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| Cozinhar /
Cozinha do Mundo |
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Por Carlos Siffert *
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Divulgação
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Variedades
de queijos
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Com
a gastronomia "dividida"
em regiões, a Suíça tem
influências dos países vizinhos e seus melhores sabores encontram-se
na cozinha simples e caseira
Morar
na Suíça serve a 2 propósitos: desmistificar clichês
e confirmar outros. Claro que é o país dos bancos, dos
queijos, do esqui, da fondue e dos relógios.
Mas é também o país onde a palavra "internacional"
foi provavelmente inventada.
A Suíça tem influências de países vizinhos
(França, Alemanha, Áustria, Itália) - mesmo
não admitindo nem gostando muito - e é a casa de milhares
de
estrangeiros que moram lá pelos mais variados motivos: trabalham
em organizações internacionais, são refugiados políticos
ou simplesmente moradores fronteiriços em busca de um emprego que
pague em francos suíços.
Mudei-me para Crans-Montana (uma estação de esqui) em janeiro
de 1988, em pleno inverno, para estudar hotelaria. Vivi em um lugar
típico, com tradição hoteleira, neve, montanhas
e todo o resto que chega rapidamente por associação de idéias.
Foi o começo de um grande aprendizado, principalmente da gastronomia
e dos
vinhos de lá.
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Divulgação
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Cidade
típica da Suíça
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Pratos
de inverno
A melhor maneira de encarar a cozinha deste país é separando-a
por regiões.
As montanhas no inverno são o local para especialidades
como:
raclette - peças de queijo especial, grelhados
em fogo à lenha ou em modernas traquitanas elétricas, servidas
com batatas cozidas com casca (en robe de champ, cuja livre tradução
é "como vieram ao mundo") e, às vezes, com peras
em calda e pepininhos em conserva),
e as fondues,
preparadas de várias formas:
moitié-moitié - porções iguais de vacherin
e Gruyère, 2 dos muitos queijos disponíveis nas regiões
de montanha
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fondue
bourguignonne - de carne, frita no óleo, com
vários molhos agridoces e picantes para acompanhar. A fondue
bourguignonne não tem nada de fondue ("derretida"),
mas leva o mesmo nome porque envolve o mesmo ritual dos comensais
em volta de um caquelon (panela de fondue)
fondue
chinoise
- carnes variadas e legumes cozidos em um caldo aromático
fondue
à la tomate, fondue aux cèpes - variações
modernas sobre o mesmo tema: o primeiro, com tomates; o segundo,
com funghi porcini
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Estas especialidades
são vistas pelos locais como comidas restritas ao inverno, e são
encontradas no verão só em restaurantes turísticos.
Os ingredientes utilizados são os que estão disponíveis
no inverno, principalmente os queijos, que os puristas franceses dizem
que só servem para cozinhar...
No
interior
Mesmo em lugares menos montanhosos, a comida do interior suíço
é sempre rústica, camponesa e substanciosa. Não
se economiza na manteiga, no creme, nos embutidos que, como nos países
vizinhos, são variadíssimos e ótimos, indo desde
kalbbratwurst (salsichões de vitela) até salames,
presuntos e lingüiças (longeolle
é um dos tipos), de fazer inveja aos melhores cotechinos
italianos.
As carnes de boi,
porco e vitela são as mais consumidas. Exemplos são:
o picadinho de
carne e rim de vitela, com champignons e creme - especialidade do
cantão de Zurique)
brasato di manzo - carne de boi cozida por longas
horas em vinho tinto do Ticino (cantão de língua italiana)
rôti de porc - assado de carne de porco muito
parecido com os encontrados nos países vizinhos, servido com frutas
Caça
A temporada de caça começa no final de setembro e vai até
novembro, com quase a totalidade dos restaurantes do país promovendo
festivais com perdizes, cervos, lebres e outros animais selvagens
preparados à l'ancienne (à moda antiga, característica
que, aliás, define boa parte da cozinha suíça, de
um povo conservador).
Verão
Época de aproveitar os lagos, dos quais um dos mais famosos é
o Léman, que engloba os cantões de Genebra e Vaud, e de
onde vêm os peixes como
a perca e o omble chevalier - ambos de sabor
delicado e preparados de maneira simples: fritos ou pôchés,
servidos em terraços sombreados à beira d'água
Na região
de Fribourg é tempo de
crème double - creme de leite fresquíssimo
e espesso, para comer com morangos e framboesas frescas
Uma região
com um pouco de tudo mencionado acima, mas com toques peculiares é
o cantão de Grisons, último reduto de uma língua
latina, o romanche, local de estações famosas como St. Moritz.
É de lá que vem a famosa
viande des Grisons - pedaço de
carne salgada e seca no ar frio das montanhas, fatiada finíssimo
e servida com pão preto e cornichons
Alta
gastronomia
É claro que a alta gastronomia (com pratos sofisticados e modernos)
tem seu lugar, principalmente perto das cidades maiores (não existem
grandes cidades por lá):
No Hôtel
de Ville em Crissier (1 r. d'Yverdon, tel. 0xx41/ 21 634-0505, Vaud)-
foi sede do restaurante mais famoso da Suíça, o de Fredy
Girardet, considerado por muitos o melhor chef dos últimos tempos.
Le Pont de Brent, em Brent-sur-Montreux (tel. 0xx41/ 21 964-5230),
e L'Ermitage Bernard Ravet, em Vufflens-le-Château (tel.
0xx41/ 21 802-2191), são seus prováveis sucessores.
Contudo, o melhor
da Suíça está na comida simples, que lembra a comida
de mãe e de avó, que fala diretamente ao coração,
combinando com os vinhos simples e de consumo local.
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Carlos Siffert é chef e sócio-proprietário
do restaurante
Tambor (SP) |
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