Beber / História do Vinho

Scala *

Vinhateiros: afresco do séc.15

Bebida que agradou gregos e romanos,
o vinho já foi usado em funerais,
misturado à água do mar e trocado
por escravos e ouro

Muitas das grandes invenções do homem se deram por acaso. O vinho pode ter sido uma delas: mais do que invenção, foi uma descoberta. Quem sabe num belo dia, há
7 ou 8 mil anos no Oriente Médio, alguém armazenou em um saco alguns cachos de uva. Esmagados e fermentados ao acaso, viraram vinho.

Então, após o "acidente", a humanidade percebeu o valor do achado etílico: mais do que o sabor novo e diferente, uma bebida alcoólica simples de fazer.

Gregos, egípcios e romanos {hiperlink 1}
Vinho tupiniquim {HIPERLINK 3}


Vinho com água do mar e mel

Os gregos costumavam misturar de tudo a seus vinhos: da água do mar até ervas e mel, hábitos retomados na Idade Média. Para conservá-lo ou disfarçar seu sabor? Não se sabe. A região do Mediterrâneo foi o grande centro de cultura e difusão do vinho. Três mil anos antes de Cristo, os egípcios usavam a bebida em funerais.

Os romanos herdaram dos gregos o hábito de levar a cultura da uva e do vinho às regiões européias que conquistavam. No início da Idade Média, a Igreja católica começou a produzir vinho. Mas antes, os gauleses e seus tonéis de madeira transformaram os métodos de vinificação (fabricação do vinho).

No século 17, as garrafas de vidro ganharam outras funções além de servir o vinho: foram usadas para sua conservação e transporte.

O milagre da fermentação

Na segunda metade do século 19, Louis Pasteur explicou pela primeira vez como se processava o milagre da fermentação (ação das leveduras sobre o açúcar da uva, transformando-o em álcool e gás carbônico), que transforma o suco da uva em vinho.

A partir de 1864, a praga Phyloxera dizimou os vinhedos europeus. Até hoje
não se sabe como eliminar esse pulgão que ataca raízes, mas, na época, aprendeu-se a evitá-lo.

Resistentes, as parreiras americanas de uva de mesa foram a base de enxerto das parreiras européias, da variedade Vitis vinifera, a única apropriada para a confecção de vinho. Tal artimanha salvou os vinhedos e preservou o vinho europeu.

Vinho tupiniquim

As parreiras chegaram aqui com o português Brás Cubas no século 16, em São Vicente (SP). No início do século 20, coube aos imigrantes italianos, instalados na Serra Gaúcha, inaugurarem a principal região vinícola do país. Atualmente, os vinhos vêm de vários países, com uma oferta variada de tipos e qualidades que o tornaram mais acessível.

Nova safra

Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia: novos países produtores que têm a mesma latitude, condições climáticas e morfológicas dos vinhedos tradicionais


Vinho é divino porque...

  • é alimento: ajuda a assimilação de nutrientes, principalmente de proteínas
  • tem poderes terapêuticos: na Antigüidade, era o único remédio e fonte de coragem
  • é considerada a bebida mais sociável, desde os velhos tempos
  • transforma uma simples refeição em um banquete
  • pode servir de último consolo

 


Pequenos goles

A Ilíada e a Odisséia (poemas gregos anteriores ao século 7 a.C) mencionam o vinho como um produto comum na época.

O vinho inspirou gregos e romanos a criarem célebres divindades enófilas: Baco e Dionísio.

Os vinhedos da Bourgogne, na França, nasceram como fonte de vinho para missas religiosas, produzido pelos conventos.

Na Antigüidade, a vinificação era feita em ânforas.

* Ilustração extraída do livro "História do Vinho", pg. 119

 

 

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