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chef Sergio Arno |
Por
Beatriz Marques
Sergio
Arno fala da carreira, profissão e mudanças em seu primeiro
restaurante
É preciso
aplaudir de pé ao restaurante que sobrevive mais de 5 anos numa
cidade como São Paulo. Nos últimos anos abrir uma casa tornou-se
alvo de pequenos endinheirados que buscam um rápido retorno ao
bolso. Mas muitos “sócios-investidores”, que olham
o empreendimento como um frutífero negócio, logo se decepcionam
ao ver que a rentabilidade não atingiu os índices esperados.
Por isso, sem piedade, fecham o local com a mesma facilidade que “deletam”
a planilha de contabilidade no vermelho. Mas sorte nossa que não
são todos com o mesmo pensamento. Há ainda os que
têm amor à cozinha e resiste aos altos e baixos de um saboroso
negócio. É neste contexto que aparece Sergio Arno,
chef com 20 anos de carreira que precisou mudar para seu primeiro
filho não esmorecer no cenário gastronômico paulistano.
Divulgação |
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Salão
do novo La Vecchia |
Com currículo
notável – são mais de 10 casas com sua assinatura, entre
franquias do restaurante La Pasta Gialla, bar Universidade da Cachaça,
hamburgueria General Prime Burger e Duets (em Ribeirão Preto) e os
restaurantes Alimentari e La Vecchia Cucina -, Arno teve de abrir mão
de parte do Vecchia para novos sócios injetarem novo “ânimo”
à casa. Se fosse pensar em números, o Vecchia não teria
mais vida e ficaria somente na história da gastronomia paulistana.
Mas a volta por cima já possibilita ao chef colher os frutos
da mudança. Confira a entrevista concedida ao Basilico,
onde Arno fala da carreira e da gastronomia no Brasil.
Basilico
- Por que resolveu mudar o La Vecchia Cucina?
Sergio Arno – A idéia surgiu faz um tempo.
Quando eu abri o La Vecchia em 1987, fiz sucesso muito mais rápido
do que eu podia imaginar e que minha cabeça pudesse admitir. O
sucesso, como em todo mundo, sobe à cabeça. Então
o La Vecchia teve uma fase em alta e depois em baixa, em 2001.
Basilico - Por que aconteceu a baixa?
Sergio Arno - Deixei um pouco a cozinha,
fiquei muito metido, acabei achando que já era bom por natureza.
Então uma das mudanças foi minha volta à cozinha
do Vecchia. Além disso, ele estava antigo, com instalações
ruins. Nos últimos 4 anos as pessoas nos falavam: “o preço
não é compatível com o lugar, mas é compatível
com a comida”. Mas para muitos o que importa não é
só a comida, e sim a mulher querer sair à noite, para o
lugar badalado. E aqui não era mais um lugar badalado. Homem gosta
de comer e mulher gosta de sair, essa que é a grande diferença.
Basilico - Você acha que é um aspecto das
mulheres?
Sergio Arno - Tenho certeza. Mulher
quer ir a um bom restaurante, mas come salada. Ela quer animação.
Para o homem não, tanto faz. Ele quer comer e beber bem. Ao longo
dos anos adotamos diversas medidas, como cardápios novos, mas faltava
gente, o lugar estava démodé. Aí eu falei: ou eu
fecho aqui e mudo de lugar ou eu mudo radicalmente a minha vida. Decidi
radicalizar e mudar tudo: móvel, colher, cadeira, prato, comida,
bar, banheiro, teto, chão, tudo!
Basilico - E por que você mudou o cardápio
e os preços?
Sergio Arno - Porque é preciso
bom senso. Os meus preços eram aumentados de acordo com a inflação
do ano. A gente não tinha ficha técnica, hoje já
temos. Então era muito assim de mercado, de concorrência,
de tudo. As mudanças não foram somente no cardápio,
ambiente, preços. Quando eu resolvi mudar o Vecchia, resolvi mudar
a mim também. Emagreci, fiz regime, parei de beber, comecei a fazer
análise. Eu comecei a melhorar também. Porque achei que
o Vecchia estava muito ligado a mim. Nós dois estávamos
ficando velhos e não estávamos percebendo. Mas o cardápio
não faz parte dessa mudança, porque cardápio foi
sempre mudado. Só que eu voltei à cozinha de novo.
Basilico - E o que de fato mudou na cozinha?
Sergio Arno - Eu pensei em coisas
mais modernas e naquilo que as pessoas gostam de comer. Depois de 20 anos
no ramo eu sei do que as pessoas gostam. Eu fiz um cardápio criativo
mas baseado no que o brasileiro gosta de comer. Eu criei um cardápio
novo e na mesma semana que reabriu o Vecchia me baixou o santo e eu criei
mais um cardápio novo com 30 pratos que vai ser lançado
daqui a 2 meses. Acho que estava me faltando incentivo, tesão de
novo e isso voltou quando eu reformei o Vecchia.
Basilico - Como você posiciona o La Vecchia no ranking
de melhores restaurantes de São Paulo?
