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Por Cristiana Couto
No Brasil desde a década de 70, o restaurante Antiquarius é considerado um dos melhores portugueses do país HistóriaA história do Antiquarius
não começou em São Paulo. Muito menos no Rio de Janeiro, a matriz do restaurante
no Brasil. Vem desde 1950, em Portugal: seu projeto já existia
na concepção da Pousada de Considerado o melhor restaurante de Portugal na época (recebeu cotação máxima do guia francês Michelin), era freqüentado por personalidades como o então ditador António de Oliveira Salazar e o ex-governador do Estado da Guanabara Carlos Lacerda. Mas foi a Revolução dos Cravos, em 1974, que selou seu destino. Convidados por Carlos Lacerda, Perico e Pimenta mudaram-se para o Rio de Janeiro --as pousadas em Portugal foram estatizadas-- e trouxeram com eles as delícias portuguesas e o sucesso de um empreendimento. O Antiquarius carioca abriu suas portas em abril de 1977. Em outubro de 1990, inaugurou sua primeira filial, em São Paulo. Ambiente Há conforto e informalidade conjugados em um ambiente requintado, criado pelo decorador e famoso pintor português Pedro Leitão (responsável também pela decoração da Pousada de Santa Luzia). Nas cores verde, branca e laranja, os vários ambientes do restaurante são decorados por antigüidades, como as 30 peças de Aleijadinho que ali ficaram expostas até setembro, ou a prataria real inglesa, as porcelanas chinesas e o mobiliário do século 18 instaladas no mezzanino e nos salões. Um bar aconchegante, comandado pelo barman João Delfino, aguarda o cliente na entrada.
CardápioÉ lá, no ambiente do bar, que começa uma verdadeira viagem pela farta e calorosa cozinha portuguesa caseira, fazem questão de frisar. Inicia-se pelos deliciosos bolinhos de bacalhau e biscoitinhos de queijo. Embutidos portugueses entram como aperitivo também. Já na mesa, o couvert, um dos mais famosos da cidade, inclui queijo branco caseiro e lasanha de berinjela, pão de alho, kani com molho rosé e ovos de codorna. Avança pelas entradas, como a tigelinha de bacalhau à moda do convento. E passa aos pratos, tradicionais ou com toques de “brasilidade”, com especial atenção aos frutos do mar. O bacalhau ganha inúmeras versões. O clássico bacalhau dourado, que veio de Portugal e ganhou o nome do restaurante, é desfiado e mexido na frigideira, com batata palha e ovos; arroz de tamboril “malandrinho”, risoto à portuguesa (bem molhado) feito com camarões, lula e tamboril, está no cardápio desde a inauguração da casa no Rio, assim como o peixe ao forno com sal grosso, de identidade espanhola; e o toque brasileiro fica a cargo do picadinho à moda do Rio, servido com ovo pochê, banana frita, caldo de feijão, arroz e farofa, ou das moquecas. Carnes mais fortes, como a perna de cordeiro à moda do Braga, também desfilam pelo cardápio. E, aos domingos, o tradicional cozido português. Há sempre novidades, como a perdiz recheada com farinheira, recém-incluído no menu. As sobremesas clássicas portuguesas, ao final da jornada, sempre surpreendem: ovos nevados, toucinho do céu (ovos e amêndoas) e encharcada (fios de ovos gratinados) são alguns exemplos.
ChefsHá vários comandantes desta viagem gastronômica. Elaborado primeiramente por Carlos Perico, o menu e a casa de São Paulo são supervisionados pela filha Maria Eduarda Perico Martins. O português Carlos Bettencourt, no restaurante desde 1986, gerencia e supervisiona os pratos, executados com maestria pela dupla de chefs Valderi Gomes Pontes e Antônio Alves Oliveira, na “tripulação” há mais de 15 anos. Adega Na carta do Antiquarius
constam mais de 70 exemplares de vinhos. Variada e com predomínio de vinhos
portugueses, traz opções desde um Château Pétrus 92 (que custa
cerca de Antiquarius al. Lorena, 1.884,
Jardins, zona sul, São Paulo, tel. (0xx11) 282-3015
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