes com massa folhada). Hoje em dia,
assim como os pratos de diversas comunidades, os judaicos também
passaram por uma renovação. É bastante comum
a mistura de ingredientes, adaptações e livres criações.
De qualquer
jeito, para quem gosta de experimentar e conhecer a cultura de um determinado
povo, eu só posso desejar le chaim (saúde!).
Publicado em: 04/04/2003
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||