Sergio Arno - Eu acho que somos o
2º melhor italiano e pronto. E o quinto melhor em SP
Basilico - Quem é o primeiro pra você?
Sergio Arno - Eu acho que tem um restaurante
que é muito completo em tudo, o Fasano.
Basilico - E o Massimo?
Sergio Arno - O Massimo foi meu ídolo
e até hoje é.
Basilico - Mas?
Sergio Arno - Mas ele perdeu a rédea
antes que eu. Ele foi sempre o melhor e deixou de ser porque dormiu no
tempo e até hoje está dormindo. Ele tem um bom restaurante,
é uma pessoa simpaticíssima, tem uma boa cozinha, mas os
preços são exorbitantes, não aceita cartão
de crédito e sempre o mesmo cardápio...
Basilico - Você diria para ele mudar do jeito que
você mudou?
Sergio Arno - Mas com certeza. Se
eu tivesse a coragem de ligar pra ele, e agora vou ter através
dessa entrevista, eu falo: muda! Muda radicalmente. Não muda ele,
que é uma pessoa maravilhosa, mas muda o cardápio, muda
o ambiente, a filosofia de serviço, a filosofia de cobrança,
do restaurante. As pessoas sempre querem coisas novas, mais atuais.
Basilico - Como você avalia a alta gastronomia no
Brasil hoje?
Sergio Arno - Eu acho que alta gastronomia
é nada. Pra ser sincero, é uma questão de como você
faz e põe no prato. Alta, baixa e média gastronomia são
muito parecidas. O que muda é o serviço, a toalha, o talher,
o garçom, o sommelier, a carta de vinhos, o restaurante.
Basilico - Não é a comida?
Sergio Arno - Não, eu acho
que você come muito bem em cantinas e muito bem em restaurantes
caros. O que muda realmente são alguns ingredientes, tipo foie
gras, mas isso daí é preço.
Basilico - Mas e técnica?
Sergio Arno - Eu acho que a alta gastronomia
é aquela que você faz com muito mais cuidado, só isso.
Na alta gastronomia você coloca um assado no forno e fica o dia
inteiro olhando. Na baixa você deixa lá e sabe que “tal”
hora vai ficar pronto. Na alta é o prato bonito, bem arrumado,
gosto bom, claro. Acho que a alta vai existir sempre, mas não em
restaurante caros. Vai ser a alta em restaurantes baratos. E por isso
também, é óbvio, eu abaixei os preços. Nós
não temos condições de cobrar um peixe a R$ 70 se
na realidade ele não custa isso.
Basilico - Como você vê a gastronomia no Brasil?
Sergio Arno - O Brasil é um
país muito pobre em tudo, principalmente em gastronomia. Estamos
muito evoluídos, mas perante nós mesmos. Somos muito fracos.
Em quantos restaurantes se come bem em São Paulo? Uns 30 bons restaurantes,
40 médios e o resto nem vou contar. E em Milão? Quarenta,
50. Médios? Duzentos. Agora criou-se muita coisa nova, mas tudo
muito fraco ainda. Não basta saber cozinhar. Você precisa
de educação, cultura, língua, viagens. Cozinhar bem
não é só o dom - se não tiver o resto, não
é nada. Tudo que eu lhe falar de restaurante bom vai girar em torno
de cultura e educação. Tudo.
Basilico - É um recado pra quem tá começando,
entrando em universidades?
Sergio Arno - Essas universidades
são as maiores culpadas de tudo. Elas vendem um curso que não
existe. Não existe curso de chef de cozinha! Existe de aprendiz
de cozinheiro, de aprender a cozinhar.
Basilico - Então você não recomenda
fazer uma universidade?
Sergio Arno - Ao contrário.
Eu recomendo, para começar a aprender o que é uma cozinha.
E acho que a universidade é essencial pra pessoa ter discernimento
de uma coisa e outra. Faculdade não forma chef. A cozinha é
experiência, suor, dia-a-dia, a bronca.
Basilico - O que você achou da ascenção
do chef Alex Atala, cujo restaurante acabou de entrar pra lista dos 50
melhores restaurantes do mundo?
Sergio Arno - Eu conheci o Alex Atala
(chef do D.O.M.) quando estava no antigo Filomena. Era um cozinheiro capenga,
estava começando. Já era um bom cozinheiro, mas jovem demais,
ousado demais, fazia muita coisa errada, assim como eu fiz. E ele está
numa fase que eu também passei e faz parte da nossa vida. Da fase
dos tamancos altos, é uma fase maravilhosa. Sair na revista Trip
pelado, falar mal dos outros ou se achar melhor, é uma fase por
que todo mundo passa.
Basilico - E como você analisa o futuro do Alex?
Sergio Arno - Igual ao meu. Altos
e baixos. Mas na volta terá amadurecido. Eu cresci muito rápido,
era inexperiente, moleque. Desci e me magoei muito, mas não perdi
as estribeiras. E pra você subir de novo é muito mais difícil,
mas hoje eu sou muito mais maduro.
Publicado
em: 12/05/06
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