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Por Pilar Perez-Hita, de Barcelona
Em Barcelona, não é tarefa fácil fazer com que um restaurante ganhe destaque, já que várias casas de alta gastronomia disputam os holofortes. Muitas vezes, profissionais de primeiro time, com estabelecimentos bem montados e serviço impecável, acabam por não ter seu valor reconhecido. Por isso, chama mais a atenção quando o chef em destaque é, além de tudo, jovem. É o caso de Jordi Vilá, que, ao lado de sua mulher, Sonia Profitos, conduz o restaurante Alkimia. Este simpático chef foi chegando devagarinho, como quem não quer nada, e já está na boca dos melhores gourmets e na mira da imprensa especializada da cidade. Após passagens por restaurantes estrelados da cidade, como Niechel e Jean Luc Figueras, Vilá abriu o Abrevadero, muito frequentado por gourmets e cozinheiros. Parece que a idéia de se divertir enquanto pratica seu ofício deu certo: o Alkimia é o resultado.
Tido como um dos 6 restaurantes-revelação da Espanha em 2003/2004 pelo “Madrid Fución”, evento dirigido pelo crítico gastronômico e membro da Academia de Gastronomia Española, Carlos Capel, o Alkimia é um restaurante que surpreende pelo rigor. A decoração é absolutamente essencial: cada elemento parece ter função (não só efeitos cromáticos), e a iluminação potencializa cores, formas e texturas dos pratos impecáveis que vêm à mesa, como se fossem quadros em uma galeria. São neles que se percebe a segurança deste jovem artista, que não faz concessões a modismos. Cozinhar é seu maior prazer, e abstrair todo o potencial dos elementos orgânicos, seu objetivo. Sua cozinha é baseada, principalmente, em produtos regionais, reinterpretados por técnicas que estão a serviço do chef (e não o contrário). Pratos cujo conceito é aparentemente simples, como a telha de pão crocante, tartar de atum com creme de azeitonas pretas e os ovos fritos com purê de batata, sobrasada (tipo de embutido suíno de Mallorca) e marmelada são alguns exemplos. As sobremesas, todas leves e repletas de contrastes, são algumas experiências recomendadas. Entre elas, abacaxi com sopa de lichia, aipo confitado e sorvete de eucaliptos ou quiche de queijo semidefumado com funcho e sorvetes de avelãs e maracujá. O restaurante mantém, ainda, um serviço jovem e competente. Sua adega oferece opções interessantes para todos os bolsos e está sob o comando de Sonia (que também se formou na mesma escola do marido, a Hostelaria Joviat, na cidade de Manresa, perto de Barcelona). A seleção de vinhos está organizada não por regiões, mas por caracteristícas organolépticas, o que facilita (e muito) a escolha. São boas opções, e não somente da Espanha: é possível encontrar vinhos de várias regiões do mundo, do branco Condrieu francês a um Pinot Noir da Califórnia. Um restaurante assim, de valores razoáveis e com proposta que vai de encontro à vanguarda gastronômica, veio, sem dúvida, para ficar. Senão, que motivo teria o prestigiado crítico Rafael García Santos para lá estar (e ser assíduo cliente) no dia desta visita?
Alkimia
Publicado em:
09/09/04
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