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Beber / Destilados
/ Cachaça

Por
Beatriz Marques
De baixo custo
e
grande teor alcoólico,
a cachaça foi desenvolvida
no Brasil durante o período colonial
e virou bebida nacional
“Cachaça
é a metafísica do pobre que,
sem saber, está amarrado a
tradições de milênios” (Arnaldo
Jabor)
História
(no Brasil)
Cachaça é a aguardente
do mel de cana-de-açúcar (ou da borra de mel de açúcar) destilada
após a fermentação alcoólica. A
cachaça acompanha a história do Brasil. Quem nunca ouviu sobre a “tradição”
de dar um gole pro santo? Quando
os portugueses começaram a migrar para o Brasil, trouxeram também
a bagaceira (destilado do bagaço da uva).
O processo de fabricação
da bebida foi desenvolvida na colônia, que passou a utilizar
a cana-de-açúcar em lugar da uva. A “descoberta” da cachaça aconteceu
por acaso; um engenho da capitania de São Vicente teria descoberto o vinho
de cana-de-açúcar (garapa azeda).
Os senhores de
engenho começam a servi-la aos escravos, com o nome de cagaça. Então,
quando foi destilada, tornou-se cachaça. Os consumidores da bebida
eram basicamente os africanos, que a usavam para amenizar o banzo,
saudades da terra natal. Também foram os primeiros a usar a cachaça como
tranqüilizante dos males do corpo e do espírito. O
sucesso foi tão grande que
até se tornou moeda de troca por escravos entre os portugueses.
A bebida começou a
tomar o lugar da bagaceira: significava, para os portugueses, o início
de liberdade do Brasil. Por isso, proibiram sua fabricação em 1649.
Como tal medida não deu resultado, a cachaça foi taxada. Os impostos
foram tão bem-vindos que ajudaram na recuperação de Lisboa depois do terremoto
de 1756.
O hábito do consumo
da cachaça pela classe alta demorou muito. Os aristocratas, envolvidos
pelo charme europeu, rejeitavam o produto nacional. A
partir da Semana de Arte Moderna (1922), iniciou-se um culto
à brasilidade. A cachaça acompanhou o ritmo do samba. Hoje, muitas
marcas já conquistam consumidores internacionais.
 
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