Regiões produtoras
O
Brasil é rico em variedade de cafés, graças
ao cultivo distribuído ao longo de todo o país. A
área disponibilizada pelo cultivo é de 2,4 milhões
de hectares, sendo 74% deles ocupado pela variedade arábica.
As principais regiões produtoras de café no
país são: Mogiana Paulista (Nordeste de São
Paulo), Sul de Minas, Cerrado de Minas, Matas de Minas, Bahia, Paraná,
Espírito Santo e Rondônia. Somente o estado de Minas
Gerais é responsável por 53% da produção
nacional.
Os cafés
de grande qualidade concentram-se no Sul de Minas, Cerrado de Minas
e Mogiana Paulista – os cafés destas 3 regiões
formam um dos mais conhecidos blends nacionais. Segundo a barista
Isabela Raposeiras, “é uma combinação
que não tem erro”.
Mogiana
paulista
Ao Norte do estado de São Paulo, a Mogiana é tradicional
no cultivo de café: há mais de de 200 anos. Produtora
do arábica, em solo arenoso com altitude entre 900 e 1000
m, é conhecida pelos cafés com bastante corpo
e aroma, além de doçura natural.
Sul
de Minas
O Sul de Minas é a maior região produtora de café
do país, e a fruta, responsável por 70% da renda agrícola
da região. Mas somente 15% das propriedades são utilizadas
para o cultivo de café. O arábica é plantado
numa altitude entre 850 m e 1.250 m e, assim como a Mogiana Paulista,
tem bastante corpo e aroma, doçura característica
e pouca acidez.
Cerrado
de Minas
Com altitudes entre 800 m e 1.000 m, o Cerrado de Minas conta com
estações bem definidas, o que favorece o cultivo de
cafés equilibrados em corpo e acidez. Com cerca
de 4.300 fazendas de café em uma área de 135 mil hectares,
a produtividade média é de 24 sacas/hectare.
Matas
de Minas
Localizada ao leste no estado de Minas Gerais, possui uma topografia
acidentada (de 400 m a 1.100 m de altitude) e grande parte das fazendas
encontram-se na faixa de 700 m. A região produz café
do tipo arábica e responde por 70% da renda rural. Atualmente,
muitos produtores estão investindo no café cultivado
em altas altitudes, processando-o da forma correta e ganhando status
no mercado de especiais. Segundo Raposeiras, este café “é
muito encorpado, muito doce, alguns com acidez acentuada,
mas equilibrada. É um café completo, que
reúne várias características”.
Bahia
A produção de café é recente, se comparada
a outras regiões cafeeiras brasileiras: surgiu na década
de 70. Com 103 mil hectares de plantio, a região tem altitude
média de 850 m, que garante melhor qualidade de café
arábica (a altitude adequada é acima de 800 m). Os
invernos secos e a proximidade com o Equador favorecem a produção
de cafés aromáticos.
Paraná
A produção de café no Paraná disparou
na década de 50 e foi responsável pelo surgimento
de cidades como Londrina e Maringá. Dividida entre Arenito
Caiuá e Norte Pioneiro, a região conta com altitudes
entre 350 e 900 m. Uma prática comum no Paraná
é a colheita seletiva: primeiramente, são
colhidos somente os frutos maduros e, mais tarde, repete-se a colheita
para pegar os novos amadurecidos. Aumenta o custo, mas a qualidade
do café é maior.
Espírito
Santo
A região cafeeira do Espírito Santo começou
com a produção de arábica, mas hoje em dia
o robusta é o carro-chefe. Segundo o Centro de Desenvolvimento
Tecnológico do Café (CETCAF), a safra de 2003 rendeu
5.820.000 sacas de robusta e 1.440.000 de arábica. É
o segundo maior produtor de café nacional, com cerca de 25%
da produção. Os melhores cafés estão
na área denominada “cafés de montanhas do Espírito
Santo”.
Concurso
de especiais
A qualidade dos cafés especiais brasileiros é colocada
à prova em um concurso anual, o Cup of Excellence. Organizado
pela Alliance for Coffee Excellence, com apoio da BSCA, da Specialty
Coffee Association of America (SCAA) e da Speciality Coffee Association
of Europe (SCAE), o Cup of Excellence avalia diversos lotes
de cafés, que passam por uma análise exclusiva da
qualidade, sem que se questione a procedência deles.
Os vencedores
são aqueles que obtiverem mais de 80 pontos durante as provas
feitas pelos júris nacional e internacional, e ganham acesso
ao leilão internacional pela internet. Para se ter uma idéia,
no último Cup of Excellence (2003), 973 lotes participaram
do concurso e 43 ganharam, sendo que 8 deles conseguiram notas acima
de 90 pontos. Em 2003, o campeão do concurso foi o produtor
Carlos Sérgio Sanglard (Araponga, Matas de Minas) e seu lote
foi leiloado a US$1.342,60 a saca. A empresa japonesa Maruyama Coffee
arrematou 39 sacas ao preço de US$ 52.361,45. Para
se ter uma idéia da valorização do produto
que ganha o concurso, ele pode ter aumento de 1.000%, já
que o preço normal da saca de café especial é
de US$ 100.
Esse alto valor
destinado à compra dos nossos cafés tem explicação.
O Brasil conta com uma imensa variedade da frutinha, graças
à grande extensão territorial, e oferece cafés
beneficiados de várias maneiras. Além disso, investimentos
tecnológicos têm contribuído para o aumento
da qualidade da produção. Por ser um café forte,
o grão brasileiro torna-se quase que indispensável
na composição do blend (mistura de diferentes grãos)
, pois é responsável pelo corpo da bebida. O
espresso da marca italiana Illycaffè, por exemplo, conta
com 60% de café brasileiro.
Agora só
falta o mercado nacional valorizar nossos cafés de qualidade,
principalmente os especiais, e não deixar que todos eles
atravessem a fronteira. Nosso
paladar agradece!
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