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Comer / Caro Josimar
| De:
Marcelo Fromer |
Local:
São Paulo |
| Para:
Josimar Melo |
Data:
09/01/2001 |
Antes de ir para o frio europeu,
Marcelo Fromer indica sua
rota pelo litoral e pelas mesas mais
disputadas do verão paulista
Olha
só como são as coisas: recebi um e-mail do Basilico
pedindo para que eu escrevesse alguma coisa sobre o verão -
minhas experiências e referências gastronômicas desta
época quente e deliciosa.
Acontece que, não
por acaso, estive em Portugal e depois na França e, em ambos,
calor só mesmo em frente a lareiras e aquecedores ou abastecido
de bons goles de Jack Daniels. Mas, pouco antes de me mandar para a fria
e civilizada Europa, fiz
uma incursão pelo litoral paulista em busca de restaurantes
e opções perto da praia.
Os peixes
Se
a praia combina com o verão por causa do mar refrescante, este
mar combina também com uma refeição compatível.
É no próprio mar que devemos buscar os alimentos para este
período escaldante. São os peixes a melhor opção,
primeiro porque estão mesmo ali, e a possibilidade de encontrá-los
frescos é bem maior - frescor é tudo na comida
de hoje, de ontem e de sempre - e, segundo, porque são de
fácil digestão e leves (lights, como gostam hoje de falar).
Mas gostaria de falar
primeiro dos líquidos que tem de ser repostos a toda hora. Para
as crianças, água de coco, Gatorade, água e sucos.
Para os adultos, a cerveja. Cerveja e praia andam de mãos dadas,
e ainda abraçam a deliciosa caipirinha, ideal para petiscos.
Tempo
de beliscar
Nada
melhor no verão do que, em vez de almoçar no verão,
ficar apenas beliscando, sem o compromisso de sentar à mesa. Na
minha miniexcursão comi muito bem no clássico Rufino's
do Guarujá: bom peixe, lugar arejado, boa opção.
Na estrada para Bertioga,
o Joca é um lugar bacana, diferente, estrelado. Come-se
boas lulas e ostras (estas, com Champagne, são o máximo).
No Joca, graças ao
bom dono, há uma Moët & Chandon para abrilhantar
o casamento ostra-champagne. Talvez o grande must do litoral seja
o Manacá, sob a batuta do mestre Edinho, um lugar paradisíaco
(em Camburizinho) com uma comida deliciosa. Cada viajante vai descobrindo
onde comer melhor mas, de qualquer maneira, o verão pede comedimento:
após as refeições puxadas do Ano Novo, nada melhor
do que pegar
o embalo e entrar de cabeça em sucos, saladas e grelhados. É
a chance de entrarmos em forma tanto espritualmente quanto fisicamente.
Em
São Paulo
Para
aqueles que não podem ou não querem sair de São Paulo
- cidade com imensas praias de asfalto -, o negócio
para os fanáticos por gastronomia é aproveitar a cidade
deliciosamente vazia e a ausência de trânsito (uma dádiva).
Se forem para lugares fechados, ar condicionado urgente, pois comer
sob forte calor é uma das piores sensações que há.
Hoje, por exemplo,
está um calor do cão. Vou evitar molhos pesados, carnes
com muito tempero... Já sei, vou ao Namesa, do Alex Atala:
a comida é leve, saborosa, convidativa, assim como é o verão.
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Marcelo
Fromer é músico do grupo de rock Titãs, crítico
gastronômico do jornal "O Estado de S.Paulo" e autor
do livro "Você Tem Fome de Quê ?"
e-mail:
fromer@basilico.com.br
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