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De:
Luiz Horta Caro Josimar,
Agora consegui um tempo e um teclado, e adianto um pouco do que está acontecendo mais imediatamente, uma mudança do meu conceito de paraíso. Sempre pensei que a Catalunha fosse o lugar mais perfeito para um aprendiz de gastrônomo, mas o País Basco revelou-se um paraíso “plus”. Eu, que sou tímido e sem jeito para tudo, tive que me inspirar em você, cada vez que me defrontava com um Arzak, cheio de estrelas no Michelin. Pensava: "Como o Josimar se comportaria?". Tem dado bastante certo até agora, espero estar sendo um Josimar adequado... Enfrento todas as paradas (como diz o Arnaldo Lorençato: “Não me intimido”), pareco muito experiente, aprecio cada delicadeza, sei tudo. Colocam uns caranguejos recém-pescados à minha frente e lá vou eu, velho conhecedor da arte de parti-los e sugar suas mais íntimas carnezinhas. Servem um Txacoli de Biscaia e me explicam a diferença em relação ao outro, o de Getaria, e eu, cara de pôquer, sem piscar, enfrento a coisa sem pudor. Café da manhã em San Celoni, antes de ver o Santi Santamaría: 2 vermutes (dois!) e cap i pota (cabeça e rabo de porco) e cá estou, disposto, disponível. Esta carta é só uma introdução para tudo que tenho a contar, e um agradecimento pela escola informal, de que com gosto se vai comendo de tudo e conhecendo países pela boca. Abração, até a volta. Luiz Horta Veja a carta anterior: Assunto:
Julia
Child e o renascimento da moderna cozinha americana
- agosto/2004
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