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| Cozinhar /
Cozinha do Mundo |
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Por Leila Kuczynski*
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Divulgação/Arabia
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Mualabie,
doce típico
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Refinada
e saudável, a cozinha
do Líbano é repleta de perfumes e
iguarias artesanais tão antigas quanto
o ato reverente de comer |
A
culinária é parte da herança fundamental de um povo.
A do Líbano é uma arte refinada, e o preparo de seus
pratos, um ato de amor e reverência.
É, também,
repleta de aromas: temperos e ervas, verduras recém-colhidas,
legumes em cordões, potes de manteiga, carnes em conserva. Vidros
de azeitonas, azeite de oliva, trigo e lentilha, pães, coalhada
secando em pano branco.
O preparo e a conservação
dos alimentos perecíveis escassos no outono e inverno
é antigo. Conserva-se tudo com sal e especiarias, em azeite ou
vinagre. Fartura e variedade em uma refeição significam
aproveitamento de todos os ingredientes de sua cozinha e quintal.
Cada pedaço de chão libanês é cultivado.
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Divulgação/Arábia
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| Michui,
prato servido no Arábia |
Instituição
nacional
Comer e oferecer comida são demonstrações de afeto.
O hábito libanês de fazer visitas inesperadas é
pretexto ideal para o mezze de acento francês,
vem da expressão árabe alloumaza, que significa "aquilo
que é degustado, saboreado delicadamente com a ponta dos lábios".
O mezze é composto de várias porções
de conservas e iguarias, servidas em pratinhos redondos e fundos de cerâmica
marrom.
Mezze
é uma instituição nacional. Nasceu no Líbano,
na cidade de Zahle, no início do século: lá instalaram-se
bares e restaurantes, onde fregueses se reuniam com amigos para "tomar
um copo" e degustar pequenas e variadas porções de
tira-gosto. Logo, o mezze se espalhou pelo Mediterrâneo.
Para acompanhá-lo, arak (bebida alcoólica
semelhante ao rum, feita à base de arroz e melaço) misturado
à água gelada.
Doces
e peixes perfumados
O pão é presença obrigatória na mesa:
às vezes, substitui os talheres, como invólucro para saladas,
carnes e pastas. Cabrito e carneiro são os animais mais criados
nas aldeias. Tripas, gordura, língua, pés, tudo é
aproveitado. Entre as aves,
pombas, codornas e perdizes são muito apreciadas.
| Divulgação/Arabia |
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Leila
Kuczynski
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A coalhada é um dos pratos mais consumidos pelo povo do
Líbano, das mais variadas maneiras. Seu preparo é uma corrente
ancestral: um dos processos culinários mais antigos do mundo. Os
peixes são consumidos quase naturalmente: grelhados na brasa,
perfumados por alho, com suco de limão e azeite de oliva.
Muito consumidos também são os doces, generosos em caldas
e perfumes. Aromatizados com almíscar ou essências de
flores, são incrementados por frutas secas (tâmaras, figos,
damascos, uvas, pinoles, amêndoas, nozes e pistache) ou nata.
No
Líbano...
A vida de uma casa gira em torno de cozinhar e receber
A cozinha é reino absoluto da mulher
A relação do homem com a terra geram uma culinária
rica e variada
Há regras e códigos para se comer: quem recebe
faz de conta que nada preparou; quem visita faz de conta que
não vai comer |
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| Algumas
iguarias libanesas |
| Mezze:
composto por azeitonas, tabule, folhas de alface, pepinos em
conserva, coalhada, pão árabe e hommus.
É servida como entrada, acompanhada de pão árabe
(khobz). |
| Ovos:
cozidos, estrelados ou mexidos, ao natural ou com legumes |
| Coalhada:
saboreada no café da manhã, nas mezzes,
doce ou salgada, líqüida ou pastosa, fresca, seca
ou cozida. Serve como acompanhamento, tempero, base para outros
pratos e como refresco (diluída em água, no verão).
Poder ser feita com leite de cabra, vaca ou de búfalo. |
| Awarma:
carneiro preparado como conserva, para ser consumido quando
a carne fresca for escassa. |
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Leila Kuczynski é proprietária do restaurante Arabia
(SP) |
Publicado em: 09/08/01
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