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Comer / Caro Josimar
Não vou falar aqui sobre seus comentários relativos ao "Guia Quatro Rodas 2001". Como tenho, eu mesmo, um guia de restaurantes no mercado, ficaria desconfortável em criticar ou mesmo elogiar uma publicação concorrente. Poderia, sim, falar sobre o personagem cuja falta você sentiu no guia da editora Abril, o Vincenzo Venitucci, do restaurante Casa Venitucci (que, no meu guia, recebeu 2 estrelas, num máximo possível de 3). Ao contrário de você, que demonstra ter uma afável e amigável relação com ele, minhas memórias são mais amargas, assim como a de muitos dos meus leitores, que simplesmente execram o proprietário da casa. Minha experiência diz que o senhor Venitucci pode ser bastante inconveniente em suas incursões às mesas, em suas interferências no livre curso das relações íntimas dos comensais, e em seus comentários sobre o céu e a terra (e sobre a mesa e o bar). Consistência
da cozinha Tudo isso me lembra outro tipo de situação, envolvendo outros ramos das artes (pois considero que a culinária está entre as artes). Você que é músico, Marcelo, já deve ter conhecido dezenas de artistas que são de um enorme talento em suas áreas, seja música ou pintura ou cinema, mas que são intratáveis pessoalmente. Gente que é neurótica, indelicada, pedante - mas que, com o instrumento ou o pincel na mão, são verdadeiros gênios. E não deixarão de ser gênios, nem de nos dar prazer em usufruir de sua arte, por causa de seu temperamento. O temperamento desses artistas não piora sua criatividade. Resta-nos rezar para que fiquem calados, ou nos afastar de sua convivência pessoal. Mas não deixar de reconhecer seu talento, e dele tirar o melhor proveito. Abraços, Josimar
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